Agricultura
Feijão-de-corda: conheça a origem desse clássico do nordeste
Resistente ao calor e a solos pobres, o feijão-de-corda une valor nutricional, tradição culinária e renda no campo
Redação Agro Estadão*
16/03/2026 - 05:00

O feijão-de-corda, também conhecido como feijão-caupi, é uma cultura importante para a alimentação brasileira.
Essa leguminosa está presente no dia a dia de milhões de pessoas, principalmente nas regiões Norte e Nordeste do país. Esse feijão se adapta bem a condições difíceis de cultivo e tem grande importância social.
O que é o feijão-de-corda
O feijão-de-corda é uma planta da família das leguminosas, cientificamente chamada de Vigna unguiculata (L.) Walp. Trata-se de um alimento básico na culinária brasileira, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, conforme dados da Embrapa.
A cultura se destaca porque consegue crescer em diferentes tipos de solo, incluindo terras com poucos nutrientes e em locais de clima quente.
Esta leguminosa fornece proteínas importantes e faz parte dos sistemas de produção de muitas famílias rurais. O feijão-de-corda pode ser usado de várias formas na cozinha e tem valor nutritivo alto, por isso está presente na mesa brasileira há muito tempo.
Origem e trajetória do feijão-de-corda no Brasil
O feijão-caupi nasceu na África e foi introduzido no Brasil no século XVI, pelo Estado da Bahia, por colonizadores portugueses, de onde se expandiu para todo o País, segundo a Embrapa.
A planta encontrou boas condições nos solos e no clima quente do Brasil, adaptando-se rapidamente.
Durante esse período, o feijão-de-corda se tornou parte importante das pequenas plantações familiares, sendo cultivado junto com milho e mandioca. Isso ajudou a garantir comida para as comunidades rurais.
A Embrapa Meio-Norte, que é uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, estuda a história e o melhoramento do feijão-caupi desde 1970.
Esse trabalho resultou no desenvolvimento de variedades adaptadas ao Brasil, como BRS Tumucumaque e BRS Itaim, fortalecendo a importância da cultura no país.
Como o feijão-de-corda se consolidou em regiões produtoras

O feijão-de-corda se estabeleceu em certas regiões brasileiras por motivos relacionados ao clima e à cultura local. A planta prefere lugares com temperaturas entre 25°C e 35°C e chuvas de 600 a 1.200 milímetros por ano.
Essas condições são comuns nos estados do Norte e Nordeste, como Amazonas, Pará, Maranhão, Piauí e Ceará.
A planta consegue crescer em solos ácidos e com poucos nutrientes, que são comuns nessas regiões. Além disso, o feijão-de-corda tem a capacidade de capturar nitrogênio do ar e transformá-lo em adubo natural para o solo.
Isso significa que o agricultor não precisa gastar tanto com fertilizantes, tornando o cultivo mais barato.
A cultura local também ajudou nessa consolidação. As pessoas da região criaram pratos tradicionais com o feijão-de-corda, gerando uma demanda constante pelo produto.
Assim, a cultura se tornou ao mesmo tempo uma opção de produção e parte da identidade dessas regiões.
Principais características do feijão-de-corda

O feijão-de-corda tem características que explicam por que produtores e consumidores valorizam essa planta. O ciclo de produção dura de 60 a 90 dias, permitindo até duas colheitas por ano quando as condições são boas.
A planta é resistente e consegue produzir em solos ruins, com produtividade entre 1.000 e 2.500 quilos por hectare em situações ideais.
A versatilidade na alimentação é outra característica importante. Os grãos podem ser consumidos verdes ou secos, as vagens novas servem como verdura e as folhas novas podem alimentar animais.
Em termos de nutrição, os grãos têm muito valor proteico, sendo uma fonte completa de alimento para as populações rurais.
A Embrapa desenvolveu várias variedades BRS com características específicas:
- BRS Pujante: tipo sempre verde com grãos e vagens compridas;
- BRS Caumé: conhecida como feijão-de-corda, resiste bem a pragas e doenças;
- BRS Guariba: resistente a doenças, tem ciclo curto e boa produção.
Feijão-de-corda e sua importância na alimentação e na produção
A importância do feijão-de-corda vai além do consumo em casa, abrangendo aspectos nutricionais, econômicos e de produção.
Como alimento, oferece proteínas vegetais de qualidade, carboidratos e fibras, que são componentes importantes para uma alimentação equilibrada.
Sua presença em pratos tradicionais, como baião de dois e feijão verde, mostra como a leguminosa faz parte da cultura.
Na produção, o feijão-de-corda é fonte de renda para agricultores familiares em todo o Norte e Nordeste brasileiro.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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