Agricultura
Silagem de sorgo: quando colher para garantir a qualidade?
Fases de crescimento ajudam agricultor a equilibrar produção e qualidade
Redação Agro Estadão*
15/03/2026 - 08:00

O sorgo é uma planta forrageira que vem ganhando espaço nas propriedades rurais brasileiras como alternativa ao milho para produção de silagem. Esta cultura se destaca por resistir melhor à seca e produzir alimento de qualidade para o gado.
Entender quando e como colher o sorgo faz toda a diferença no resultado final da silagem, influenciando tanto a quantidade produzida quanto o valor nutricional do alimento conservado.
Por que o sorgo é importante para a produção de silagem
O sorgo oferece vantagens práticas que chamam a atenção dos produtores rurais. Segundo a Embrapa, a silagem de sorgo pode chegar a 95% do valor nutricional da silagem de milho, fornecendo energia e proteína adequadas para o gado.
A principal vantagem desta planta está na resistência à falta de água. Enquanto o milho sofre com períodos secos, o sorgo continua produzindo mesmo em condições difíceis.
A planta também cresce bem em solos menos férteis e apresenta capacidade de rebrota, ou seja, depois do primeiro corte, pode produzir novamente na mesma safra.
Para o produtor, isso significa menor risco de perda da lavoura durante estiagens e possibilidade de duas colheitas no mesmo ano. O sorgo também tem menos problemas com pragas e doenças comparado ao milho, reduzindo os custos de produção.
Estágios de crescimento do sorgo e o impacto no manejo

O sorgo passa por diferentes fases de crescimento que alteram sua composição e qualidade. A Embrapa divide esse desenvolvimento em três fases principais: EC1, EC2 e EC3. Conhecer essas fases ajuda o produtor a decidir o melhor momento para colher e obter silagem de qualidade.
Cada fase representa mudanças na planta que afetam o teor de matéria seca (quantidade de água na planta), a proporção de folhas, caule e grãos, além do valor nutritivo final da silagem.
Fase vegetativa do sorgo
Na fase vegetativa (EC1), que vai da germinação até o início da formação das panículas (estruturas onde ficam os grãos), a planta concentra energia no crescimento das folhas e raízes. Neste período, a planta cresce devagar e toda energia vai para formar sua estrutura.
Cortar a planta muito cedo prejudica a qualidade da silagem porque há muita água e poucos componentes nutritivos. A planta ainda não desenvolveu grãos suficientes para dar valor nutricional adequado ao material ensilado.
Fase reprodutiva do sorgo
A fase reprodutiva marca mudanças importantes na planta. Durante o emborrachamento até o florescimento (EC2), define-se quantos grãos cada panícula vai ter. Esta é uma fase delicada, se faltar água neste momento, a produção pode cair muito.
Na última fase (EC3), que vai do fim da floração até os grãos ficarem maduros, todos os nutrientes da planta vão para as panículas.
O aumento dos grãos e da matéria seca torna esta fase decisiva para escolher quando colher, buscando o equilíbrio entre quantidade e qualidade.
Quando colher o sorgo para produzir uma boa silagem
O momento certo de colher equilibra máxima produção com qualidade nutricional. A colheita deve acontecer quando a planta tem entre 28% e 35% de matéria seca, o que geralmente ocorre quando os grãos estão no estágio pastoso a farináceo.
Grão pastoso é quando o grão ainda está mole mas não sai mais leite quando apertado. Grão farináceo é quando já está mais duro, parecendo farinha quando esmagado.
Colher antes da hora resulta em silagem muito úmida, que fermenta mal e perde nutrientes. Colher tarde demais prejudica a digestibilidade porque aumenta a fibra e diminui a energia.
Equilíbrio entre produção e qualidade
O melhor momento de corte não deve considerar apenas quantos quilos de massa verde por hectare a lavoura vai produzir. O objetivo é produzir material que fermente bem e alimente adequadamente os animais.
Quando os grãos estão no ponto pastoso a farináceo, a planta tem composição ideal para fermentação. Neste momento, há açúcares e amido suficientes para as bactérias boas se desenvolverem, enquanto a matéria seca permite boa compactação no silo e reduz perdas.
A qualidade final da silagem depende das características da planta na colheita e de como o material é conservado. O sorgo tem composição nutritiva compatível com as necessidades do gado, podendo até superar o milho em proteína, dependendo da variedade e manejo.
Aspectos fermentativos da silagem de sorgo
A fermentação é o processo que conserva o alimento no silo. O teor de matéria seca e a composição da planta na colheita influenciam diretamente se a fermentação vai dar certo. Silagens bem feitas têm pH (medida de acidez) entre 3,8 e 4,2, mostrando que a fermentação foi boa.
Compactar bem e vedar o silo corretamente garante ambiente sem ar, necessário para as bactérias benéficas se desenvolverem. Se a temperatura interna passar de 35°C, indica problemas na fermentação e perda de nutrientes.
Aspectos nutricionais da silagem de sorgo

A qualidade nutricional da silagem está diretamente ligada à composição da planta no momento da colheita. Conforme a planta amadurece, aumenta a quantidade de amido (muito digestível), compensando a redução na digestibilidade das fibras.
Variedades forrageiras de sorgo podem produzir entre 45.000 e 50.000 kg de massa verde por hectare, com proteína bruta entre 6% e 8%, dependendo de quando foi colhido. A digestibilidade pode passar de 65% em silagens bem feitas.
Fatores que influenciam a produção de sorgo para silagem
A qualidade da silagem começa no campo com o manejo correto da cultura. O desenvolvimento adequado da planta depende de escolher a variedade certa, plantar na época adequada e fazer adubação equilibrada.
A adubação com nitrogênio influencia diretamente o teor de proteína do sorgo. Pesquisas mostram que até 200 kg por hectare de nitrogênio aumentam a proteína da planta. Porém, excesso pode causar tombamento e prejudicar o desenvolvimento.
Controlar plantas daninhas durante as primeiras fases é fundamental, porque o sorgo não cobre totalmente o solo no início. A competição por nutrientes e água pode reduzir muito a produtividade e qualidade da forragem.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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