Agricultura
Afinal, como plantar amora?
Saiba como plantar amora no Brasil, com dicas de manejo, irrigação e pós-colheita para pequenos e médios produtores
Redação Agro Estadão*
11/11/2025 - 05:00

O cultivo de frutas pequenas, como a amora-preta, apresenta um elevado potencial econômico para pequenos e médios produtores. O valor nutricional da amora e seus benefícios à saúde impulsionam o consumo desta fruta rica em antioxidantes e vitaminas.
Além disso, a planta demonstra boa adaptabilidade a diferentes condições climáticas e tipos de solo em várias regiões brasileiras, tornando-se uma opção viável para pequenos e médios produtores rurais que buscam diversificação e rentabilidade.
A amora pertence ao gênero Rubus e possui variedades comerciais bem adaptadas ao clima brasileiro.
Segundo a Secretaria de Agricultura e do Abastecimento do Paraná, estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina respondem por mais de 97% da produção nacional.
O Paraná destaca-se com 117 hectares cultivados e 914 toneladas produzidas em 2024, evidenciando o crescimento expressivo desta cultura na última década.
Processo para cultivar amora

Escolha da área e preparo do solo para a amora
A seleção do local ideal para o pomar de amora exige atenção às condições climáticas. A amoreira prefere clima temperado e subtropical, com temperaturas entre 20°C e 24°C. Algumas variedades necessitam de horas de frio para adequada frutificação.
O ambiente deve receber luminosidade adequada, com pelo menos 6 horas diárias de sol, e regime de chuvas bem distribuído.
Quanto ao solo, a amora desenvolve-se melhor em terrenos profundos, com pH entre 5,5 e 6,5, boa fertilidade e, principalmente, excelente drenagem para evitar encharcamento. A análise prévia do solo torna-se fundamental para identificar necessidades de correção.
A calagem ajusta o pH quando necessário, enquanto a incorporação de matéria orgânica melhora a estrutura e fertilidade do substrato.
A preparação adequada do terreno inclui aração profunda, eliminação de plantas daninhas e incorporação de adubo orgânico bem curtido. O terreno deve apresentar declividade suave para facilitar o escoamento de água excessiva e evitar erosão.
Métodos de plantio e espaçamento da amora
O sistema em espaldeira representa o método mais utilizado para o cultivo comercial da amora, facilitando o manejo e a colheita. Este sistema permite melhor aeração da planta, reduzindo incidência de doenças e otimizando a produção.
Alternativamente, pode-se adotar o sistema em “V”, adequado para algumas variedades específicas.
O espaçamento recomendado varia entre 2 a 3 metros entre plantas e 3 a 4 metros entre fileiras, dependendo da variedade e vigor da planta.
Essa configuração permite manejo mecanizado e garante boa produtividade. Para pequenos produtores, espaçamentos menores podem ser adotados com manejo manual adequado.
As mudas devem ser preparadas cuidadosamente, sejam de raiz nua ou em torrão. O plantio envolve abertura de covas com dimensões de 40x40x40 centímetros, colocação da muda na profundidade adequada e irrigação imediata para estabelecimento das raízes.
Irrigação e nutrição da amora
A água desempenha papel fundamental no desenvolvimento e produtividade da amora, especialmente durante floração e frutificação. O sistema de irrigação por gotejamento apresenta-se como o mais eficiente, otimizando o uso da água e reduzindo a incidência de doenças foliares causadas por excesso de umidade.
O programa de adubação deve basear-se nos resultados da análise de solo e nas demandas nutricionais da planta em suas diferentes fases.
A adubação de base incorpora fósforo e potássio antes do plantio, enquanto a adubação de cobertura fornece nitrogênio fracionado durante o ciclo vegetativo.
A amora responde bem à adubação orgânica, sendo recomendado o uso de húmus de minhoca ou esterco bovino bem curtido.
A aplicação de fertilizantes deve ocorrer regularmente, especialmente em cultivos em vasos onde os nutrientes se esgotam mais rapidamente.
Poda e condução da amora
A poda da amora possui múltiplas finalidades: renovação dos ramos produtivos, aumento da produtividade, melhoria da aeração e penetração de luz no dossel, além do controle preventivo de doenças.
Diferentes tipos de poda são realizados conforme a necessidade da planta.
A poda de formação estabelece a estrutura básica da planta nos primeiros anos. A poda de produção remove ramos que já frutificaram, estimulando o crescimento de novos brotos produtivos. Por fim, a poda de limpeza elimina ramos doentes, secos ou danificados.
O sistema de condução em espaldeira requer amarração adequada dos ramos, utilizando arames galvanizados fixados em mourões. Esta técnica otimiza a distribuição dos ramos, facilita a colheita e melhora a qualidade dos frutos através de maior exposição solar.
Controle de pragas e doenças na cultura da amora

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) representa a estratégia mais sustentável para controle fitossanitário da amora.
As principais pragas incluem mosca-das-frutas, ácaros e cochonilhas, enquanto doenças como ferrugem, antracnose e podridão-cinzenta podem causar perdas significativas.
Métodos culturais como rotação de culturas, eliminação de restos vegetais e manejo adequado da irrigação previnem diversos problemas. O controle biológico utiliza inimigos naturais das pragas, como o fungo Beauveria bassiana, que tem ganhado destaque no manejo sustentável.
- O monitoramento constante permite identificação precoce de problemas;
- Aplicações de defensivos devem seguir critérios técnicos e período de carência;
- Práticas preventivas reduzem significativamente a necessidade de intervenções químicas.
Colheita e pós-colheita da amora
O ponto ideal de maturação da amora identifica-se pela coloração preta brilhante e sabor doce característico.
Para mercado fresco, os frutos devem estar completamente maduros, enquanto para processamento industrial podem ser colhidos ligeiramente antes do ponto máximo de maturação.
A colheita deve ser realizada manualmente, pela manhã, quando as temperaturas estão mais amenas, com cuidado para não danificar os frutos delicados. A frequência de colheita é escalonada, geralmente a cada dois ou três dias durante o período produtivo.
As etapas pós-colheita iniciam com pré-resfriamento imediato dos frutos para prolongar a vida útil. A seleção e classificação separam frutos por tamanho e qualidade, seguida do acondicionamento em embalagens adequadas.
O armazenamento deve ocorrer em temperatura controlada entre 0°C e 2°C, com umidade relativa de 90-95%, minimizando perdas e mantendo qualidade até o destino final.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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