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Sustentabilidade

Café: protocolo ECO da Expocacer conquista chancela global

Certificado desenvolvido pela cooperativa dos cafeicultores do Cerrado simplifica auditorias e equivale a certificações internacionais, como Rainforest Alliance

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Sabrina Nascimento | São Paulo

18/12/2024 - 08:00

Foto: Expocacer/Divulgação
Foto: Expocacer/Divulgação

A Expocacer, cooperativa dos cafeicultores do Cerrado, conquistou recentemente o reconhecimento internacional do protocolo de certificação ECO. A chancela ocorreu durante assembleia geral da Plataforma Global do Café (GCP), realizada no início de dezembro. A validação da GCP coloca a cooperativa entre as poucas instituições do mundo a atingir essa validação. 

O protocolo de certificação ECO, desenvolvido pela Expocacer, surgiu da necessidade dos cooperados de simplificar e unificar processos de certificação. O projeto piloto começou em 2023, em 12 fazendas cooperadas. O processo envolveu auditorias internas realizadas pelo departamento de sustentabilidade da cooperativa, além de auditorias de segunda parte, cujos resultados foram divulgados publicamente em um relatório ESG

CONTEÚDO PATROCINADO

De acordo com Simão Pedro de Lima, diretor-presidente da Expocacer, na prática, o selo ECO atesta que o café produzido sob essas normas cumpre rigorosos critérios internacionais, equivalentes a certificações como Rainforest Alliance e 4C. “Se o produtor utiliza vários protocolos, ele vai ficar o ano todo recebendo auditorias de protocolos semelhantes. E o da Expocacer, como tem equivalência aos demais, permite que uma única auditoria seja feita e aceita por todos os outros protocolos”, explicou Lima ao Agro Estadão. 

Segundo ele, ao longo dos meses de implementação, o objetivo principal foi assegurar que todas as partes envolvidas estavam alinhadas aos princípios fundamentais de um setor cafeeiro economicamente rentável, socialmente consciente e ambientalmente sustentável. 

A fazenda Kaizen, localizada em Patos de Minas, no Cerrado, foi uma das selecionadas para participar do pontapé inicial do protocolo ECO. Atualmente, a propriedade tem 96 hectares, sendo 80 deles destinados ao cultivo de café. 

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Em conversa com o Agro Estadão, o cafeicultor Marcelo Limaverde, destacou a facilidade que é a otimização das auditorias das certificações de boas práticas de ESG em um único protocolo. “É uma maneira de organizar e centralizar todos os dados e todos os critérios em um só, respeitando as diferenças que cada uma dessas outras certificações pedem e que não são poucas”, afirmou Limaverde.

Outro benefício apontado é a inclusão proporcionada pelo protocolo. De acordo com o diretor-presidente da Expocaccer e confirmado pelo cafeicultor, não há custo ao produtor para obter o ECO. Essa facilidade possibilita a participação desde o pequeno até o grande cafeicultor. 

A expectativa da Expocaccer é que dentro de um ano, aproximadamente, 50% do quadro de cooperados (cerca de 200 produtores) tenham o protocolo. Isso corresponde a cerca de 20 mil hectares de produção no Cerrado.

Alinhamento com a EUDR 

O protocolo ECO, desenvolvido pela Expocacer, atende também a lei anti-desmatamento da União Europeia, conhecida como EUDR e que teve sua implementação adiada por um ano. 

Segundo Lima, qualquer produtor inserido no protocolo está automaticamente cumprindo este requisito, uma vez que um dos pilares do ECO é o desmatamento zero. “A cooperativa tem 100% dos seus produtores mapeados e indicando quem atende a EUDR. Utilizando as imagens de satélite, nós temos um controle em tempo real, que a qualquer momento nós temos a informação se o produtor desmatou ou não”, informou o diretor diretor-presidente da cooperativa. 

Para Marcelo, que é cooperado da Expocacer há mais de 10 anos e exporta cerca de 70% de sua produção, atender às exigências de sustentabilidade do mercado internacional é fundamental.  “Lá fora, os compradores valorizam muito saber de onde vem o café, como ele é produzido e se todos os critérios socioambientais estão sendo respeitados. O ECO, com certeza, vai permitir que mais produtores tenham acesso a esses mercados”, afirma o produtor.

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