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Sustentabilidade

Esta árvore é uma ameaça à biodiversidade brasileira

Espécie invasora vinda da Ásia, o nim indiano causa esterilidade em abelhas e intoxica aves, ameaçando o equilíbrio de biomas como o Cerrado

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Redação Agro Estadão*

22/01/2026 - 05:00

Foto: Adobe Stock
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Por muitos anos, o nim indiano foi visto como a solução perfeita para quem precisava de sombra rápida e controle natural de pragas. A árvore crescia em poucos meses e ainda espantava insetos.

Essa visão mudou quando pesquisadores descobriram que a planta, também conhecida como Neem da Índia, causa problemas graves ao meio ambiente brasileiro.

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Prefeituras e estados começaram a combater essa invasão silenciosa que ameaça biomas como o Cerrado e a Caatinga. A Prefeitura de Gurupi (TO), por exemplo, orienta a população para trocar o nim indiano por árvores nativas. 

O crescimento rápido do nim, que antes parecia vantagem, esconde um problema sério: a árvore compete de forma desleal com plantas brasileiras e prejudica nossa fauna e flora. 

O que é o nim indiano e como ele chegou ao Brasil?

O nim indiano veio da Ásia e se adaptou muito bem ao clima seco do Brasil. A árvore tem folhas compostas (várias folhinhas juntas), flores pequenas e brancas, além de frutos amarelos.

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A planta fez sucesso no país porque cresce rapidamente e funciona como inseticida natural. Segundo a Fundação Joaquim Nabuco, as sementes do nim combatem mais de 200 tipos de insetos, incluindo pragas que atacam plantações, baratas, traças e pulgões. 

O nim chegou ao Brasil nos anos 1980 e se espalhou rapidamente nas décadas seguintes. O problema é que aqui não existem animais ou doenças que controlem naturalmente seu crescimento, como acontece na Ásia.

Por isso, a planta se multiplicou sem controle, principalmente no Norte e Nordeste do país. A capacidade de crescer em terras pobres e clima seco fez com que ela dominasse grandes áreas.

Os perigos do nim indiano para animais e plantas locais

nim indiano
Foto: Adobe Stock

O nim indiano produz uma substância chamada azadiractina, presente em todas as partes da planta, especialmente nas sementes e folhas. Esse composto químico é responsável pelos efeitos nocivos da árvore no meio ambiente brasileiro.

A azadiractina prejudica diretamente a polinização, pois o consumo do pólen ou néctar do nim pode matar abelhas ou causar esterilidade nelas. Isso compromete a reprodução de plantas nativas que dependem desses insetos.

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Os pássaros também sofrem com o nim. Aves que comem os frutos da árvore apresentam sinais de intoxicação e dificuldades para se reproduzir. O consumo regular desses frutos causa alterações no comportamento e nos hormônios de várias espécies de pássaros brasileiros.

Como o nim impede outras plantas de crescer

O nim indiano usa uma estratégia química chamada alelopatia para eliminar a concorrência. Alelopatia é quando uma planta libera substâncias tóxicas que impedem outras plantas de crescer ao seu redor. O nim faz isso através das raízes e das folhas secas que caem no chão.

Essas substâncias venenosas impedem que sementes de árvores nativas germinem (brotem), criando áreas onde só existe nim. Os pesquisadores observam que onde a árvore se estabelece, a variedade de plantas diminui drasticamente. 

Isso é particularmente grave no Cerrado, que possui uma das maiores diversidades de plantas do mundo.

O processo funciona assim: o nim cresce rapidamente e sua copa densa reduz a luz solar para outras plantas. Ao mesmo tempo, os compostos químicos no solo impedem que novas plantas nasçam. 

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Com isso, a paisagem se transforma em uma plantação de nim indiano, eliminando espécies nativas que levaram milhares de anos para se estabelecer.

As leis que proíbem o nim indiano

nim indiano
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Reconhecendo os riscos ambientais, vários estados brasileiros criaram leis que proíbem o nim indiano. Existe um projeto de lei em Fortaleza (CE) que proíbe plantar, vender e distribuir a espécie.

O Tocantins promulgou uma lei em 2024 que proíbe o plantio de espécies invasoras, incluindo o nim indiano. A legislação se baseia em orientações do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama, que classificaram a espécie como invasora após estudos provarem seus impactos negativos.

Outros municípios e estados estão criando leis parecidas. As regras geralmente preveem multas para quem plantar irregularmente e obrigam a remoção das árvores existentes, sempre com replantio de espécies nativas.

Como trocar o nim indiano de forma segura

A remoção do nim exige planejamento técnico para evitar danos adicionais ao meio ambiente. A recomendação é sempre procurar orientação na Secretaria de Meio Ambiente antes de cortar as árvores.

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Depois deve-se escolher espécies nativas adequadas para cada região. No Cerrado, recomendam-se ipês, oitizeiros e quaresmeiras. Na Caatinga, sabiá e catingueira são boas opções.

A remoção deve ser gradual para evitar erosão do solo. O corte do nim deve ser seguido imediatamente pelo plantio das árvores substitutas, preferencialmente na época de chuvas para garantir que as mudas se desenvolvam bem.

*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão

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