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Agropolítica

Dívidas no campo: veja 5 pontos para proteger suas finanças

Burocracia, juros altos e restrições limitam renegociações e ampliam dívidas no campo; especialistas pedem cautela

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Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com

27/11/2025 - 05:00

Contratos de renegociação de dívidas exigem atenção redobrada, recomendam especialistas. | Foto: Adobe Stock
Contratos de renegociação de dívidas exigem atenção redobrada, recomendam especialistas. | Foto: Adobe Stock

Com custos altos, preços em queda e crédito caro, muitos produtores rurais enfrentam dificuldades para manter o equilíbrio das contas. A situação se agravou após as perdas de safra e juros elevados, o que reduziu a capacidade de pagamento e aumentou o risco de endividamento no campo.

A Medida Provisória 1.314/2025 abriu a possibilidade de renegociar dívidas de produtores afetados por eventos climáticos entre 2020 e 2024. A renegociação é oferecida em bancos públicos e privados com duas linhas: uma com juros livres, ou seja, das próprias instituições, e outra com juros subsidiados pela União. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Mas, segundo especialistas, o socorro não alcança todos e, em alguns casos, pode agravar o problema. Planejar, comparar condições e evitar comprometer o patrimônio são passos essenciais para garantir a continuidade da produção. Confira algumas dicas:

1. Analise se vale a pena renegociar

O economista Antônio da Luz, da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), alerta que a renegociação nem sempre é a melhor saída. “Um contrato com juros pré-fixados de 14% ao ano pode triplicar a dívida em nove anos. — sem que sua área ou produtividade cresçam na mesma proporção”, diz.

Segundo ele, o volume de recursos controlados disponíveis para renegociação é muito limitado: “de cada R$ 5 que poderiam ser enquadrados, apenas R$ 1 está sendo atendido. Há bancos que só conseguem contemplar 16% das operações”.

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O economista acrescenta que, mesmo nas operações pós-fixadas, que alguns veem como alternativa mais atrativa, é preciso cautela. “Embora esperemos uma queda da Selic a partir de janeiro, não há garantia de que esse movimento será contínuo”, explica. 

Nessas operações, as condições variam de acordo com a instituição, o que pode elevar muito o custo final. “O quadro fiscal delicado do país pode provocar novos repiques de juros, especialmente a partir de 2027, elevando novamente os custos financeiros. O produtor precisa entender que o crédito de juros livres não é uma solução redentora”, reforça.

2. Entenda as regras da MP

A analista Ana Paula Kowalski, analista da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), explica que as restrições limitaram o acesso à renegociação. “No Paraná, só 50 dos 399 municípios foram contemplados, porque é preciso ter dois decretos de emergência entre 2020 e 2024 e perdas de produtividade de pelo menos 20% em duas culturas principais”, afirma.

Ela recomenda que o produtor confirme se o município está habilitado antes de procurar o banco. “Muitos vão até a agência acreditando que se enquadram, mas descobrem que não atendem às exigências”. O Ministério da Agricultura publicou uma lista com os municípios atendidos pela MP. 

Confira aqui os critérios nacionais e as regras especiais aplicadas ao Rio Grande do Sul.

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3. Evite comprometer bens essenciais

O advogado João Victor Teixeira Barbosa, da Nicoli Sociedade de Advogados, alerta que os contratos de renegociação exigem atenção redobrada. “O crédito com recursos livres pode ajudar, mas também comprometer o patrimônio. Sem taxa controlada, o banco define juros e garantias. Se o produtor não analisar bem, pode perder bens essenciais”, afirma.

Ele aconselha a leitura detalhada das cláusulas de inadimplência e a busca de orientação técnica antes da assinatura. “A pressa em fechar o contrato pode transformar um alívio temporário em um problema maior.”

A orientação é optar por garantias ligadas à produção, não ao patrimônio familiar. Além disso, verificar se há cláusulas que autorizem cobrança antecipada de parcelas.

4. Escolha bem a fonte do crédito

Em muitos casos, operações de dois ou três anos, previstas no Manual de Crédito Rural, podem se mostrar mais vantajosas. Linhas com recursos públicos, como o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) e o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), costumam ter juros menores e prazos mais previsíveis.

Embora soe “clichê”, cada caso é um caso. O que pode funcionar para uns, pode não ser bom para outros. O ideal é comparar taxas entre bancos e cooperativas. Em tempos de Selic alta, pequenas diferenças nos juros fazem grande impacto no custo final, recomendam os especialistas.

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5. Atenção ao planejamento e prazos

O endividamento rural é reflexo de uma soma de fatores — clima, mercado e juros. Mas especialistas lembram que a prevenção começa na gestão. Para o economista Antônio da Luz, o crédito rural deve ser parte do planejamento, não uma reação a crises. “Renegociar é necessário em momentos de dificuldade, mas o ideal é usar o crédito para aumentar produtividade e reduzir custos. Assim o endividamento se torna sustentável”, afirma.

Para o especialista, cada produtor precisa conhecer seus números e tomar decisões com base neles. “A solução não está apenas no crédito, mas no controle das finanças e na prudência”, resume.

Em relação aos prazos, quanto mais curtos, melhores. “Para aqueles que optarem por prazos mais longos, recomendo que, havendo boa colheita nos próximos anos, tenham como prioridade número um nos seus negócios a quitação dessa dívida — a redução, o pagamento antecipado dela — de modo a não deixar o montante da dívida crescer de forma exponencial”, conclui Antônio da Luz.

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