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Agropolítica

Alckmin projeta vigência do acordo Mercosul–UE no segundo semestre de 2026

Tratado será assinado no sábado e governo brasileiro espera aprovação do Congresso Nacional ainda no primeiro semestre deste ano

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Redação Agro Estadão

15/01/2026 - 10:59

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O governo brasileiro espera que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entre em vigor no segundo semestre deste ano, após passar por análise do Congresso brasileiro no primeiro semestre. A avaliação é do ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que participou nesta quinta-feira, 15, do programa Bom Dia, Ministro.

O ministro ressaltou que a União Europeia é hoje o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, tornando o acordo estratégico tanto para o campo quanto para o setor industrial. Com o tratado, o País passará a ter acesso ampliado a um mercado de 27 países, considerados entre os mais ricos do mundo. “No agro, nós vamos poder exportar praticamente quase tudo. A resistência que havia em países como a França era exatamente o receio da competitividade da agropecuária brasileira”, afirmou.

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Cronograma de aprovação e assinatura

O acordo foi aprovado na última semana por 21 dos 27 países do bloco europeu. Houve uma abstenção, da Bélgica, e cinco votos contrários. O ministro lembrou que a assinatura formal deve ocorrer neste sábado, 17, no Paraguai, que atualmente exerce a presidência rotativa do Mercosul. Na sexta-feira, 16, antes de embarcar ao Paraguai, o presidente Lula deve receber no Rio de Janeiro, a presidente da Comissão Europeia e o presidente do Conselho Europeu para tratar do assunto.

Alckmin atribuiu o avanço das negociações à atuação do presidente Lula, ressaltando que o tratado vinha sendo discutido há cerca de 25 anos. Após a assinatura, o texto ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e, no Brasil, pelo Congresso Nacional, por meio da chamada internalização do acordo. A expectativa do governo é que esse processo seja concluído ainda no primeiro semestre, permitindo que o tratado entre em vigor no segundo semestre.

Durante a entrevista, o ministro também destacou a importância do comércio exterior para o país. “O Brasil tem cerca de 2% do PIB mundial. Isso significa que 98% do comércio está fora do Brasil. Exportar e importar é fundamental”, afirmou. Ele lembrou ainda que, após anos de poucos avanços, o Mercosul voltou a firmar acordos comerciais, citando tratados recentes com Singapura, EFTA e negociações em andamento com Emirados Árabes Unidos, Canadá, Índia e México.

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Relações comerciais com EUA e tarifas

Ao comentar as relações comerciais com os Estados Unidos, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, o ministro disse que o nosso País foi “surpreendido” no último ano pela imposição de sobretaxas a alguns produtos brasileiros. 

O ministro afirmou que as tarifas impostas pelo governo norte-americano — que chegaram a atingir 37% dos produtos brasileiros — vêm sendo gradualmente reduzidas por meio de negociação. “Hoje, 19% dos produtos ainda estão com a tarifa de 10% mais 40%, mas já conseguimos retirar itens como café, carne, frutas, suco de laranja, aviões e alguns produtos de madeira”, disse.

Segundo ele, a orientação do governo brasileiro é manter o diálogo e buscar um “ganha-ganha” na relação comercial com os EUA. O ministro também afirmou que o acordo com a União Europeia não interfere nas negociações com os norte-americanos, por se tratarem de agendas distintas.

Sobre o Irã, o maior importador de milho brasileiro, o vice-presidente minimizou impactos na relação com os Estados Unidos e disse que o comércio brasileiro com a nação do Oriente Médio é pequeno, apesar do superávit brasileiro. “Não vejo relação direta. A supertarifação seria difícil de aplicar, porque teria que atingir mais de 70 países, inclusive europeus”, salientou.

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