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Economia

Confirmado primeiro caso de gripe aviária em granja comercial no Brasil

Contaminação aconteceu no Rio Grande do Sul; doença não é transmitida pelo consumo de carne de aves e ovos

Daumildo Júnior, Paloma Custódio e Mônica Rossi | Atualizada às 9h59

16/05/2025 - 08:20

Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) emitiu uma nota nesta sexta-feira, 16, confirmado a ocorrência do primeiro caso de gripe aviária (H5N1) em granja comercial. De acordo com a pasta, a detecção do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) ocorreu em um plantel de aves em Montenegro (RS).

“Esse é o primeiro foco de IAAP detectado em sistema de avicultura comercial no Brasil. Desde 2006, ocorre a circulação do vírus, principalmente na Ásia, África e no norte da Europa”, afirmou o Mapa em nota.

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Ainda conforme o Ministério, não há risco de transmissão pela ingestão de carne de frango ou ovos. A transmissão se dá com o contato intenso com o animal infectado (vivo ou morto). Mesmo entre os trabalhadores do setor avícola, o risco de contágio é baixo, segundo o Ministério.

O Mapa também informou que as medidas de contenção e erradicação da gripe aviária já estão sendo adotadas conforme o plano nacional de contingência. Uma delas é a declaração de estado de emergência zoossanitária no município de Montenegro, por 60 dias. A determinação foi publicada nesta sexta-feira, 16, no Diário Oficial da União. A medida é válida para a área que abrange 10 km ao redor do estabelecimento de aves comerciais onde foi detectada a ocorrência da infecção pelo vírus da IAAP. Segundo a publicação, a abrangência poderá ser alterada de acordo com a evolução das investigações epidemiológicas e dos trabalhos de vigilância zoossanitária animal.

A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente, além dos parceiros comerciais do Brasil estão recebendo a comunicação oficial do caso. 

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O Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), informou, em nota, que atendeu a granja suspeita em 12 de maio. Amostras foram coletadas e enviadas ao Laboratório Federal de Diagnóstico Agropecuário, em Campinas (SP), que confirmou o diagnóstico nesta sexta-feira. Segundo a pasta, a eliminação das aves restantes no estabelecimento já foi realizada.

A Seapi disse ainda que houve mortalidade de aves no Zoológico de Sapucaia do Sul, na grande Porto Alegre. O estabelecimento está fechado para visitação e a Secretaria aguarda o resultado do sequenciamento do material colhido. A nota afirma que a “população pode se manter segura, não havendo qualquer restrição ao seu consumo”.

Entidades colaboram com ações governamentais

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) emitiram nota afirmando que estão colaborando com as medidas de contenção. 

“As entidades confiam na rapidez das tratativas que serão adotadas pelo Ministério e pela Secretaria em todos os níveis, de tal forma que qualquer efeito decorrente da situação seja solucionado no menor prazo possível”, comunicaram as entidades. 

Ao Agro Estadão, o presidente da ABPA, Ricardo Santin, disse que a entidade está preparada. “O caso é pontual e o Mapa e Secretaria já estão no trabalho de contenção”, reforçou.

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Perguntado sobre o possível impacto nas exportações brasileiras, Santin disse que “a maioria dos mercados já aceita a regionalização [do estado de emergência zoossanitária] pelo raio de 10 km ou outros critérios. Agora vamos trabalhar com Mapa”.

A reportagem também entrou em contato com o presidente da Asgav, José Eduardo dos Santos. No entanto, ele não quis entrar em detalhes até que todas as informações estejam esclarecidas. Segundo ele, os dados ainda estão sendo compilados e serão divulgados em coletiva de imprensa pela Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul (Seapi), às 11h30, em Porto Alegre.

Como identificar a influenza aviária

A gripe aviária, também conhecida como influenza aviária, afeta, principalmente, aves silvestres e domésticas, mas, em casos raros, também pode contaminar humanos.

Nas aves os principais sintomas são: dificuldade respiratória; secreção nasal ou ocular; espirros; incoordenação motora; torcicolo; diarreia; e alta mortalidade.

Todas as suspeitas da gripe aviária devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura dos estados. No Rio Grande do Sul, essa comunicação deve ser feita para a Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.

Newcastle

Em 2024, 43 países fecharam as portas para produtos avícolas brasileiros após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em uma granja de frangos de corte no município de Anta Gorda, também no Rio Grande do Sul. A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconheceu, em outubro passado, o fim do foco no RS, mesmo assim as perdas no estado com o fechamento dos mercados ultrapassaram US$ 180 milhões.

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