Economia
Exportações de café brasileiro batem recorde de receita, mesmo com queda no volume
Alta nos preços internacionais e oferta apertada elevam faturamento a US$ 1,3 bilhão em março; no ano safra, receita atinge maior valor da série histórica
Paloma Custódio | Guaxupé (MG) | paloma.custodio@estadao.com | Atualizado às 07h16
09/04/2025 - 17:28

O Brasil exportou 3,287 milhões de sacas de 60 kg de café em março de 2025, volume 24,9% inferior ao registrado no mesmo mês do ano passado. Apesar da queda na quantidade embarcada, o setor teve um aumento expressivo nas receitas, de 41,8% na comparação anual, totalizando US$ 1,321 bilhão. Os dados são do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
“Isso se deve ao preço médio do café, que, em março, foi de quase US$ 402 dólares por saca, um aumento de 89% em relação ao mesmo mês do ano passado”, disse o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, em vídeo.
A redução em volumes e o avanço das receitas cambiais do grão em março seguem a mesma tendência observada em janeiro e fevereiro de 2025, conforme apontado anteriormente pelo Cecafé. “O mercado continua operando com estoques baixos, enquanto as incertezas sobre a produção, causadas por irregularidades climáticas no Brasil e em outras origens produtoras, elevam a pressão sobre a oferta. Ao mesmo tempo, a demanda permanece aquecida em diversos mercados internacionais”, destaca.
O presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, afirmou em nota que é possível perceber um esfriamento do mercado diante das incertezas provocadas pelo tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo ele, as medidas impactaram diversas economias globais e contribuíram para a instabilidade nos mercados, incluindo o setor cafeeiro.
No acumulado do primeiro trimestre, o país embarcou 10,707 milhões de sacas de café, uma queda de 11,3%. Já as receitas no período seguem a mesma tendência de recordes, com US$ 3,887 bilhões, um avanço de 54,3%. Na conversão para o real, a receita foi de R$ 22,7 bilhões, um crescimento de 82% na comparação com o mesmo período de 2024.
“É compreensível a redução no volume de embarques após sairmos de um ano recorde em 2024 e de três safras que não alcançaram seu potencial produtivo total. Além disso, persistem os gargalos logísticos nos portos do país, que impactam o desempenho das remessas ao exterior e oneram ainda mais o processo aos exportadores”, explicou o presidente do Cecafé.
Na análise parcial do ano safra — de julho a março de 2025 —, o Brasil exportou 36,885 milhões de sacas de café, um aumento de 5% em relação aos nove primeiros meses da safra anterior. O volume foi responsável por gerar US$ 11,095 bilhões em receitas para o país, um avanço de 58,2%. Segundo Marcos Matos, ambos os desempenhos são os maiores da história registrada pelo Cecafé para esse intervalo de safra no Brasil, com preço médio de quase US$ 301 por saca.

Exportações de café arábica batem recorde no ano safra
No ano safra (julho a março), o Brasil atingiu um volume recorde de exportações de cafés verdes arábicas, com quase 28 milhões de sacas embarcadas — um crescimento de 5% em relação ao mesmo período da safra anterior. O café solúvel também teve destaque, com embarque de 3,2 milhões de sacas de café verde equivalente, o que representa um aumento de 19% no comparativo anual.
Nos três primeiros meses de 2025, a exportação de café arábica atingiu 9,012 milhões de sacas, cerca de 84,2% do total das exportações do setor, apesar de uma leve queda de 2,7% frente ao mesmo período do ano passado.
Na sequência, está o café solúvel, com 977.605 sacas remetidas para fora do país, uma alta de 7,9% na comparação com os três primeiros meses do ano passado. Esse tipo de produto respondeu por 9,1% das exportações totais no período atual.
Os canéforas (conilon + robusta), com 703.168 sacas, tiveram um recuo de 62,8% e representaram 6,6% do total. Já o produto torrado e moído, com 13.894 sacas, completaram a lista, com avanço de 46,1% e 0,1% de representatividade.
Europa lidera, mas BRICS e Leste Europeu ganham destaque
A Europa foi o principal continente de destino do café brasileiro no primeiro trimestre, responsável por 49% dos embarques, o equivalente a 5,2 milhões de sacas. Na sequência, vêm a Ásia (22,2% dos embarques, com quase 2,4 milhões de sacas), América do Norte (20,6%) e América do Sul (4,2%).
Entre os blocos econômicos, a União Europeia manteve a liderança, absorvendo 42,1% das exportações, apesar de uma queda de 21%, atribuída à forte demanda do ano anterior e à adaptação às novas regras do mercado, como a lei antidesmatamento. Por outro lado, os BRICS apresentaram crescimento de 24%, os países do Leste Europeu avançaram 37% e o Oriente Médio cresceu 3%.
No ranking dos principais países compradores, os Estados Unidos lideram no primeiro trimestre, com a importação de 1,806 milhão de sacas (16,9% do total), apesar da queda de 11,7% na comparação anual. Na sequência, está a Alemanha, com 1,403 milhão de sacas (13,1% de representatividade e queda de 19,3%); Itália, com 800.318 sacas (queda de 15,8%); Japão, com 675.192 sacas (avanço de 10,1%); e Bélgica, com 500.300 sacas (recuo de 60,9%).
O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, também fala em vídeo sobre a expectativa de queda das cotações após novas políticas comerciais e destaca os números dos cafés especiais brasileiros.
O relatório completo das exportações dos cafés do Brasil está disponível no site do Cecafé.
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