Pecuária
Conhece o leite em pó de búfala?
Com mercado em ascensão, leite de búfala se destaca pelo valor nutricional, com mais proteína e gordura que o de vaca
Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com
10/08/2025 - 05:00

O leite em pó 100% de búfala começou a ser comercializado no Brasil. Com vida de prateleira mais longa, o produto permite ao consumidor acessar os benefícios nutricionais da espécie de forma mais prática.
Nutritivo e versátil, o leite de búfala se diferencia do leite de vaca em composição e valor nutricional. Na comparação entre os dois lácteos, o leite de búfala possui aproximadamente 10% a mais de proteína e 50% a mais de gordura. Também é mais rico em cálcio, ferro e fósforo, além de ter mais vitaminas do tipo A e do tipo D.
De acordo com João Batista de Souza, um dos sócios-fundadores da Laticínios Bom Destino, o leite em pó de búfalas atende à uma demanda de mercado quanto a um desafio antigo do setor. “Tínhamos esse sonho de colocar no mercado um leite em pó 100% de búfala, um produto diferenciado que permite atender melhor os consumidores de todo o Brasil, inclusive nos períodos de maior distância logística”, explicou.
Segundo ele, o novo produto também é estratégico para equilibrar a oferta da matéria-prima ao longo do ano. “Temos uma produção muito intensa na safra e uma queda acentuada na entressafra. O leite em pó surge como uma alternativa concreta para equilibrar esses volumes e valorizar ainda mais o leite junto aos produtores”.
Avanço para a bubalinocultura
Para o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), Simon Riess, a novidade representa um avanço técnico e comercial para toda a atividade. “Esse produto vem solucionar um problema antigo da bubalinocultura, que é a sazonalidade da produção. Apesar de já termos protocolos para tentar destacionalizar o leite [processo para garantir fornecimento o ano todo], o leite em pó se torna uma ferramenta adicional — útil tanto para os produtores quanto para os laticínios e para o consumidor final”, observou.
Riess também destacou o alto valor nutricional do leite de búfala, rico em proteínas e minerais, com reconhecidos benefícios para a saúde. “Valoriza não apenas a cadeia produtiva, mas também a qualidade do alimento que entregamos à população. É uma conquista coletiva e um passo firme na profissionalização e expansão da bubalinocultura brasileira”, finalizou.
Segundo dados da ABCB, o Brasil possui o maior rebanho de búfalos do Ocidente. Em 2024, estima-se que existiam mais de 17 mil criadores no país, com um rebanho de aproximadamente 3 milhões de cabeças.

Mercado crescente
A ideia do laticínio de produzir leite em pó de búfalas surgiu anos atrás, mas acabou sendo interrompida pela pandemia. No ano passado, o projeto foi resgatado, como lembra o administrador e também sócio da marca, Aurélio Souza. “A gente passou o ano testando, fazendo os estudos de viabilidade de mercado”, conta.
Segundo ele, o principal motivo para a empresa decidir apostar no novo formato é que, cada vez mais, os consumidores têm procurado levar uma vida mais saudável. “Está todo mundo procurando produtos mais proteicos, mais saudáveis. Então, a gente vê que o mercado está receptivo paras novidades nesse sentido”.
Prova disso é que, nos últimos três anos, a empresa viu as vendas dos produtos à base de leite de búfala crescerem 300%. As vendas são lideradas pela mozzarela de búfala – o carro-chefe da marca – seguida pela burrata e pelo iogurte.
Para estimular o consumo, a empresa está apostando em degustações nos pontos de venda e ações publicitárias com foco nos diferenciais do leite de búfala, como o valor nutricional.
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