Economia
IBGE prevê safra de 295,9 milhões de toneladas para 2024, queda de 6,2% em relação a 2023
Milho e soja puxam declínio da produção de grãos; algodão, arroz e feijão têm melhor perspectiva e avançam
Rafael Bruno
11/07/2024 - 11:34

A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 295,9 milhões de toneladas em 2024, resultado 6,2% menor que o obtido em 2023, ou 19,5 milhões de toneladas abaixo da produção passada (315,4 mi/t). Na comparação com a projeção de maio, o recuo é de 0,3%. Os dados constam na estimativa de junho do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira, 11, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Conforme o IBGE, arroz, milho e soja, somados, representam 91,6% da estimativa da produção e respondem por 87,2% da área a ser colhida, que nesta temporada está projetada em 78,3 milhões de hectares, aumento de 0,6% frente a 2023. Destaque para os incrementos de área das seguintes culturas
- Algodão herbáceo (em caroço) +12,5%
- Arroz em casca +7,1%
- Feijão +6,9%
- Soja +3,3%
Já milho, trigo e sorgo tiveram reduções de áreas de 4,9%, 11,0% e 4,1%, respectivamente.
Em relação à produção, houve incremento em:
- Algodão herbáceo (em caroço) +9,8% (8,5 milhões de toneladas)
- Arroz +4,1% (10,7 milhões de toneladas)
- Feijão +9,0% (3,2 milhões de toneladas)
- Trigo + 23,7% (9,6 milhões de toneladas)
Por outro lado, quedas nas seguintes produções foram apontadas pelo IBGE:
- Soja -3,4% (146,8 milhões de toneladas)
- Milho -13,3% (113,7 milhões de toneladas)
- Sorgo -10,4% (3,9 milhões de toneladas)
“A safra 2023/2024 teve vários problemas desde o início da sua implantação, como falta de chuvas e ocorrência de altas temperaturas, durante a safra de verão (1ª safra), havendo a necessidade do replantio de algumas áreas. No Rio Grande do Sul houve excesso de chuvas e inundações. E agora com a colheita do milho segunda safra, temos constatado que esses problemas foram mais graves do que imaginávamos”, analisa em comunicado, Carlos Alfredo Guedes, gerente de agricultura do IBGE.
Produção por regiões
O volume da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou a seguinte distribuição por regiões: Centro-Oeste, 140,4 milhões de toneladas (47,5%); Sul, 83,7 milhões de toneladas (28,3%); Sudeste, 27,2 milhões de toneladas (9,2%); Nordeste, 26,1 milhões de toneladas (8,8%) e Norte, 18,5 milhões de toneladas (6,2%).
A estimativa da produção de cereais, leguminosas e oleaginosas apresentou variação anual positiva para duas Grandes Regiões: a Sul (4,8%) e a Norte (9,8%). Houve variação anual negativa para as demais: a Centro-Oeste (-12,8%), a Sudeste (-11,4%) e a Nordeste (-3,4%).
Mato Grosso lidera como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 29,3%, seguido pelo Paraná (13,3%), Rio Grande do Sul (12,7%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (7,3%) e Minas Gerais (5,6%), que, somados, representaram 78,8% do total. Com relação às participações regionais, tem-se a seguinte distribuição: Centro-Oeste (47,5%), Sul (28,3%), Sudeste (9,2%), Nordeste (8,8%) e Norte (6,2%).
Demais culturas
O IBGE também divulgou estimativas para as produções de batata e café.
Batata inglesa: a produção, considerando-se as três safras do produto, deve alcançar 4,3 milhões de toneladas, declínio de 0,4% em relação à estimativa de maio. Em relação a 2023, a produção brasileira de batata deve crescer 0,3%.
Café (em grão): a produção brasileira, considerando-se as duas espécies, arábica e canéfora, foi estimada em 3,7 milhões de toneladas, ou 60,9 milhões de sacas de 60 kg, decréscimo de 0,8% em relação ao mês anterior e crescimento de 6,9% em relação a 2023. O clima em 2023/2024 tem beneficiado as lavouras no centro-sul do País. Além disso, a safra corrente é de bienalidade positiva para o café arábica, o que deve resultar em um aumento na produção desse tipo de grão, apesar da safra do ano anterior, também favorecida pelo clima, ter sido considerada muito boa, elevando sua base de comparação.
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