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Cotações

Commodities agrícolas sobem em setembro sob pressão climática

Dos grãos à pecuária, ondas de calor impulsionaram as cotações e seguem no radar dos analistas

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Rafael Bruno | São Paulo | rafael.bruno@estadao.com

02/10/2024 - 14:24

Foto: Adobe Stock
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Fortemente influenciadas por questões climáticas, as commodities agrícolas registraram valorização ao longo de setembro. Conforme avaliação do consultor da Markestrat Group, Leonardo Marin, além de impactar a produtividade e o início do plantio das principais culturas no Brasil, os efeitos climáticos também afetaram regiões produtoras ao redor do mundo, pressionando as negociações.

“O cenário atual reflete a tentativa do mercado em medir os riscos decorrentes das incertezas climáticas, especialmente devido à falta de chuvas e a postergação do início do plantio da safra de verão no Brasil, além de condições climáticas adversas em outros grandes produtores globais”, explica Marin.

CONTEÚDO PATROCINADO

No setor de grãos, a saca de soja valorizou-se 1,7% no mês, sendo comercializada a R$ 141,16 em Paranaguá (PR). Para o milho, a valorização foi de 5,9%, com a saca negociada a R$ 64,30. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) e foram analisados pela Markestrat.

Soja e milho também fecharam o nono mês do ano no campo positivo nos mercados futuros. Na Bolsa do Brasil, a B3, o vencimento para novembro do milho (CCMX24) variou 7,4% ao longo de setembro e fechou em R$ 68,90 a saca. No caso da soja, destaque para as negociações na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT). Os contratos futuros da oleaginosa na CBOT – com vencimento em novembro (ZSX24) -, finalizaram o mês a US$ 10,57 por bushel, alta de 4,4% ao longo do mês.

“Embora as variações mais expressivas tenham sido observadas no mercado futuro, o mercado físico foi influenciado pela manutenção da demanda em um período de entressafra no país”, comenta Leonardo Marin.

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Açúcar

As queimadas que atingiram as principais regiões canavieiras do país também influenciaram o preço do açúcar cristal, que apresentou uma alta ao longo do mês de 7,8%, com a saca comercializada a R$ 146,32 no último dia de setembro. Em Santos (FOB), o valor foi de R$ 156,46, representando um aumento de 7,5% no decorrer de setembro.

Café

Quanto ao café, tanto o robusta quanto o arábica encerraram o mês de setembro com preços acima de R$ 1.500,00 por saca. O robusta fechou a R$ 1.512,35 a saca, um aumento de 6,65%, enquanto o arábica valorizou-se 4,2%, e foi comercializado a R$ 1.504,98. “Esses aumentos nos preços refletem a queda na produtividade devido às secas no Brasil e à menor produção na Ásia, em um momento de crescente demanda global pela bebida”, explica o especialista da Markestrat.

Pecuária

No setor pecuário, destaque para a arroba do boi gordo, que rompeu a casa dos  R$ 270 e encerrou setembro negociada a R$ 274,35 no mercado físico (Cepea), representando uma valorização de 15,6% ao longo do mês e de 8,7% em comparação a agosto. 

Conforme análise da Markestrat Group, em um ano, nas médias mensais, a alta acumulada da arroba (até setembro) foi de 20,2%. No mercado futuro da B3, os contratos foram liquidados a R$ 268,45 por arroba.

O especialista explica que a pressão sobre os preços da arroba do boi gordo tem sido impulsionada pela entressafra de “boi de capim”, intensificada e alongada pelas altas temperaturas, baixa umidade e falta de chuvas, que continuam a afetar a qualidade das pastagens e a restringir a oferta de animais terminados para o abate. 

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“Como resultado, as escalas de abate ficaram curtas nas últimas semanas, o que tem aumentado a concorrência entre frigoríficos por animais, resultando em elevação dos preços da arroba. Enquanto isso, a demanda do mercado externo continuou aquecida no último mês, com médias diárias superiores às de setembro de 2023 até a terceira semana de setembro”, contextualiza Marin. Ele também ressalta a influência da forte demanda interna, que tende a aumentar ainda mais com as festividades de fim de ano.

Já as categorias de reposição não apresentaram uma valorização tão acentuada quanto os animais prontos para o abate. O bezerro registrou uma valorização de 4,3% no mês, cotado a R$ 2.132,36 por cabeça. “Esse cenário tende a se alterar com o início da estação chuvosa e a oferta reduzida de bezerros no próximo ano, devido aos abates históricos de fêmeas e à consequente redução dos plantéis, sinalizando a virada no ciclo pecuário de preços”, projeta Leonardo Marin.

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