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Economia

Selic em 15% agrava o endividamento no agronegócio, diz especialista

Pelo quinto mês consecutivo, Copom mantém taxa básica de juros no mais alto patamar em quase duas décadas

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Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

05/11/2025 - 19:21

Conjunção de fatores internos e externos levou Copom a manter a Selic em 15%. Foto: Adobe Stock
Conjunção de fatores internos e externos levou Copom a manter a Selic em 15%. Foto: Adobe Stock

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, 5, manter a taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano. A decisão já era esperada pelo mercado financeiro e deixa, pelo quinto mês consecutivo, a taxa no mais alto patamar desde julho de 2006.

Por servir como referência para todas as demais taxas praticadas na economia, a manutenção da Selic nesse nível reforça um cenário de crédito escasso e endividamento crescente no campo. “Do ponto de vista macroeconômico, uma Selic nesse patamar de 15% representa um ambiente de negócios bastante restritivo aos setores produtivos. Quando a gente olha para o setor do agronegócio, que depende fortemente de capital de giro e de financiamento de médio e longo prazos, o impacto é ainda mais severo”, avalia Anderson Sartorelli, técnico do departamento técnico e econômico do Sistema Faep.

CONTEÚDO PATROCINADO

Ao Agro Estadão, Sartorelli destacou que, entre os efeitos desse patamar da Selic para o campo, estão o aumento do custo do crédito rural, a dificuldade dos produtores em renegociar dívidas e a compressão das margens de lucro, com consequente diminuição dos investimentos. 

“Fica mais caro para o produtor acessar esse recurso. Há ainda dificuldade de renegociação, já que, ao buscar uma nova operação a juros de mercado com a Selic alta, o produtor acaba pagando muito mais”, aponta.

Justificativas

O Copom justificou a decisão de manter a taxa básica de juros em 15% ao ano pela combinação de incertezas externas, pressões inflacionárias internas e expectativas descoradas para os próximos anos. 

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Segundo o comitê, o ambiente internacional segue instável, em razão da política econômica dos Estados Unidos e de tensões geopolíticas que afetam as condições financeiras globais. “Tal cenário exige particular cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por tensão geopolítica”, destacou o comunicado.

No cenário doméstico, o Copom observa uma moderação no ritmo de crescimento da atividade econômica, embora o mercado de trabalho ainda mostre força. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes apresentaram algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação”, informou.

As expectativas de inflação para 2025 e 2026 apuradas pela pesquisa Focus do Banco Central permanecem em valores acima da meta: 4,5% e 4,2%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2027 situa-se em 3,3% no cenário de referência. Por isso, o comitê aponta que “os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual”.

Por fim, o comitê afirma que acompanhará os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais pelos EUA ao Brasil, e como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. 

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