Agropolítica
Governo sinaliza que não deve taxar exportações
Em série de reuniões, governo pede ajuda do setor para conter a alta dos alimentos
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
27/02/2025 - 22:26

O ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, indicou que não deve ocorrer a taxação de exportações do agronegócio. A medida estava sendo ventilada como alternativa para frear a alta dos alimentos e causou preocupação no setor produtivo.
Fávaro participou de uma série de reuniões com diferentes setores nesta quinta-feira, 27. Um dos membros que esteve presente em um dos encontros disse que foi “um pedido de ajuda” do governo para tratar a situação. No entanto, medidas concretas não foram abordadas. Foram ao menos quatro reuniões durante o dia com os setores de açúcar e etanol, biodiesel, proteínas e representantes de supermercados.
De acordo com participantes da reunião com o setor de biodiesel, o tema principal foi o óleo de soja. Alguns dados chegaram a ser apresentados como o preço do produto, mas durante a reunião, os próprios representantes do setor refutaram as informações dizendo que estavam desatualizadas. O governo espera uma contribuação dos empresários indicando algumas sugestões para baixar o preço do óleo.
Além de várias entidades de diferentes segmentos do agronegócio e de menbros do Mapa, os encontros contaram com a presença do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, e do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto. A equipe econômica também esteve presente assim como um representante da Casa Civil.
Nesta sexta-feira, 28, Fávaro deve se reunir com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, para apresentar um esboço do que foi discutido nas reuniões. No fim da próxima semana estão previstas novas reuniões para tratar sobre o tema. Entre as medidas no radar está a diminuição das alíquotas de importação de alguns produtos, como o milho, conforme adiantou o Agro Estadão.
Mantendo a rotina
A última terça-feira, 25, foi marcada por rumores de uma possível saída de Fávaro do Mapa. Como contou uma fonte ouvida pela reportagem, o assunto circulou pelos corredores da pasta e houve preocupação por parte de alguns membros do ministério.
Porém, Fávaro procurou manter uma rotina normal de agenda e despachos, tendo como foco reuniões para tratar da crise dos preços dos alimentos. Segundo essa fonte, isso indica que o ministro deve continuar, mas ele também lembrou o caso da ex-ministra da Saúde, Nisia Trindade, que também manteve as agendas mesmo com os rumores da demissão ganhando força.
Falta de nome pode ser apólice de seguro
A atuação do ministro Carlos Fávaro é bem avaliada pelo PT, de acordo com um parlamentar ouvido pela reportagem. Além disso, a falta de um substituto pode funcionar como uma espécie de apólice de seguro para a permanência do atual ministro.
O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) surgiu como um possível candidato, mas o deputado negou a possibilidade por meio de sua rede social. Ele é visto como um bom nome internamente no Mapa. No entanto, um alinhamento político mais próximo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), afastaria a possibilidade de aceite em um eventual convite. Outros nomes ventilados acabam não representando o lado político e a interlocução com o setor.
Por isso, Fávaro tem mantido a preferência do presidente Lula e uma retirada seria ruim para o governo neste momento.
Pelo lado do setor, há quem manifeste apoio ao ministro. “Somos absolutamente contra a saída do Favaro e trabalhamos pela permanência. Ele é um dos melhores ministros do Lula”, disse um representante escutado pela reportagem.
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