Agricultura
Os sugadores da lavoura e o desafio do controle sustentável
Sugadores da lavoura, como percevejos e mosca-branca, são ameaças silenciosas que drenam a seiva e reduzem drasticamente a produtividade
Redação Agro Estadão*
08/11/2025 - 05:00

Os sugadores da lavoura representam uma das principais ameaças para a agricultura brasileira contemporânea.
Diferentemente das pragas mastigadoras, que causam danos visíveis imediatos, estes insetos atuam de forma silenciosa, extraindo gradualmente a seiva das plantas e comprometendo sua vitalidade.
A analogia com sugadores reflete perfeitamente seu comportamento parasitário, que drena literalmente a energia das culturas.
Conheça os principais sugadores de seiva
Os sugadores da lavoura constituem um grupo diversificado de insetos que compartilham um aparelho bucal especializado na perfuração e sucção de seiva.
Entre os principais grupos destacam-se os percevejos (marrom e barriga-verde), mosca-branca, pulgões e trips, cada um com características específicas.
O percevejo-marrom representa atualmente a espécie mais problemática para a soja brasileira. Este inseto possui alta capacidade reprodutiva e desenvolve rapidamente resistência aos inseticidas convencionais.
Por sua vez, a mosca-branca ataca múltiplas culturas simultaneamente, transmitindo mais de 100 tipos de vírus vegetais diferentes.
Os pulgões formam colônias numerosas nas partes mais tenras das plantas, enquanto os trips preferem atacar folhas novas e flores.
Todos estes organismos são polífagos, ou seja, atacam diversas culturas, tornando-se uma ameaça generalizada para diferentes sistemas produtivos.
Os danos causados pelos sugadores da lavoura

A sucção contínua de seiva pelos sugadores causa múltiplos tipos de danos diretos e indiretos. O dano direto resulta da extração de nutrientes essenciais, provocando amarelamento, murcha, deformações foliares e, em casos severos, morte das plantas jovens.
Pesquisas da Embrapa demonstram que apenas um percevejo por metro linear pode reduzir a produtividade em até 75 kg de soja por hectare.
O dano indireto, frequentemente mais devastador, ocorre através da transmissão de patógenos.
A mosca-branca, por exemplo, transmite o vírus da necrose-da-haste em soja, enquanto pulgões disseminam diversos tipos de viroses que comprometem o desenvolvimento normal das culturas.
Adicionalmente, alguns sugadores produzem toxinas durante a alimentação, causando distúrbios fisiológicos que persistem mesmo após o controle da praga.
Este conjunto de fatores pode resultar em perdas econômicas substanciais, especialmente quando as infestações ocorrem durante períodos reprodutivos das culturas.
Condições para a proliferação dos sugadores da lavoura
Temperaturas entre 20°C e 30°C, combinadas com umidade relativa média a alta, criam condições ideais para a reprodução acelerada dos sugadores.
Durante o período de outubro a dezembro, essas condições ambientais se intensificam em diversas regiões produtoras, coincidindo com as fases iniciais de desenvolvimento das culturas de verão.
Períodos de seca seguidos por chuvas irregulares favorecem particularmente o percevejo-marrom, que aproveita a concentração de plantas hospedeiras para estabelecer populações numerosas.
Simultaneamente, temperaturas elevadas aceleram o ciclo biológico destes insetos, reduzindo o tempo necessário para completar uma geração e aumentando exponencialmente suas populações.
O conhecimento dessas condições permite aos produtores antecipar períodos de risco e intensificar o monitoramento durante janelas climáticas críticas. A instabilidade climática atual, caracterizada por eventos extremos, tem ampliado os períodos favoráveis à proliferação destes organismos.
O que fazer contra os sugadores da lavoura

O monitoramento sistemático constitui a base fundamental para o controle eficiente dos sugadores. A inspeção visual regular deve focar nas partes mais atacadas das plantas: face inferior das folhas, brotos terminais e estruturas reprodutivas.
Armadilhas adesivas amarelas auxiliam na detecção precoce de adultos voadores, enquanto o pano de batida permite quantificar percevejos presentes na cultura.
O Manejo Integrado de Pragas (MIP) representa a estratégia mais sustentável e eficiente para controlar sugadores. Esta abordagem combina métodos preventivos, biológicos e químicos de forma coordenada.
O controle biológico utiliza predadores naturais como crisopídeos, coccinelídeos e parasitoides, que mantêm as populações de sugadores em equilíbrio natural.
Quando necessário, o controle químico deve priorizar produtos seletivos que preservem os inimigos naturais. A rotação de princípios ativos previne o desenvolvimento de resistência, enquanto a aplicação direcionada reduz impactos ambientais e custos operacionais.
Prevenção e boas práticas agrícolas
Sementes tratadas com inseticidas sistêmicos proporcionam proteção inicial contra sugadores durante as fases mais vulneráveis das culturas. Este tratamento cria uma janela de proteção que permite o estabelecimento adequado da cultura antes da chegada das pragas.
A nutrição equilibrada fortalece as plantas e aumenta sua resistência natural aos ataques. Plantas bem nutridas desenvolvem tecidos mais resistentes e recuperam-se mais rapidamente dos danos causados pela sucção de seiva.
A adubação adequada com fósforo e potássio fortalece especialmente a resistência das plantas.
A eliminação de plantas tigueras e restos culturais remove hospedeiros alternativos que permitem a sobrevivência dos sugadores entre safras.
Esta prática simples reduz significativamente as populações iniciais de pragas na safra seguinte, diminuindo a pressão sobre as culturas comerciais.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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