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Agropolítica

SAF, corredor bioceânico e exportações: veja como foi o 1º dia da missão do Brasil na China

Lula e comitiva tiveram reuniões na capital chinesa, além de participação no Fórum Empresarial Brasil-China

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Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

12/05/2025 - 14:00

Foto: Ricardo Stuckert/PR
Foto: Ricardo Stuckert/PR

A segunda-feira, 12, marcou o início oficial da missão brasileira na China. A delegação do Brasil conta com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, além de outros membros do Executivo e mais de 150 empresários ligados ao agronegócio. 

A agenda oficial da missão em Pequim começou com o anúncio de US$ 1 bilhão na produção de SAF (sigla em inglês para combustível sustentável para aviação) no Brasil. O investimento será feito pelo Envision Group. Lula teve um encontro com representante da empresa que irá investir na produção do biocombustível tendo como base a cana-de-açúcar. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Ainda na área de produção de SAF, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, assinou um memorando para ações de cooperação na pesquisa e desenvolvimento do combustível. O acordo foi feito com a Universidade de Aviação Civil da China (CAFUC) e prevê um intercâmbio de conhecimentos técnicos sobre o assunto, além de estudos sobre logística e infraestrutura de produção do biocombustível. 

Lula também participou do encerramento do Fórum Empresarial Brasil-China, que teve a participação de mais de 700 empresários das duas nações. O presidente da Apex Brasil, Jorge Viana, aproveitou a ocasião para anunciar que empresas chinesas devem investir R$ 27 bilhões no Brasil. 

Infraestrutura

Durante discurso, Lula destacou a intenção de conectar os oceanos Pacífico e Atlântico. Ele mencionou o projeto do Corredor Ferroviário Leste-Oeste, que liga a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL), além de fazer integração com a ferrovia Norte-Sul. Parte da FIOL está finalizada, no entanto, estão em estudo as concessões para construção de outros trechos da FIOL e da FICO. 

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“O Corredor Ferroviário Leste-Oeste, que vai interligar o Brasil, será um empreendimento fundamental para a logística brasileira e um dos mais transformadores para a garantia da segurança alimentar do mundo. Conectar o oceano Atlântico ao Pacífico, por meio de cinco rotas de integração, facilitará o intercâmbio comercial e levará mais desenvolvimento para o interior do continente sul-americano. As rotas bi oceânicas encurtarão a distância entre Brasil e China em aproximadamente 10 mil quilômetros”, disse o presidente.

Em abril, engenheiros chineses vieram ao Brasil para ver o andamento dos trabalhos com relação ao corredor. Essa obra de infraestrutura faria parte de um projeto maior para criação de uma rota que ligaria Brasil e Peru, ampliando as possibilidades logísticas com a inclusão do Porto de Chancay, no Peru, uma das saídas para o Oceano Pacífico. 

Exportações

Lula também deu destaque sobre as exportações agropecuárias do Brasil. O presidente afirmou ser preciso investir em educação para o país poder conseguir exportar outros itens além de commodities, mas também destacou a tecnologia empregada na produção dos produtos. 

“Tem muita gente que reclama que o Brasil exporta para a China só produtos agrícolas e minério de ferro, ou seja, só commodities. O Brasil precisa dar graças a Deus de estar exportando agronegócio porque também é preciso a gente saber quanto de tecnologia tem hoje num grão de soja, quanto de engenharia genética tem num quilo de carne que nós vendemos, num quilo de frango, num quilo de porco, num saco de milho”. E completou: “Ou seja, para a gente não se sentir inferior, porque só estamos exportando agronegócio. Nós temos que exportar agronegócio, utilizar o dinheiro que entra no Brasil para investir em educação, para a gente poder ser competitivo com a China na produção de carro elétrico, na produção de baterias, na construção de inteligência artificial”. 

O presidente da República também falou sobre as medidas de Donald Trump no comércio internacional. O discurso de Lula ocorreu após o anúncio de uma suspensão parcial da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Lula voltou a afirmar ser a favor do livre comércio e do multilateralismo e criticou o presidente americano. 

“É muito importante dizer para vocês que não existe saída para um país sozinho. É preciso que a gente tenha consciência que nós precisamos trabalhar juntos. É por isso que eu não me conformo com a chamada taxação que o presidente dos Estados Unidos tentou impor ao planeta Terra do dia para a noite. O que nós queremos é o multilateralismo para que a gente possa praticar o livre comércio. O livre comércio. A gente exporta o que a gente quiser, a gente compra o que a gente quiser, sem precisar ninguém tentar impor qualquer diminuição na soberania de nenhum país”, defendeu. 

Nesta terça, 13, último dia oficial da missão, haverá encontro de Lula com o líder chinês Xi Jiping. Há expectativas de que diferentes acordos sejam firmados, inclusive a abertura de novos mercados para o Brasil. 

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