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Agropolítica

Fávaro: "que empresas brasileiras deixem de fornecer carne até para o Carrefour Brasil"

Ministro Paulo Teixeira espera pedido de desculpas da rede na França

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

22/11/2024 - 05:00

Foto: Abrafrutas/Divulgação
Foto: Abrafrutas/Divulgação

O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, pediu respeito com a produção agropecuária brasileira. O chefe da pasta comentou as recentes declarações do CEO do Carrefour na França, Alexandre Bompard, de que a rede no país não iria mais comercializar carne vinda do Mercosul, o que inclui o Brasil. Fávaro também criticou o anúncio feito pela rede no Brasil de que continuará comprando carne brasileira.

“Me surpreende a presidência local aqui do Brasil dizer: ‘não, nós vamos continuar comprando, tem boa procedência, quem não vai é a matriz, na França’. Se não serve para os franceses não vai servir para os brasileiros. Então, que não se forneça carne nem para o mercado desta marca aqui no Brasil. O Brasil tem que ter muita responsabilidade e garantia da qualidade dos nossos produtos. Eu quero crer que eles vão repensar o que estão falando da produção brasileira”, enfatizou.

CONTEÚDO PATROCINADO

Questionado se estaria de acordo com uma espécie de boicote à empresa, ele negou, mas manifestou apoio às empresas brasileiras que pretendem parar de fornecer carne para o Carrefour Brasil.

“Eu já vi um movimento por parte dos próprios produtores de carne daqui, do qual eu me solidarizo, que é um absurdo a empresa dizer assim: não, quem não quer comprar é a matriz, é a França. Tipo assim: aqui serve, aqui a carne dos brasileiros serve para o Carrefour. Não é assim não. Tenham respeito com a nossa produção. Eu achei uma atitude louvável da indústria brasileira falar assim: ‘então eu não vou fornecer também’. E tem o meu apoio a atitude que mostra a soberania e o respeito à legislação brasileira”, disse o ministro a jornalistas antes de um evento em comemoração aos 10 anos de Abrafrutas.

Ministro não vê “ações orquestradas”, mas também não crê em coincidência

O responsável pela agropecuária brasileira também citou o caso da Danone, outra empresa de origem francesa, que afirmou não comprar mais soja brasileira. Segundo o ministro, “é difícil acreditar que está acontecendo uma ação orquestrada por parte das empresas francesas”, mas Fávaro afirmou não ser uma pessoa que acredita em “coincidências”.

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“Ao ver 15 dias atrás a Danone com uma ação mais ou menos parecida como essa. Agora o Carrefour. Veja, o Brasil não se nega a discutir sustentabilidade com ninguém em nenhum lugar do mundo”, ponderou. Fávaro ainda complementou: “de forma alguma ser atacado na nossa soberania. Isso é irretocável”.

O ministro lembrou da Lei Antidesmatamento europeia e ressaltou que o país está disposto a discutir, mas desde que haja respeito a soberania nacional.

“Fizemos uma manifestação muito firme com relação a legislação antidesmatamento do Parlamento Europeu, que eu fiquei muito feliz com o entendimento deles de rever os prazos para entrar em vigor. Nós queremos discutir, queremos oferecer aos consumidores toda a garantia e procedência dos nossos produtos”, complementou.

“Eu acho que deveria haver um pedido de desculpas”, diz Teixeira

O ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, também criticou a decisão do Carrefour. “Eu creio que vai ser de difícil sustentar, porque a carne brasileira é uma carne rastreada e assim é uma carne de produção sustentável. Então é uma generalização inaceitável”, apontou o ministro que sugeriu um pedido de desculpas. “Eu acho que isso vai prejudicar o próprio Carrefour. Eu acho que ele [Carrefour França] deveria pedir desculpas e a vida continuar tal qual ela é”, afirmou Teixeira.

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