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Mirtilo: produtora gaúcha aposta na “doçura” para enfrentar concorrência de importados
Diversificação de subprodutos, como geleias e bebidas, também é estratégia para driblar sazonalidade da fruta
Sabrina Nascimento | São Paulo
01/02/2025 - 08:10

Enquanto países como o Peru e o Chile lideram a produção de mirtilo na América do Sul, no Brasil, a cultura ainda ocupa um pequeno nicho de mercado. Durante a safra 2023/2024, a produção brasileira da fruta representou menos de 1% do total da região, porém, vem ganhando espaço com destaque para a qualidade dos frutos.
Um exemplo vem do Rio Grande do Sul, maior estado produtor, onde desde 2019, a produtora Paula Becker, cultiva mirtilos em Encruzilhada do Sul. Ao Agro Estadão, ela apontou os três principais motivos que a levaram a investir nesta plantação: demanda crescente, desenvolvimento rápido do fruto e diversificação de cultura, como alternativa às oliveiras.
“Começamos com 1 hectare plantado e 1.900 mudas da variedade que melhor se adaptava ao nosso solo e clima. Em dois anos obtivemos a primeira colheita e, agora, ano após ano, o volume de frutas no pé está aumentando”, afirmou Becker.
Segundo a produtora, não houve aumento de área nestes seis anos de cultivo, por isso, para atender a demanda ela opta por adquirir mirtilos de outros produtores já que neste momento o foco é mecanizar os trabalhos em sua propriedade.
Hoje, além da venda de mirtilos frescos, a produtora gaúcha investe ainda em subprodutos como geleias, bebidas e mirtilo batido. Em breve, ela diz que deve começar a comercializar o fruto desidratado, que passa por um processo de secagem, mantendo as propriedades nutricionais e o sabor da fruta. “O mercado brasileiro ainda é pequeno, e enfrentamos uma forte concorrência com os mirtilos importados, que chegam com preços competitivos devido à isenção de impostos e à produção durante o ano inteiro. Por isso, a qualidade e a diversificação são nossas principais armas”, ressalta Paula.
Paula destaca que um desafio é o escalonamento da produção. Devido ao clima, o mirtilo na região não rende mais do que três meses, tendo o período de colheita entre novembro e final de janeiro. Porém, de acordo com ela, a grande vantagem é a doçura das frutas, que supera as importadas. “Estamos agora tentando novas espécies para ver se prolongamos a fase de colheita, mas ainda são apenas experiências”, destaca.


Brasil ocupa 6ª posição entre os países produtores de mirtilo na América do Sul
Conforme dados da Organização Internacional de Mirtilo (IBO, na sigla em inglês), o Brasil possui somente 220 hectares cultivados com mirtilos, ocupando a 6ª posição no ranking dos países produtores na América do Sul. O lugar é melhor apenas do que o Uruguai, que registra 124 hectares.
A lista é liderada pelo Peru, com 20.000 hectares, seguido pelo Chile, com 18.375 hectares, e Argentina, com 2.100 hectares.
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