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Chuvas impulsionam safra, mas excesso preocupa em MG, MT e GO

Inmet projeta boa umidade no Centro-Oeste e Sudeste, mas alerta que déficit hídrico persiste no Amapá, Roraima e em parte da Bahia e Pará

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Redação Agro Estadão

11/11/2025 - 13:46

Foto: Adobe Stock
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A previsão meteorológica de novembro de 2025 a janeiro de 2026 indica regularização das chuvas nas regiões agrícolas centrais e no Sudeste, com melhora da umidade do solo e impulso à safra de verão. No entanto, algumas áreas podem registrar episódios de excesso de chuva — como o centro-sul de Minas e parte de Goiás e Mato Grosso — o que pode atrasar operações de campo.

As informações constam do Boletim Agroclimatológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que traz as tendências climáticas e os estoques de água no solo nas principais regiões produtoras do País. 

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O documento destaca chuvas mais regulares e bem distribuídas ao longo do trimestre, reflexo do enfraquecimento do período seco e da atuação do fenômeno La Niña durante o período.

Centro-Oeste

A partir de novembro, as precipitações voltam a ocorrer com mais frequência e se intensificam em dezembro. Segundo o Inmet, há “chuvas próximas e acima da média em todo o estado de Goiás e na maior parte dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, exceto no extremo norte de Mato Grosso e no sudeste de Mato Grosso do Sul, onde os volumes podem ficar ligeiramente abaixo da média.

O órgão prevê “níveis de umidade acima de 50% em grande parte da região, podendo ultrapassar os 80% em quase todo o Centro-Oeste em janeiro de 2026”. Esse cenário é positivo para o avanço do plantio e o desenvolvimento inicial das lavouras. 

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De acordo com o boletim, “a regularização das chuvas no verão irá garantir umidade adequada no solo na maior parte dos estados, favorecendo o plantio e o estabelecimento das lavouras de soja e milho primeira safra, bem como a germinação e o desenvolvimento inicial das plantas e a recuperação de pastagens”.

Após um outubro marcado pela escassez de chuvas e replantio de lavouras, principalmente em áreas do sudeste de Mato Grosso, o Inmet indica inversão gradual do padrão climático. Com a intensificação das precipitações em dezembro, há possibilidade de excesso hídrico em parte da região.

“A elevação dos níveis de umidade do solo nos próximos meses pode acarretar em excesso hídrico, principalmente nos estados de Mato Grosso e Goiás, nos meses de dezembro/2025 e janeiro/2026”, informa o boletim.

O instituto observa que o excesso de umidade será pontual, concentrado nas áreas centrais e norte do Mato Grosso e em boa parte de Goiás.

Sudeste

O trimestre será marcado por chuvas acima da média histórica em todo o estado de São Paulo, centro-sul de Minas Gerais, centro-norte do Rio de Janeiro e grande parte do Espírito Santo. Em novembro, ainda pode haver irregularidade na distribuição, mas o padrão úmido se fortalece a partir de dezembro.

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O boletim indica “recuperação da umidade do solo nas áreas com baixos índices hídricos” e que, em janeiro de 2026, os níveis devem atingir “valores próximos à capacidade de campo, condição favorável ao desenvolvimento das lavouras”.

As chuvas devem beneficiar café, cana-de-açúcar e grãos, que encontrarão condições adequadas de umidade e temperatura para o florescimento e o enchimento de grãos. Há, no entanto, possibilidade de excedentes hídricos, sobretudo no centro-sul de Minas Gerais.

Sul

A previsão indica chuvas próximas e abaixo da média no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e centro-oeste do Paraná. Por outro lado, volumes acima da média são esperados no centro-leste do Paraná, especialmente entre dezembro e janeiro.

O boletim ressalta que o excesso de chuva poderá interferir nas operações de campo: “essa condição poderá interferir nas operações de colheita do trigo e atrasar o início da semeadura das culturas de primeira safra”.

Apesar do quadro mais seco no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, os solos tendem a manter boa umidade ao longo do trimestre, com estoques acima de 70% na maior parte da região. No extremo sul gaúcho, porém, ainda pode haver déficit hídrico.

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Nordeste

A previsão indica maior variabilidade de chuvas. Os modelos apontam precipitações próximas e acima da média no Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, em grande parte de Alagoas e Sergipe, além do leste de Pernambuco e da faixa litorânea da Bahia.

Por outro lado, o centro-sul da Bahia deve registrar chuvas próximas ou abaixo da média histórica, com baixos níveis de armazenamento no solo. O boletim destaca que os déficits hídricos podem superar 150 milímetros em várias áreas, limitando o desenvolvimento de culturas de sequeiro e exigindo manejo hídrico adequado.

As anomalias de temperatura devem ser mais elevadas no Nordeste, podendo chegar a 2 °C acima da média histórica, o que intensifica a evapotranspiração e agrava a perda de umidade do solo.

Norte

No Norte, o comportamento das chuvas será contrastante. Há tendência de precipitações próximas e abaixo da média no Acre, Rondônia, oeste, sudoeste e norte do Amazonas, além do Amapá e do sul do Pará. Já o boletim prevê volumes acima da média na maior parte do Pará, centro-sul do Tocantins e nas porções sudeste e leste do Amazonas.

A partir de dezembro, o armazenamento de água no solo tende a aumentar na maior parte da região, ficando entre 60% e 80% em janeiro de 2026 — condição favorável para culturas como mandioca, milho e frutíferas tropicais. No entanto, o nordeste do Pará, Amapá e Roraima seguem com baixos níveis de umidade, o que pode afetar pastagens e culturas perenes.

Temperaturas e La Niña

O Inmet projeta temperaturas acima da média histórica em todo o país, com anomalias de até 1 °C no Centro-Oeste e Sudeste e até 2 °C no Nordeste. Apesar do calor, a reposição hídrica gradual até janeiro de 2026 deve assegurar boas condições para o desenvolvimento das lavouras de verão.

O La Niña continua atuando, com probabilidade de 62% para o trimestre, o que tende a influenciar a distribuição das chuvas no território nacional. Veja a previsão:

  • Centro-Oeste e Sudeste: volumes de chuva acima da média, com tendência de excesso hídrico em Goiás e Mato Grosso.
  • Norte: chuvas acima da média no Pará e Tocantins, mas abaixo da média em Roraima, Amapá e norte do Amazonas.
  • Nordeste: maior concentração de chuvas no centro-norte, enquanto o centro-sul da Bahia deve permanecer mais seco.
  • Sul: tendência de chuvas abaixo da média no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e acima da média apenas no centro-leste do Paraná.

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