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Agropolítica

Seguro rural pode receber recursos do crédito agrícola

Diante da escassez de recursos, governo e lideranças defendem que a realocação de verbas pode ser a solução para fortalecer o seguro rural

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Redação Agro Estadão

19/09/2025 - 17:50

Estimativas apontam que apenas 7,4% da área semeada na agricultura brasileira tenha seguro. Foto: Adobe Stock
Estimativas apontam que apenas 7,4% da área semeada na agricultura brasileira tenha seguro. Foto: Adobe Stock

Reduzir o crédito agrícola e realocar parte dos recursos do tesouro para o seguro rural pode ser o caminho para mitigar as perdas crescentes da agricultura brasileira diante das mudanças climáticas.  A proposta foi debatida na abertura do Seminário Técnico Nacional sobre Gestão de Riscos Agropecuários e Seguros Paramétricos, realizado nesta sexta-feira, 19, na sede da Sociedade Rural Brasileira, em São Paulo (SP).

A provocação partiu do assessor especial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Augustin, que ressaltou que os recursos são escassos, mas que o tema do seguro rural não pode mais ser protelado. “Quanto custa a renegociação no Brasil e quanto custaria um seguro adequado? Os recursos são escassos, mas temos que ver onde aplicar. O crédito rural para o pequeno produtor é sagrado, mas para o grande não vai mudar nada. Será que precisamos de tudo isso para o crédito rural?”, questionou.

Atualmente, estima-se que apenas 7,4% da área semeada na agricultura brasileira tenha seguro. O número foi apresentado pelo deputado federal Arnaldo Jardim, que lembrou que esse índice já chegou a 13%, mas vem caindo ano a ano. Ele ainda calculou que o volume de recursos destinados ao seguro rural na safra 2025/26 deve cobrir 5 milhões de hectares — a menor área assegurada em uma década, segundo ele.

CONTEÚDO PATROCINADO

Por vídeo, a ex-ministra da Agricultura e senadora Tereza Cristina reforçou o papel do seguro para a saúde financeira do campo e das contas públicas. “Seguro protege o produtor, mantendo sua capacidade de arcar com os compromissos e os custos da próxima safra. Também é importante para proteger as instituições financeiras e melhorar as finanças públicas, reduzindo gastos com renegociações. Apesar desses benefícios, o seguro ainda é pouco usado no Brasil”, disse.

A proposta de realocar parte dos recursos do crédito rural para o seguro também foi defendida pelo secretário de Agricultura de São Paulo, Guilherme Piai. “O governo federal está acompanhando a execução dos recursos. Será que os 15 bilhões que foram oferecidos estão sendo executados? Pela informação que recebi, 70% não está sendo executado. Será que não pode realocar esse recurso para o seguro rural?”, disse.

A proposta da subvenção agrícola ser direcionada majoritariamente para o seguro rural, deixando o financiamento agrícola com a iniciativa privada, foi a posição defendida pelo secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Campos. “Se o dinheiro tem origem de recurso público, precisamos ter um olhar apropriado”, afirmou, sugerindo a criação de uma proposta robusta, com participação dos estados e alinhada entre Executivo e Legislativo, para que o seguro chegue efetivamente ao produtor.

Campos também comentou os questionamentos sobre o Plano Safra, que, segundo ele, não tem alcançado o mesmo resultado de anos anteriores. Um dos entraves seria a taxa Selic mantida pelo Copom, nesta semana, em 15%. “O Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar] está performando bem. Tratores menores estão performando melhor que grandes máquinas. A expectativa é que o setor de investimento tenha um baque grande nesta safra”, disse.

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