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Sustentabilidade

Agricultura regenerativa impulsiona a produtividade

Com investimento em tecnologia e práticas sustentáveis, propriedades do Centro-Oeste aumentam a produtividade no campo e reduzem o uso de agroquímicos

Nome Colunistas

Letícia Luvison* | Rio Verde (GO) | leticia.flores@estadaocom

18/12/2024 - 08:30

Foto: Grupo Kompier/Divulgação
Foto: Grupo Kompier/Divulgação

Criado há 24 anos em Rio Verde (GO), o Grupo Associado de Pesquisas do Sudoeste Goiano (Gapes) caminha na vanguarda da aplicação de novas tecnologias e investimento em processos sustentáveis, que geram ótimos resultados no campo. Com 44 associados, o grupo cultiva soja, milho, algodão e feijão em cerca de 235 mil hectares, consolidando-se como o primeiro consórcio de agricultura regenerativa no Brasil.

O foco da produção está no plantio direto e na utilização de produtos biológicos desenvolvidos internamente. E os resultados são visíveis: mais de 40 mil hectares preservados e a liderança em produtividade no Estado e no País. Na safra 2023/24, o consórcio colheu 70,8 sacas de soja por hectare, superando a média estadual de 58 sacas e a média nacional de 56,2 sacas por hectare.

De acordo com a presidente do Gapes, Flávia Montans, os resultados positivos são fruto da redução no uso de agroquímicos. “Não se trata de produção orgânica, mas de uma redução gradual de agroquímicos, com foco em superar o medo do novo e acreditar nos resultados”, explica. Flávia compara o manejo ao uso de remédios na vida humana: “Eles são necessários para curar dores, mas em doses conscientes, para evitar dependência”.

O Gapes conta com uma força-tarefa composta por empresas do setor, professores e consultores locais, com o objetivo de gerar informações concretas e relevantes para aumentar a rentabilidade dos associados. O grupo reúne mais de 125 fazendas, envolvendo cerca de 35 famílias. Com recursos próprios, os investimentos são expressivos: aproximadamente R$ 1,4 bilhão já foi destinado à preservação de terras.

O investimento em tecnologia e pesquisa tem impulsionado a produtividade e estimulado o avanço da agricultura regenerativa. Com laboratórios próprios, as fazendas investem na multiplicação de isolados, bactérias e fungos para, com controle biológico, combater pragas e doenças. O próprio fungo da soja se transforma em imunidade. Resultado: redução de 40% do uso de químicos na soja, desde 2018.

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Gado leiteiro e bioinsumos

A Fazenda Brasilândia, localizada em Montividiu (GO) e integrante do Gapes, é um exemplo de sustentabilidade e eficiência. Lá, tudo é aproveitado: a cama das cerca de 700 vacas das raças holandês e girolando em confinamento é transformada em composto, enquanto a ureia gerada é aplicada na cultura do milho. Desde 2018 investindo em agricultura regenerativa, os resultados estão dando retorno. 

“Após seis anos, reduzimos em 30% o uso de químicos nos cerca de 2,2 mil hectares. A evolução dos acertos se transforma em resultados. Se o meu vizinho fez e deu certo, eu vou fazer também, e o mesmo vale pra ele”, afirma Marion Kompier, ao Agro Estadão. A fazenda da família tem o selo GAAS, de Agricultura Sustentável e Regenerativa.

Foto: Letícia Luvison/Agro Estadão

A Fazenda Brasilândia dedica 60 hectares à pecuária, com 1.100 animais confinados, dos quais 813 estão em lactação. A produção diária de leite é de 31.416 litros, com uma média de 38,6 litros por vaca, significativamente superior à média nacional de 4 litros.

Os números relacionados aos compostos também são expressivos. A fazenda produz 3.600 toneladas de cama bovina e 10.000 toneladas de composto orgânico, beneficiando 2.300 hectares. Para a silagem, são utilizados 200 hectares de milho e 80 hectares de sorgo.

Robôs e IA

Plantio direto, integração lavoura-pecuária, produção e utilização de composto orgânico que vira bioinsumo e… robôs. A conhecida fórmula de sucesso ganha força na Baumgart Fazendas Reunidas, em Rio Verde (GO), onde 20 robôs que operam por meio de inteligência artificial utilizam câmeras para pulverizar as folhas da soja, dizimando as ervas daninhas em até 20 hectares por dia. 

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A tecnologia trouxe ganhos significativos, como a redução de 92% no uso de herbicidas e o aumento de dez sacas por hectare nos 350 mil hectares plantados. Para manter a conexão à internet via satélite, foram investidos R$ 100 mil, incluindo a contratação de dois funcionários. O pulverizador é movido a energia solar, com autonomia de funcionamento de 24 horas.

Gado e CPR Verde

O entusiasmo do diretor executivo da Fazendas Reunidas não cabe em si. “Minha equipe é o meu xodó, são meus filhos, a gente trata o negócio como uma família”, deixa claro. Alexandre Baumgart também se anima ao falar sobre os investimentos em Cédula do Produtor Rural (CPR) Verde. Já são 3,7 mil toneladas de carbono estocado, o que torna o complexo de fazendas pioneiro em cédula verde emitida na região. O sequestro de carbono está na soja (2,1 t) e no milho (1,8 t).

Na pecuária de corte, os números não ficam para trás. São 10 mil cabeças estáticas de gado para cria, recria e engorda, com animal confinado e a fábrica própria de ração. A meta é chegar a 100 mil cabeças/ano, no sistema de 14 meses entre cria e abate – anteriormente o prazo era de 16 meses. 

*Jornalista viajou a convite da Fundação Dom Cabral

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