Inovação
Drones ganham cada vez mais espaço nas lavouras brasileiras
Estudo da Embrapa mostra que o custo da aplicação varia de R$ 100 a R$ 400 por hectare, a depender do relevo e vegetação
Redação Agro Estadão*
21/07/2025 - 08:00

O uso de drones agrícolas no Brasil está cada vez mais na rotina do campo. A constatação é da publicação “Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática”, produzida pela Embrapa Soja. De acordo com o documento, já há “relatos de propriedades acima de 1.000 hectares que passaram a utilizar o drone como principal ferramenta de pulverização”.
A pesquisa, assinada pelos engenheiros-agrônomos Rafael Moreira Soares e Eugênio Schröder, será apresentada ao público durante o Congresso Brasileiro de Soja, que começa nesta segunda-feira, 21, em Campinas (SP).
A publicação apresenta toda a legislação que regulamenta o uso dos drones e descreve exemplos práticos de aplicação em diversas culturas: arroz, banana, cana-de-açúcar, milho, pastagens, silvicultura e soja. Além disso, reúne dados técnicos e estudos recentes que demonstram como os drones vêm se consolidando como ferramenta complementar — e, em alguns casos, alternativa — aos pulverizadores convencionais.
Segundo o pesquisador Rafael Soares, os modelos mais comuns são os multirrotores e os de asa fixa, com motorização elétrica por baterias. “Eles são classificados de acordo com o seu peso e altura máxima de voo permitida, possuindo inúmeros tipos de hardware, software, câmeras e sensores, que permitem a execução de diversos processos”, detalhou o cientista, no site da estatal.
Confira algumas das principais vantagens dos drones agrícolas destacadas pelos pesquisadores:
- dispensa operador humano na área pulverizada;
- independência das condições de tráfego do solo;
- ausência de compactação do solo, provocada por máquinas terrestres de pulverização;
- não causa amassamento da cultura;
- baixo consumo de água;
- rastreabilidade (registro de dados e do mapa de aplicação).
Custo e escalabilidade desafiam produtores
O estudo mostra que o custo da aplicação varia de R$ 100 a R$ 400 por hectare, a depender do relevo, vegetação da área, complexidade da operação, tecnologia e os equipamentos utilizados, distância do local de operação e tipo de produto a ser aplicado. Além disso, alguns prestadores cobram por hora de voo; outros, por serviço completo, incluindo o preparo da solução.
De acordo com o empresário Eugênio Passos Schröder, que também assina a publicação, o investimento necessário para montar uma estrutura própria de drones para pulverização demanda investimento não apenas no equipamento, mas também na aquisição de acessórios, veículos para atendimento da operação; estrutura administrativa e o capital de giro. “É preciso fazer um planejamento detalhado de suas necessidades e uma análise financeira cuidadosa para determinar o investimento necessário para iniciar a prestação de serviços de pulverização”, recomenda Schröder.
O documento completo está disponível aqui.
*Com informações da Agência Embrapa.
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