Pecuária
Por que as abelhas atacam mais no verão e como se proteger
Temperaturas acima de 30°C e barulhos intensos deixam as abelhas mais atentas e reativas
Redação Agro Estadão*
23/01/2026 - 05:00

Com a chegada do calor, os registros de ataques de abelhas no verão crescem significativamente. O metabolismo desses insetos acelera acima dos 30 °C, tornando-os mais vigilantes e defensivos.
Entender esse comportamento é vital para produtores rurais e moradores urbanos evitarem acidentes e protegerem a biodiversidade de forma segura no campo.
Entre 2021 e 2024, os ataques provocados por abelhas africanizadas aumentaram 83%, subindo de 18.668 para 34.252 registros em todo o país.
No mesmo período, o número de mortes associadas a esses incidentes teve crescimento ainda mais acentuado, de 123%, chegando a 125 óbitos em 2023 — número que se repetiu em 2024, conforme artigo do Jornal da Unesp.
Em 2023, pela primeira vez, o total de ataques de abelhas superou o de ocorrências envolvendo serpentes, situação que se mantém até os dias atuais, indicando uma tendência de aumento na presença e na agressividade desses insetos no ambiente rural e urbano.
Por que as abelhas atacam mais no verão?
O calor faz com que as abelhas fiquem mais ativas. Segundo a Epagri, quando a temperatura passa dos 30 °C, esses insetos aceleram a busca por alimento e ficam mais alertas.
Além disso, durante o verão acontece a enxameação, o período em que as abelhas formam novas colônias. Nessa fase, elas ficam naturalmente mais defensivas para proteger a colmeia e a rainha. O que chamamos de “ataque” é, na verdade, uma defesa do território delas.
As abelhas reagem a qualquer movimento que considerem uma ameaça. O período mais perigoso é entre 10h e 15h, quando o sol está mais forte.
A abelha africanizada é responsável pela maioria dos ataques no país e tem comportamento mais agressivo que outras espécies.
Fatores que deixam as abelhas mais agressivas no calor

Além dos fatores já mencionados, o verão traz condições que elevam o risco de acidentes com abelhas. O suor e perfumes fortes podem irritá-las, enquanto roupas escuras, especialmente pretas e azul-marinho, costumam chamar sua atenção.
Ruídos intensos — como os de cortadores de grama, sopradores de folhas e motosserras — também provocam reações rápidas desses insetos.
E como o período quente atrai mais pessoas para áreas rurais, parques e jardins, aumenta a chance de encontros com colônias escondidas, exigindo atenção redobrada.
O perigo das abelhas em cidades e no campo
As abelhas africanizadas formam colônias tanto em áreas urbanas quanto rurais.
Elas costumam instalar colmeias em cavidades como forros de casas, buracos em muros, caixas de energia, bueiros e estruturas abandonadas, aumentando o risco em locais com manutenção precária.
Quando esses pontos não recebem vistorias e reparos regulares, tornam-se ideais para novos enxames e, em dias de calor intenso, qualquer aproximação inadvertida pode desencadear um ataque coletivo, já que as operárias liberam feromônios que induzem outras abelhas a picarem o mesmo alvo.
No campo, o perigo se estende a animais de produção e de companhia, como vacas, cavalos e cães, que podem sofrer dezenas ou centenas de picadas ao cruzar rotas de voo ou se aproximar demais das colmeias, levando a quadros graves e até morte.
Como evitar acidentes no verão
O Corpo de Bombeiros ensina algumas formas de prevenir ataques:
- Ao ver um enxame, não faça movimentos rápidos nem grite;
- Nunca tente tirar uma colmeia sozinho;
- Mantenha distância de locais com muitas abelhas.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) orienta identificar e isolar rapidamente locais com enxames, evitar barulho e movimentação perto das colmeias e acionar serviços especializados sempre que uma colônia for encontrada em área de circulação de pessoas ou animais.
Não use produtos químicos ou fogo para espantar as abelhas. Além de ser crime contra o meio ambiente, isso deixa todos os insetos furiosos e pode causar ataques em massa.
Em áreas residenciais, serviços de remoção devem ser feitos apenas por equipes treinadas, em geral, com apoio de bombeiros e apicultores de resgate, seguindo normas de segurança e legislação ambiental.
Algumas vezes, as abelhas param para descansar durante uma mudança de local. Esses grupos ficam em galhos de árvores ou outras estruturas, mas são menos agressivos que as colônias fixas.
Primeiros socorros após uma picada

Se for atacado, corra para um lugar fechado. Para tirar o ferrão, use uma lâmina ou cartão e raspe de lado na pele. Nunca aperte o ferrão, pois isso injeta mais veneno no corpo.
Lave o local com água e sabão. Coloque gelo por 15 minutos para diminuir o inchaço e a dor. Não coce nem esfregue o local, evitando assim uma infecção.
O choque anafilático (reação alérgica grave) é o maior perigo das picadas. Procure ajuda médica imediatamente se a pessoa apresentar:
- Dificuldade para respirar;
- Coração batendo muito rápido;
- Inchaço na garganta;
- Múltiplas picadas.
Reações alérgicas podem levar à morte sem tratamento adequado. Leve a vítima ao pronto-socorro mais próximo rapidamente. Pessoas que já tiveram alergia a picadas devem sempre carregar remédio prescrito pelo médico.
O verão exige cuidados extras com as abelhas, especialmente de produtores rurais que trabalham ao ar livre.
Conhecer o comportamento desses insetos e saber como agir pode evitar acidentes graves e preservar tanto a vida humana quanto esses importantes polinizadores.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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