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Pecuária

Europa enfrenta onda severa de gripe aviária e teme crise

Em menos de três meses, o velho continente já registrou 56 surtos da doença, em 10 países

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Redação Agro Estadão

27/10/2025 - 13:14

Foto: Adobe Stock
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A Influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP ou gripe aviária) volta a se espalhar rapidamente pela Europa. O avanço da doença reacende temores de uma repetição das crises de anos anteriores, quando dezenas de milhões de aves foram sacrificadas e os preços dos alimentos dispararam.

Segundo a ESA, órgão francês de vigilância da saúde animal, foram registrados 56 surtos entre agosto e meados de outubro em 10 países da União Europeia e no Reino Unido — esse é o maior número de países em uma década registrando surtos precoces. Os casos se concentram principalmente na Polônia, maior produtora de aves do bloco, além de Espanha e Alemanha. No mesmo período do ano passado, 31 surtos tinham sido confirmados em nove países.

Alemanha enfrenta abate em massa

Na Alemanha, as autoridades de saúde confirmaram que, até a semana passada, mais de 400 mil aves já foram sacrificadas em razão da gripe aviária. O Instituto Friedrich Loeffler (FLI) destacou que a atual onda é semelhante à epidemia de 2021 — uma das piores já registradas no país. Na época, as autoridades sanitárias alemãs tiveram que eliminar mais de 2 milhões de aves para conter a doença.

Até o momento, a gripe aviária foi detectada em 30 granjas alemãs, levando ao abate de galinhas, patos, gansos e perus. O FLI alertou que “é impossível prever como a situação vai evoluir”. As perdas mais expressivas ocorrem nos estados de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Brandemburgo, no nordeste do país.

No distrito de Märkisch-Oderland, em Brandemburgo, o governo anunciou o abate de mais 130 mil aves adicionais, após ter destruído cerca de 150 mil no início do ano. Também foram registradas mortes em massa de aves na área de Linumer Teichland, ao noroeste da região.

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Holanda e Eslováquia ampliam medidas de contenção

A situação também é crítica na Holanda. O governo holandês confirmou na última semana que 161 mil frangos foram abatidos em uma granja no centro-leste do país, após a detecção do vírus. Em resposta, foi proibido o transporte de aves e produtos avícolas em um raio de 10 quilômetros do local. A medida afeta 26 propriedades rurais.

Além disso, o Ministério da Agricultura holandes determinou que todas as granjas mantenham as aves confinadas e suspendeu exposições de animais como forma de prevenir novos focos.

Na Eslováquia, a Organização Mundial de Saúde Animal confirmou um surto em uma fazenda no norte do país, próxima à fronteira com a Polônia. Segundo as autoridades locais, 27 aves morreram e o restante do plantel — 197 animais, entre galinhas, patos e gansos — foi abatido para conter a propagação.

Apesar de o número total de surtos ainda ser menor do que em 2022, especialistas temem que o início antecipado da temporada e o aumento das migrações de aves selvagens criem um cenário de nova crise sanitária e econômica para o setor avícola europeu neste inverno.

A gripe aviária, transmitida sobretudo por aves migratórias, é motivo de alerta para governos e para a indústria avícola devido ao impacto econômico e sanitário que provoca. “Todos esses casos na Europa mostram que o vírus está longe de desaparecer”, afirmou Yann Nedelec, diretor do grupo francês da indústria avícola Anvol.

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