Pecuária
Brasil “dificilmente” será remunerado por cumprir o Código Florestal, diz Embrapa
Estrangeiros de países desenvolvidos têm responsabilidade como cidadãos do planeta, afirma professor de universidade inglesa
Daumildo Júnior* | Cuiabá (MT) | daumildo.junior@estadao.com
29/10/2025 - 09:24

Com mais de 38% das áreas preservadas no país, os produtores brasileiros “dificilmente” irão receber uma bonificação pelos espaços conservados nas propriedades rurais. Segundo o pesquisador e chefe geral da unidade Territorial da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Gustavo Spadotti, o Código Florestal trouxe uma série de avanços ao país, mas por ser uma legislação, a preservação nos limites ali presentes já é obrigação.
“Por ser uma lei, dificilmente vai ser reconhecida e remunerada por qualquer outro tipo de ente, porque se está fazendo o que a lei obriga. Então isso deixou de ser uma oportunidade para o Brasil negociar crédito de carbono ou pagamento por serviços de ecossistemas no mercado internacional, porque se o produtor deixar de fazer, ele vai ser punido pela lei nacional”, explicou o especialista.
Apesar disso, ele lembrou que é possível agregar valor na produção desde que haja um reconhecimento do consumidor internacional do ativo ambiental. “Por exemplo, quando o consumidor internacional fizer a compra de uma carne brasileira, em meio há uma cesta de produtos internacionais, ele vai adquirir essa carne e saber que existe uma pegada ambiental na carne brasileira, que tem um componente territorial de vegetação nativa presente dentro de cada fibra de carne do Brasil”, comentou.
Spadotti ainda indicou que a área preservada dentro das propriedades rurais brasileiras tem um valor estimado de aproximadamente US$ 1 trilhão. No entendimento do pesquisador, “um caminho interessante para os exportadores de carne“ passa por transmitir a mensagem desse ativo e convencer do valor ambiental embutido no produto vindo desses imóveis.
No caso dos produtores que têm áreas preservadas acima do que prevê a legislação, ainda há a oportunidade de receber, porque vai além das obrigações da legislação. Porém, ele projeta obstáculos.
“Os produtores nacionais que comercializam internamente vão ter uma dificuldade maior porque o governo não tem como fazer o pagamento por esse serviço ecossistêmico. Então, dificilmente você vai conseguir ter esses mecanismos de pagamento, a não ser via trocas, o que a gente chama de bolsas de crédito, de cotas de reserva ambiental, onde quem tem um déficit de vegetação nativa pode pagar e recompensar quem tem um excedente”, completou.
Apoio estrangeiro é responsabilidade com planeta
A análise de Spadotti foi feita durante um dos painéis do World Meat Congress (WMC) 2025, realizado em Cuiabá (MT) até a próxima quinta-feira, 30. O painel discutiu a sustentabilidade da produção de carne bovina e contou com a participação do professor da universidade inglesa Harper Adams, Michael Lee.
Na visão do especialista em questões de sustentabilidade na produção de alimentos, há uma responsabilidade dos países desenvolvidos em ajudar países como o Brasil. Para ele, os países desenvolvidos tomaram uma decisão pelo desenvolvimento com a queima de materiais fósseis, o que gerou a atual situação climática.
“Nós temos que trabalhar juntos. Então, nós temos que apoiar o Brasil e a América Latina em desenvolver soluções, utilizar seus recursos naturais e produzir a comida de alta qualidade que vocês fazem. E nós temos que fazer isso como cidadãos do planeta Terra. E eu acho que nós esquecemos disso”, acrescentou o professor Lee.
*Jornalista viajou a convite do IMAC
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