Sustentabilidade
RS: Projeto vai investir no cultivo de erva-mate para gerar créditos de carbono
Iniciativa abrange 10 mil hectares em 3 polos ervateiros, com foco na restauração da Mata Atlântica e apoio a agricultores gaúchos
Paloma Custódio
18/01/2025 - 08:00

Um projeto da Livelihoods Funds, Fundação Solidariedad e Emater pretende investir em novas áreas de cultivo de erva-mate no Rio Grande do Sul para expandir a geração de créditos de carbono. A iniciativa deve abranger 10.000 hectares distribuídos em três dos cinco polos ervateiros do estado: Missões/Celeiro, Alto Uruguai e Nordeste Gaúcho.
Segundo o gerente de Programas de Café e Erva-Mate da Fundação Solidaridad, Gabriel Dedini, a ideia é propor uma parceria na qual “o agricultor cede ao agente financiador os créditos de carbono gerados na propriedade como contrapartida ao apoio recebido nos investimentos em mudas, insumos, materiais, serviços e assistência técnica na sua propriedade, promovendo seu desenvolvimento socioeconômico por meio do cultivo de erva-mate”, explicou ao Agro Estadão.
Os recursos do projeto virão do Livelihoods Funds, uma iniciativa de grandes empresas, sediada na França, com o objetivo de promover a agricultura de baixo carbono. “Nesse arranjo, todo o risco associado ao projeto recai sobre o investidor caso as áreas não alcancem o potencial estimado para o sequestro”, destaca Gabriel Dedini.
Próximos passos
A proposta foi apresentada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) à Câmara Setorial da Erva-mate, da qual fazem parte diversas associações de produtores do Rio Grande do Sul. O próximo passo é realizar um primeiro diagnóstico dos três polos ervateiros alvos do projeto para avaliar a capacidade de expansão do território e o nível de engajamento dos agricultores e de organizações vinculadas ao setor.
“Este diagnóstico visa atrair, até 2026, um investimento financeiro de uma organização francesa que tem por intuito subsidiar uma proposta de restauração da paisagem, considerando a erva-mate uma espécie nativa da Mata Atlântica no Sul do Brasil. A ideia é que o potencial de sequestro de carbono das áreas contempladas pelo projeto seja convertido em linhas de custeio para a implantação de sistemas agroflorestais e para o fornecimento de assistência técnica focada nas melhores práticas e no monitoramento de indicadores socioambientais ao longo de 20 anos”, afirma Gabriel Dedini.
Segundo o gerente da Fundação Solidariedad, o projeto ainda se encontra na organização da fase de “diagnóstico e descobertas”, e não há um valor estimado do investimento financeiro inicial.
Critérios e participação
Após a fase de diagnóstico, se confirmado o projeto, serão firmados contratos individuais com os agricultores selecionados, com cláusulas contratuais específicas. “Mas o primordial em relação às análises de elegibilidade já vem sendo trabalhado pela nossa equipe técnica e de GIS (Sistema de Informações Geográficas), cruzando dados geoespaciais por meio de bases como PRODES e Mapbiomas”, destaca Dedini.
Entre os principais critérios para se tornar elegível ao projeto estão:
- ausência de desmatamento na propriedade, pelo menos nos últimos dez anos;
- a forma como o produtor está integrado à cadeia de suprimento;
- aspectos de sucessão familiar vinculados à atividade (os contratos serão de 20 anos);
- apresentar interesse na adequação ambiental em relação ao Cadastro Ambiental Rural, trabalhando na recomposição das áreas de preservação ambiental da propriedade.
Segundo Gabriel Dedini, a equipe de GIS da Fundação Solidariedad já está identificando as áreas elegíveis para o projeto. Até o momento, mais de 160 mil hectares foram mapeados, com o envolvimento de órgãos locais, regionais e estaduais. Após o levantamento, os agricultores serão convidados para participar do programa.
“É imprescindível caminharmos em conjunto com governo, secretarias, extensão e órgãos de classe para que possamos ter sucesso no desenho do projeto. Ao se mostrar viável, ele abre oportunidades para novas fases e rodadas de investimentos, buscando trazer novas origens produtoras de erva-mate do Rio Grande do Sul e do país”, ressalta.
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