Economia
Tarifas: setor de pescados quer prioridade na liberação do crédito anunciado
Abipesca diz que ainda aguarda os critérios de acesso, taxas de juros e limites de empréstimo
Redação Agro Estadão
14/08/2025 - 10:11

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) avaliou como um avanço inicial o pacote emergencial anunciado nessa quarta-feira, 13, pelo governo federal para mitigar os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos. O setor, considerado um dos mais prejudicados pelas barreiras comerciais norte-americanas, cobra prioridade na aplicação dos recursos e agilidade na regulamentação das medidas.
A Medida Provisória (MP), que inclui crédito de R$ 30 bilhões por meio do Fundo Garantidor de Exportações (FGE), foi avaliada como “um primeiro passo importante, mas que ainda depende de rápida regulamentação pelos ministérios para se tornar efetivo”. No mês passado, a associação pediu uma linha de crédito emergencial de R$ 900 milhões.
Para o presidente da Abipesca, Eduardo Lobo, o modelo proposto pode facilitar o acesso ao financiamento. “A garantia de 100% do valor de cada operação pelo fundo é um diferencial positivo, pois elimina o risco para os bancos e tende a facilitar a concessão de empréstimos. Antes, parte do risco recaía sobre as instituições financeiras”, afirmou em nota.
Apesar disso, o setor diz que ainda espera por detalhes fundamentais para avaliar o real alcance do pacote. Entre os pontos pendentes estão os critérios de acesso ao crédito, as taxas de juros e os limites de empréstimo conforme o faturamento das empresas. As regras para manutenção de empregos também precisam ser esclarecidas, segundo a entidade.
“A MP acerta em pontos importantes, mas sozinha não resolve”, disse Lobo. “É fundamental que as pastas envolvidas regulamentem as medidas com rapidez, garantindo a priorização do setor de pescados. Só assim o crédito e os incentivos poderão chegar às empresas no momento certo, evitando perdas ainda maiores.”
Impactos na cadeia
Segundo a associação, a urgência se justifica pelos impactos já sentidos pela cadeia produtiva. A análise da entidade é de que sem uma resposta rápida, cerca de 35 indústrias e de 20 mil trabalhadores devem ser impactados com cortes de pessoal e paralisações das operações fabris. Os preços da tilápia, por exemplo, seguem em queda. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em julho, “além da típica redução do consumo de pescado durante o inverno, indústrias estão com estoques elevados, o que reforçou a baixa procura e o ritmo lento de negócios”.
Do lado das exportações brasileiras da proteína, após três meses de queda, os volumes embarcados aumentaram no mês passado, mas ainda ficaram abaixo do registrado no mesmo período de 2024. Os especialistas do Cepea explicaram que esse movimento de aumento “pode refletir a tentativa de indústrias venderem o produto antes das taxações impostas pelos Estados Unidos, já que o país é o principal comprador da tilápia exportada”.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Reforma tributária: o que o produtor rural precisa fazer antes de janeiro?
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Vietnã habilita quatro novos frigoríficos para exportação de carne bovina
Com novas autorizações, Brasil dobra número de plantas habilitadas a exportar ao mercado vietnamita
Economia
Mercosul-UE: carnes ganham com acordo, mas impactos são distintos entre bovinos, aves e suínos
Acordo deve impulsionar as exportações do setor entre 5,1% e 19,7%, projeta Ipea; há expectativa para geração de vagas de emprego
Economia
Acordo Mercosul-UE: Santa Catarina constrói plano para ampliar competividade
Estado acompanha fase final de formalização do tratado e organiza ações para ampliar competitividade quando o acordo entrar em vigor
Economia
Mercosul‑UE: especialista aponta oportunidades e limites do acordo para o Agro brasileiro
Análises do Ipea e Markestrat destacam ganhos em carnes e café, redução de custos em máquinas e o desafio das exigências ambientais
Economia
BNDES aprova R$ 950 mi para construção de nova usina de etanol da Inpasa na Bahia
Unidade em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, produzirá etanol, DDGS, óleo vegetal e energia elétrica a partir de milho e outros grãos
Economia
Café solúvel vê acordo Mercosul-UE como saída diante das tarifas dos EUA
Setor segue tarifado em 50% pelo seu principal cliente e não vê luz no fim do túnel das negociações diante do atual cenário geopolítico
Economia
Setor de vinhos do Brasil cobra condições equivalentes no acordo Mercosul-UE
Entidades avaliam que, sem ajustes internos, acordo tende a ampliar pressão de importados e afetar cadeia baseada na agricultura familiar
Economia
Desembolso no Plano Safra 2025/2026 cai 15,6% no 1º semestre, a R$ 186,146 bi
Montante corresponde a 45,8% do total disponível para a safra, de R$ 405,9 bilhões; produtores estão retraídos por conjuntura adversa