Agricultura
Sarna da macieira: aprenda a identificar e controlar essa praga
A sarna da macieira atinge folhas, frutos e ramos, comprometendo qualidade e podendo causar perdas severas
Redação Agro Estadão*
16/10/2025 - 05:00

A sarna da macieira é uma doença causada pelo fungo Venturia inaequalis, e pode comprometer seriamente a produtividade e a qualidade das maçãs, afetando diretamente a rentabilidade do pomar.
É preciso identificar, prevenir e controlar eficazmente essa praga, garantindo a saúde do seu pomar e a qualidade dos seus frutos.
O que é a sarna da macieira?
A sarna da macieira, cientificamente conhecida como Venturia inaequalis, é uma das doenças mais prevalentes e prejudiciais na cultura da maçã. Esta doença fúngica afeta diversas partes da planta, incluindo folhas, frutos e, em casos mais severos, até mesmo os ramos.
Os prejuízos econômicos causados pela sarna podem ser substanciais, pois os frutos infectados frequentemente se tornam impróprios para comercialização in natura, reduzindo significativamente o valor da produção.
Além disso, o combate à sarna muitas vezes resulta em um aumento considerável nos custos de produção, devido à necessidade de aplicação de defensivos.
Em casos extremos, quando não controlada adequadamente, a doença pode levar a perdas de até 100% da safra, evidenciando a importância de um manejo eficiente para a sustentabilidade econômica do pomar.
Como identificar a sarna da macieira?

A identificação precoce da sarna da macieira é fundamental para o controle efetivo da doença. Os sintomas podem variar dependendo da parte da planta afetada e do estágio de desenvolvimento da infecção.
Nas folhas, os primeiros sinais são pequenas manchas circulares de coloração verde-oliva, com aspecto aveludado. Com o progresso da doença, essas lesões evoluem para manchas necróticas de cor marrom ou preta, podendo causar a queda prematura das folhas.
Os frutos, por sua vez, são os mais afetados comercialmente. Inicialmente, aparecem pequenas manchas escuras na superfície, que se desenvolvem formando lesões circulares de cor marrom ou preta.
Em estágios avançados, essas lesões podem se fundir, criando grandes áreas afetadas. A pele do fruto pode rachar, expondo a polpa e tornando-o suscetível a infecções secundárias. Frutos severamente afetados podem ficar deformados e cair prematuramente.
Nos ramos, embora menos comum, a sarna pode causar pequenas lesões e rachaduras na casca. Estas lesões, apesar de menos visíveis, podem servir como fonte de inóculo para futuras infecções.
O monitoramento constante do pomar é essencial para detectar os primeiros sinais da doença. Inspecione regularmente folhas, frutos e ramos, especialmente durante períodos de maior umidade e temperaturas amenas, condições favoráveis ao desenvolvimento do fungo.
O ciclo da sarna da macieira
Compreender o ciclo de vida do fungo Venturia inaequalis é fundamental para implementar estratégias de controle eficazes.
O patógeno sobrevive ao inverno principalmente em folhas caídas no solo do pomar, onde desenvolve sua forma sexuada, produzindo estruturas chamadas pseudotécios.
Na primavera, com o aumento da temperatura e umidade, os pseudotécios liberam ascósporos, que são dispersos pelo vento e chuva. Estes esporos são responsáveis pela infecção primária, atingindo as novas brotações e folhas jovens da macieira.
Uma vez estabelecida a infecção primária, o fungo produz conídios, esporos assexuados responsáveis pelas infecções secundárias.
Estes se espalham rapidamente pelo pomar, principalmente através de respingos de chuva e vento, multiplicando a doença durante toda a estação de crescimento.
Fatores climáticos desempenham um papel fundamental neste processo. A germinação dos esporos e a infecção ocorrem principalmente em condições de alta umidade (acima de 90%) e temperaturas entre 16°C e 24°C. Períodos prolongados de folha molhada favorecem o estabelecimento da doença.
Prevenção da sarna da macieira
A prevenção é a chave para o manejo eficiente da sarna da macieira. Adotar medidas preventivas pode reduzir significativamente a incidência da doença e minimizar a necessidade de intervenções mais drásticas posteriormente.
Uma das primeiras linhas de defesa é a escolha de variedades de macieira resistentes ou tolerantes à sarna. A Embrapa e outras instituições de pesquisa têm desenvolvido cultivares com maior resistência à doença, que podem ser uma opção valiosa para os produtores.
Práticas culturais também desempenham um importante papel na prevenção:
- Sanitização do pomar: remova e destrua folhas e frutos infectados caídos no outono e inverno. Esta prática reduz significativamente o inóculo primário disponível na primavera;
- Poda adequada: realize podas que promovam uma boa aeração da copa das árvores. Isso reduz a umidade e cria um ambiente menos favorável ao desenvolvimento do fungo;
- Espaçamento correto: plante as macieiras com espaçamento adequado para permitir boa circulação de ar e penetração de luz solar, reduzindo a umidade na copa.
Adicionalmente, o manejo adequado da irrigação, evitando o excesso de água nas folhas, pode ajudar a reduzir as condições favoráveis ao desenvolvimento da doença.
Estratégias de controle eficazes contra a sarna da macieira

O Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIP) é a abordagem mais eficiente e sustentável para controlar a sarna da macieira. Esta estratégia combina diferentes métodos de controle, visando não apenas combater a doença, como também reduzir o impacto ambiental e econômico das intervenções.
O controle químico, através do uso de fungicidas, é uma ferramenta importante no manejo da sarna. No entanto, deve ser utilizado de forma estratégica e responsável. Existem dois tipos principais de fungicidas utilizados:
- Fungicidas protetores: aplicados preventivamente, formam uma barreira na superfície da planta, impedindo a germinação dos esporos;
- Fungicidas sistêmicos: penetram nos tecidos da planta, combatendo infecções já estabelecidas e protegendo contra novas infecções.
A aplicação de fungicidas deve ser guiada por modelos de previsão climática, focando especialmente no período de infecção primária.
É fundamental seguir rigorosamente as recomendações dos fabricantes e a legislação vigente, respeitando dosagens, intervalos de aplicação e períodos de carência.
A rotação de princípios ativos é essencial para prevenir o desenvolvimento de resistência do fungo aos fungicidas. Além disso, a aplicação deve ser realizada por profissionais capacitados, utilizando equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados.
Embora o controle biológico da sarna da macieira ainda não seja uma prática amplamente difundida no Brasil, pesquisas nesta área estão em andamento.
Produtores interessados em opções de controle biológico devem buscar orientação junto a órgãos de pesquisa e extensão rural para conhecer as opções disponíveis e sua eficácia no contexto local.
O monitoramento constante do pomar e o acompanhamento das condições climáticas são fundamentais para o sucesso do manejo da sarna da macieira. Utilize ferramentas como estações meteorológicas e sistemas de alerta fitossanitário para orientar as decisões de manejo.
Por fim, lembre-se de que o controle da sarna da macieira é um processo contínuo que requer atenção e adaptação constantes. Mantenha-se atualizado sobre novas técnicas e recomendações, e não hesite em buscar orientação de profissionais especializados quando necessário.
Com um manejo adequado, é possível produzir maçãs de alta qualidade, garantindo a sustentabilidade e rentabilidade do seu pomar.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agricultura
1
Em recuperação extrajudicial, Belagrícola faz acordo para receber grãos de Coamo e Lar no PR
2
A fruta brasileira que vira tinta e alimento
3
Oeste da Bahia: o que torna a região um dos polos na produção de sementes de soja?
4
Nova uva verde sem sementes pode substituir a tradicional Itália
5
Ureia pode testar US$ 500 por tonelada com guerra entre EUA, Israel e Irã
6
Sementeira do Oeste da Bahia vê no sorgo potencial para crescer 70% na próxima temporada
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agricultura
Guerra encarece fertilizantes e custo do milho 26/27 pode subir quase 5%
Baixa contratação de insumos deixa produtores mais vulneráveis à alta dos fertilizantes que chega a 30% desde o início da guerra, aponta o Imea
Agricultura
SLC Agrícola tem prejuízo no 4º tri, apesar de receita maior
Resultado do quarto trimestre de 2025 foi afetado por gastos com Sierentz e irrigação; receita líquida cresce 15%
Agricultura
Duração da guerra no Oriente Médio será decisiva para preços do milho, aponta Scot
Bloqueio do Estreito de Ormuz pode alongar rotas marítimas em até três semanas e elevar custos logísticos para exportações brasileiras
Agricultura
Pesquisa nacional vai medir avanço de javalis no País
Produtores e manejadores autorizados têm até 31 de maio para participar do levantamento que embasará novas medidas de controle da espécie
Agricultura
Produção de cana no Centro-Sul deve avançar 4% na safra 2026/27
Mix mais voltado ao etanol, segundo a Datagro, tende a reduzir a oferta de açúcar e apertar estoques globais no segundo trimestre
Agricultura
Projeto Soli3 recebe licença e crédito para indústria de soja no RS
Iniciativa, fruto de parceria entre cooperativas, prevê planta para biodiesel e derivados de soja, com início das obras esperado para 2026
Agricultura
Estiagem corta em 7% a safra de verão no Rio Grande do Sul
Emater/RS-Ascar reduz projeção em 2,5 milhões de toneladas; soja teve queda de 11,3% na produção
Agricultura
USDA sobe projeção de milho do Brasil e corta safra Argentina
Produção brasileira de milho 2025/26 sobe para 132 milhões de toneladas; soja fica estável em 180 milhões de toneladas