Clima
Fim de semana de tempo quente e seco; saiba até quando haverá trégua nas chuvas
Temperaturas serão típicas de outono, com dias quentes e noites mais frias
Sabrina Nascimento
08/06/2024 - 05:00

Grande parte do Brasil permanecerá sem chuva neste fim de semana, as exceções ficam por conta da faixa leste do Nordeste, onde algumas precipitações são esperadas. O atual padrão é resultado de um bloqueio atmosférico, que mantém o tempo seco e quente na maioria das regiões do país.
Essa configuração climática está alterando o curso das frentes frias, fazendo com que avancem mais ao sul e não alcancem estados como o Rio Grande do Sul. “Este bloqueio é benéfico para o Rio Grande do Sul, que precisa de um período mais prolongado de tempo firme para a recuperação das plantações e atividades agrícolas”, disse a meteorologista da Nottus, Desirée Brandt, ao Agro Estadão.
Temperaturas típicas de outono
Com a permanência do tempo seco no fim de semana, a previsão é de aumento das temperaturas durante as tardes, criando uma sensação de calor, no entanto, as noites devem continuar mais frias. “A falta de umidade relativa e as noites mais longas contribuem para a grande amplitude térmica, característica típica do outono,” explica a meteorologista.
Segundo a especialista, as condições de tempo seco aumentam o risco de queimadas, principalmente, no Pantanal, “o que também compromete a qualidade do ar, especialmente nos centros urbanos”.
Mudanças das condições climáticas na próxima semana
Embora o bloqueio atmosférico esteja impedindo a chegada de frentes frias no Brasil, uma mudança é esperada a partir do dia 15 de junho. “Esperamos uma frente fria mais intensa […] que deve avançar de forma mais continental, trazendo chuvas significativas para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná,” antecipa Brandt.
Essa mudança também causará uma queda nas temperaturas, especialmente, no Sul do país.
Transição climática: fim do El Niño e início do La Niña
Segundo o último relatório da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), a formação do fenômeno La Niña é esperada para o segundo semestre de 2024. A probabilidade de ocorrência no trimestre de julho a setembro ultrapassa 70%, enquanto no final do ano, especialmente nos últimos três meses deste ano, essa probabilidade sobe para mais de 80%.
Historicamente, o La Niña costuma atrasar o início do período úmido no Brasil, resultando em chuvas que chegam mais tarde do que o normal. Porém, a meteorologista da Nottus ressalta que, os modelos atuais não mostram um atraso nas chuvas. “Pode ser que o La Niña se forme com maior intensidade, mas sem força suficiente para atrasar significativamente o período úmido”, explicou Brandt à reportagem.
As primeiras chuvas são esperadas para setembro, começando em regiões como São Paulo e Mato Grosso do Sul. Em outubro, elas devem se espalhar mais amplamente, ganhando intensidade.
Entretanto, a especialista alerta que os efeitos do La Niña podem ser variados. “Quando o La Niña atrasa as chuvas, o reflexo nas lavouras pode ser significativo. Contudo, quando a chuva chega, muitas vezes é volumosa e persistente, o que também pode causar problemas”, afirma Brandt.
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