Inovação
Conectividade no campo: só 37% das propriedades rurais tem cobertura 4G de internet
Pesquisa da Associação ConectarAGRO mostra que DF, RJ, ES, RS e SC têm os melhores níveis de conectividade
Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadao.com | Atualizada em 20/04/2024 às 12h38
19/04/2024 - 14:41

Um levantamento feito pela Associação ConectarAGRO em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) apontou que apenas 37% dos imóveis rurais no Brasil têm cobertura 4G em toda a área. O Indicador de Conectividade Rural (ICR) também mostra que somente 19% da área disponível para uso agrícola tem acesso a tecnologia 4G.
Na avaliação da presidente da ConectarAGRO, Paola Campiello, ainda há um grande caminho a ser percorrido para aumentar os níveis de acesso à internet no campo. Ela destaca alguns desafios que não dependem somente das operadoras de telefonia.
“O dono de uma propriedade já coloca internet na sede da fazenda, mas ele não coloca no campo todo porque é complicado, é complexo. […] E são vários os desafios para se colocar uma antena no campo. As operadoras precisam ter uma densidade populacional mínima além de que cada prefeitura tem uma maneira de licenciamento”, disse ao Agro Estadão.
Média de conectividade no campo entre as cidades brasileiras está em 0,4
O ICR é a métrica criada pela associação para medir o nível de cobertura 4G nas zonas rurais brasileiras. Ele vai de 0 a 1, sendo que um número próximo de 1 é melhor. O Distrito Federal tem ICR de 0,807 e aparece em primeiro lugar nesse ranking; em seguida estão Rio de Janeiro (0,715), Espírito Santo (0,685), Rio Grande do Sul (0,638) e Santa Catarina (0,637).

A média do ICR entre as cidades no Brasil ficou em 0,454, o que a associação entende como sendo um cenário desafiador para ampliar a conectividade no campo. Além disso, o índice demonstra desigualdades grandes, como a cidade de Maués (AM), com 0,0051 de ICR, e Porto Alegre (RS), com 1 de ICR. É possível ver o ICR de cada município pelo site da associação.
Para Campiello, o indicador “é um pontapé inicial”. A expectativa agora é que o ICR seja usado para incrementar políticas públicas de conectividade rural. “É uma jornada que a gente inicia, uma construção. Esse indicador faz sentido? Então vamos lá buscar políticas públicas, vamos conversar com empresas privadas e a nossa ideia é que ele seja utilizado por todos”, acrescenta.

Quem são os produtores conectados?
A pesquisa também mostra o perfil dos produtores que têm acesso ao 4G e ao 5G em toda a fazenda. Os grandes produtores têm menos cobertura (6,4%), enquanto os pequenos representam a maior fatia (39%). Entre os médios produtores, 16,2% conseguem receber a cobertura de internet por toda a fazenda.
“Fazendas médias e grandes, em geral não estão próximas a grandes centros urbanos e, portanto, não se beneficiam da expansão na conectividade urbana. A maioria das propriedades com conexões 4G (5G não é significativo ainda) está próxima de centros urbanos. Ou seja, as fazendas estão conectadas com estações rádio-base que foram instaladas para atender concentrações de pessoas e estão principalmente no litoral do Brasil e no Sul e Sudeste, pois são estados com centros urbanos próximos”, aponta a presidente da ConectarAGRO.
Qual o impacto da conectividade para a produção rural?
Campiello não calcula um número de quanto o acesso a internet nas zonas rurais pode aumentar a produtividade agropecuária. Mas ela cita um teste realizado em uma fazenda de Água Boa (MT) no ano passado. Com a propriedade conectada, foi possível usar ferramentas que fizeram com que a safra 2022/2023 tivesse 18% a mais de produtividade em comparação à safra anterior. Além disso, o consumo de combustível reduziu em 25% e a emissão de carbono caiu 10%.
“A gente teve redução na pegada de carbono, redução de combustível, de tempo de máquina parada. Isso foi em uma primeira amostragem, agora você imagina o que mais de tecnologia que a gente pode implementar com a conectividade”, complementa.
Confira mais reportagens sobre o acesso de produtores rurais a internet e a conectividade no campo.
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