Agricultura
Falta de chuva causa replantio de soja em Mato Grosso
Produtores alertam para perdas no campo; Aprosoja-MT pede ao Mapa e à Conab revisão das estimativas da safra 2025/26.
Redação Agro Estadão
10/11/2025 - 11:07

Enquanto a região Sul do Brasil sofre com as consequências do excesso de chuva, em Mato Grosso, a crise hídrica já causa o replantio de algumas lavouras de soja.
O produtor rural e vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Luiz Pedro Bier, conta que desde o início do plantio, as chuvas têm ocorrido de forma irregular. Segundo ele, a situação se agravou nas últimas semanas, levando muitos produtores a refazer parte das áreas já semeadas. “Ainda não é possível contabilizar os prejuízos financeiros, mas sabemos que teremos algum prejuízo. Nós temos recebido relatos de produtores aqui da região [leste de MT] que tiveram que realizar o replantio”, destaca Bier, ressaltando que é uma situação atípica para o começo do mês de novembro.
Também na região leste mato-grossense, no município de Nova Xavantina, o conselheiro consultivo da Aprosoja-MT e produtor, Endrigo Dalcin, afirmou que perdeu pelo menos 10% do que já havia plantado devido à irregularidade da chuva na região. Ele avalia se vai replantar ou deixar a produtividade baixa, pois o replantio nesta área comprometeria a janela para o plantio do milho. “O replantio das primeiras sojas plantadas lá no dia 13 e 14 de outubro ainda vai ser avaliado, não sei a quantidade ainda, mas acredito que cerca de 10% da área plantada deve precisar de replantio”, afirmou.
Sem chuva há 15 dias
Em Sorriso, na região norte de Mato Grosso, o produtor Adalberto Grando relata que há mais de 15 dias não chove. A falta de precipitação já compromete parte das lavouras. Para tentar preservar a semeadura realizada no início de outubro e reduzir as perdas provocadas pela estiagem, o agricultor recorreu ao pivô de irrigação.
Apesar de ainda não ter mensurado o prejuízo total, o produtor afirma que as expectativas são baixas e que a receita da propriedade já está comprometida. “A perspectiva para a próxima safra é bem complicada, porque teremos uma redução na produtividade da soja e na área de milho da segunda safra. No final de 2026, a receita vai ficar muito abaixo do que esperávamos no início de setembro, quando tínhamos uma previsão de chuva normal no mês de outubro. A falta dessa chuva comprometeu toda a nossa safra”, lamentou.
Menos produtividade nas lavouras
Assim como nas demais regiões, o oeste de Mato Grosso também sofre com a crise hídrica no início do plantio. Segundo o vice-presidente oeste da Aprosoja-MT, Gilson Antunes de Melo, haverá queda na produtividade, já que a soja não está se desenvolvendo adequadamente.
O agricultor afirma que os produtores mato-grossenses começaram a safra 2025/26 em condições climáticas desfavoráveis, com lavouras mal nascidas e mal implantadas. “Sabemos que isso, lá na frente, resulta em perda de produtividade. É uma situação preocupante, porque estamos em um ano sem margem, e já começamos com uma lavoura que provavelmente terá queda de produtividade”, destacou.
O mesmo cenário é vivido no sul do estado. Fernando Ferri, vice-presidente da Aprosoja-MT na região, apontou que há mais de dez dias não há chuva, o que já resulta em baixa produtividade nas propriedades, com falhas de estande e soja apresentando baixo desenvolvimento. “A maior preocupação é ter uma produtividade menor do que a esperada, com preços iguais ou até piores que os da safra passada. Isso tem limitado um pouco as expectativas de produção, uma vez que os custos estão se mantendo em níveis altos e a rentabilidade é cada vez menor”, avaliou.
Aprosoja-MT pede ao Mapa e à Conab revisão da projeção de safra
Diante do cenário, a Aprosoja-MT enviou um ofício ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) manifestando preocupação com a safra 2025/26. No documento enviado na sexta-feira, 07, a associação aponta que a crise hídrica fez com que alguns produtores perdessem o que já haviam plantado, sendo necessário realizar a ressemeadura.
O ofício também reforça a preocupação com a comunicação institucional e solicita que o Mapa, juntamente com a Companhia Nacional de Abastecimento revisem as estimativas oficiais da safra. De acordo com a entidade, o objetivo é que as projeções indiquem com maior precisão a atual situação climática e produtiva do estado.
Em seu último levantamento de safra, a Conab projetou uma produção de 49,1 milhões de toneladas em Mato Grosso — 4,3% abaixo da temporada anterior (51,3 milhões de toneladas).
O ofício baseia-se ainda nos dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária, que apontou um desvio de precipitação acumulado de setembro a outubro de 2025 comparado à série histórica de 26 anos. O levantamento mostrou que o volume de precipitação acumulado está em níveis inferiores à média histórica do estado de Mato Grosso. Os dados também apontam que a evolução da semeadura perdeu força nos últimos dias e já se encontra abaixo da média dos últimos cinco anos.
Em comunicado, a Aprosoja-MT disse que explicou no documento que uma ampla semeadura não significa uma lavoura saudável, afirmando que a falta de chuva causou germinação irregular, crescimento lento, falhas de estande, risco de replantio, fragilidade das lavouras e outros problemas decorrentes das altas temperaturas. “A Aprosoja-MT segue acompanhando a evolução do plantio da safra 25/26 em Mato Grosso e reforça a necessidade de créditos compatíveis com as dificuldades enfrentadas pelos agricultores frente às crises climáticas”, finalizou.
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