Economia
Pecuária: gestão e tecnologia podem transformar a cria no ciclo, aponta especialista
Tecnologia IATF pode impulsionar a fase de cria e oferecer rentabilidade ao pecuarista
Sabrina Nascimento | Presidente Prudente
21/11/2024 - 08:30

“A cria, como todo mundo sabe, é o patinho feio de todos os sistemas”, brincou no início de sua palestra o médico veterinário e proprietário da Firmasa Tecnologia para Pecuária, Luciano Penteado. Segundo o especialista, essa etapa é frequentemente tratada com menos atenção, recebendo os piores recursos em infraestrutura, manejo e pastagem. No entanto, com os ajustes certos em gestão e tecnologia esse cenário pode mudar.
“Muitos pecuaristas focam apenas no fluxo de caixa ou exclusivamente na produtividade, mas esquecem que o sucesso vem do equilíbrio entre os dois. É aí que a tecnologia entra como uma grande aliada”, enfatizou Penteado nesta quarta-feira, 20, durante o painel ‘a conta do boi’ na Feicorte 2024.
Entre as tecnologias de destaque está a inseminação artificial em tempo fixo (IATF) — técnica de reprodução onde é determinado o dia e horário que um lote de fêmeas será inseminado. Inicialmente focada no melhoramento genético, a técnica trouxe benefícios significativos em eficiência produtiva, segundo o especialista.
Conforme estudo apresentado por Penteado, a cada R$ 1 investido em IATF no último ano, o retorno ao pecuarista foi de R$ 2,92 na comparação com a monta natural. “A IATF não só trouxe um retorno tremendo no que diz respeito ao melhoramento genético, que foi o seu início, depois ela trouxe a eficiência no produtivo e, claro, sem dúvida nenhuma, ela traz também um retorno econômico”, afirma Luciano.

Bezerros do início da estação de monta
Outro ponto a ser observado no ciclo de cria é o peso dos bezerros do início da estação de monta (julho e agosto) em comparação com os que nascem no final do período (novembro e dezembro).
Baseado em dados compilados de uma fazenda com mais de dois mil animais, Penteado mostrou que os bezerros nascidos no início da estação de monta apresentaram 32 quilos a mais de ganho de peso no momento do desmame. Isso é equivalente a um aumento de 14,1% em relação aos animais nascidos no final do período.
“Os animais tinham diferença de cinco a seis meses de diferença de peso entre o bezerro de cedo para o de tarde. E confinamento não é só o que ele ganha de peso, é o tempo que ele fica no confinamento também”, destacou o especialista.
A vantagem também se estendeu ao longo do ciclo produtivo. Durante a recria, os bezerros do início tiveram 14,8% a mais de ganho de peso. No confinamento, ganharam 38 quilos — 7% a mais em relação aos animais do final da estação.
*jornalista viajou a convite dos organizadores da Feicorte 2024
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Aliança Agrícola paga R$ 114 milhões a investidores; advogada alerta produtores sobre risco jurídico
2
Por que a Indonésia é ‘o novo mundo’ para a carne bovina do Brasil?
3
Menos pão, mais carne: canetas emagrecedoras redesenham demandas do agro brasileiro
4
China bate recorde na produção de grãos com 714,9 milhões de toneladas
5
Acordo Mercosul-UE divide o agro brasileiro entre apoio e críticas
6
Por que a China rejeitou o pedido do Brasil para redistribuir cotas de carne bovina?
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
FMC busca reduzir dívida e avalia possível venda
Empresa diz que está focada em reduzir dúvida em cerca de US$ 1 bilhão e que ainda não há garantia de realização de qualquer transação
Economia
Mercado de café segue atento ao clima, apesar da expectativa de safra maior
Mesmo com produção maior no horizonte, estoques apertados ainda limitam recuos acentuados nas cotações, aponta Itaú BBA
Economia
AgroGalaxy, em recuperação judicial, troca CEO e Conselho
Em nota, a empresa diz que as mudanças buscam mais agilidade e eficiência, com ajustes de custos diante do crédito restrito no agro
Economia
Comércio de fertilizantes e carnes marca aproximação entre Brasil e Rússia
Ministros defendem previsibilidade nas relações comerciais e discutem regionalização sanitária e ampliação das exportações brasileiras de pescados
Economia
Setor sucroenergético em Pernambuco tem prejuízo de R$ 500 milhões
Cadeia produtiva sente os impactos da vigência das tarifas dos EUA, queda no preço da tonelada da cana e alta nos custos de produção
Economia
China sinaliza forte demanda por importações de soja em 2026
Plano rural chinês prevê diversificação de culturas, como canola e amendoim, e incentivos ao uso de tecnologias como IA, robôs e drones
Economia
Mercado de cafeterias cresce 18% no Leste Asiático e China lidera expansão
China adicionou mais de 20 mil unidades em um ano e deve puxar o crescimento de cafeterias na região até 2030, segundo levantamento
Economia
Brasil fará primeira exportação de DDG para a China
Mercado chinês de DDG até então era dominado pelo produto norte-americano, com 99,6% das importações e receita de US$ 65 milhões em 2024