Economia
Abrafrigo: embarques de carne bovina em 2025 alcançam 3,853 mi de t
De acordo com o MDIC, receita cambial avançou 39,80%, para US$ 18,365 bilhões, ante US$ 13,136 bilhões em 2024
Broadcast Agro
26/01/2026 - 15:20

A exportação brasileira de carne bovina (considerando carnes in natura e industrializada, miudezas comestíveis e outros subprodutos da cadeia produtiva) registrou o melhor desempenho histórico em 2025, consolidando o setor como um dos principais ativos estratégicos da balança comercial brasileira.
Os embarques somaram 3,853 milhões de toneladas, crescimento de 20,68% em relação ao ano anterior (3,193 milhões de t). A receita cambial avançou 39,80%, para US$ 18,365 bilhões, ante US$ 13,136 bilhões em 2024, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo).
A associação destacou, em nota, que, mais do que um recorde pontual, o resultado sinaliza uma mudança de nível do setor: a carne bovina deixou de ser apenas uma commodity cuja exportação é lastreada em volume para mercados menos exigentes para se afirmar como fonte relevante de geração de divisas, atendendo aos mais exigentes e sofisticados mercados em um momento de profundas mudanças e reconfiguração do comércio mundial. “Em 2025, a carne bovina foi o segundo produto mais importante da pauta de exportações agropecuárias e o quarto da pauta geral, ficando atrás apenas de petróleo, soja e minério de ferro”, ressaltou a Abrafrigo.
O avanço em faturamento em 2025, segundo a Abrafrigo, refletiu uma combinação rara: aumento consistente de volume aliado à valorização dos preços médios ao longo do ano. A carne bovina in natura, que representou 90% das exportações do setor, teve crescimento de 42,3% em relação a 2024, alcançando US$ 16,59 bilhões, com volume de 3,083 milhões de toneladas embarcadas (+21,12%).
“O desempenho mensal ao longo de 2025 foi marcado por sucessivos recordes, indicando não apenas demanda firme, mas também competitividade e maior capacidade do Brasil de capturar valor em um mercado cada vez mais afetado por questões geopolíticas e econômicas”, disse a associação. Ao todo, o Brasil exportou carne bovina para 177 destinos, reforçando uma estratégia de diversificação que busca ampliar oportunidades e reduzir riscos, apesar de ainda haver elevada dependência de mercados chave, como a China.
O país asiático respondeu por 48,2% das exportações do setor, com US$ 8,845 bilhões, que representam crescimento de 47,75% em relação ao resultado de 2024. Quando se considera apenas carne bovina in natura, a participação chinesa foi de 53,3% das receitas e 53,5% do volume embarcado. Além disso, os 10 principais destinos da carne bovina brasileira representaram 83,8% das receitas, indicando elevada concentração.
Tarifaço e acordo Mercosul-UE
Os Estados Unidos, segundo maior destino, com 11,24% de participação, geraram US$ 2,064 bilhões em receitas cambiais, com crescimento de 25,9% em relação a 2024, apesar das tarifas adicionais do governo norte-americano que causaram impacto no setor de agosto a outubro de 2025. “Para 2026, espera-se que as vendas para os Estados Unidos mantenham firme crescimento, enquanto o déficit de produção e os preços da carne bovina estiverem elevados naquele país”, comentou a Abrafrigo.
Na sequência, aparecem União Europeia, Chile, México, Rússia, Filipinas, Egito, Hong Kong e Arábia Saudita, mercados com perfis distintos de consumo e exigências técnicas e sanitárias, o que amplia a complexidade da produção, mas também o alcance do produto brasileiro. Um dos melhores desempenhos de 2025 veio da União Europeia, onde as exportações cresceram 76,5%, para US$ 1,049 bilhão, em valores, e 57%, para 128 mil toneladas, em volume. Apenas as vendas de carne bovina in natura para o bloco europeu cresceram 89%, para US$ 906,9 bilhões, com valores médios de exportação de US$ 8.439 por tonelada.
Conforme a Abrafrigo, “a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia abre uma janela de oportunidades para a ampliação de mercado, apesar de limitações impostas por regras de salvaguardas pelo lado europeu consideradas draconianas, as quais podem limitar significativamente os ganhos comerciais para a carne brasileira”.
Após dois anos de crescimento vertiginoso, o setor de carne bovina brasileiro enfrenta um teste sutil. Para a Abrafrigo, a rápida expansão provavelmente dará lugar à consolidação, com a abertura e o avanço gradual em novos mercados tecnicamente complexos, como Japão e Coreia do Sul, além da efetiva conquista do Vietnã, aberto em 2025, mas que ainda não aprovou a habilitação da grande maioria dos frigoríficos brasileiros.
“A viabilização de novos mercados terá papel fundamental para a manutenção do forte protagonismo conquistado pela carne bovina brasileira no mercado mundial. Afinal, o ano de 2026 será desafiador em função de disputas geopolíticas, de tendências de acirramento de guerras comerciais e tarifárias e das medidas de salvaguardas comerciais impostas pela China, as quais limitam as importações de carne bovina do Brasil, livres de tarifa extracota de 55%, a 1,1 milhão de toneladas”, concluiu a Abrafrigo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Economia
1
Em investigação, China aponta 'dano grave' à indústria de carne bovina e notifica OMC e exportadores
2
Fim do papel: produtores rurais terão de emitir nota fiscal eletrônica em 2026
3
Feiras do agro 2026: calendário dos principais eventos do setor
4
Começa a valer obrigatoriedade de emissão de nota fiscal eletrônica
5
Salvaguarda à carne bovina: Câmara Brasil-China vê desfecho favorável ao setor brasileiro
6
Menos pão, mais carne: canetas emagrecedoras redesenham demandas do agro brasileiro
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Economia
Balança comercial tem superávit de US$ 252 milhões na 4ª semana do ano
Agropecuária registra o maior crescimento, de 16,2%, e soma R$ 3,20 bilhões; MDIC espera saldo entre R$ 70 bi e R$ 90 bi até o fim do ano
Economia
Exportações chinesas de fertilizantes fosfatados são as menores em 12 anos
Dados são de levantamento da StoneX; redução do volume mantém preços firmes e exige cautela no planejamento de compras no Brasil
Economia
China bate recorde na produção de grãos com 714,9 milhões de toneladas
Produção chinesa foi 8,4 milhões de toneladas maior em 2025, apesar de adversidades climáticas nas regiões produtoras
Economia
Ingressos para a Agrishow 2026 já estão à venda
Primeiro lote oferece entradas a partir de R$ 37,50 e pacotes de estacionamento antecipado
Economia
UE diz estar pronta para implementar acordo provisório com Mercosul
Declaração foi feita ao fim da cúpula da UE em Bruxelas, após líderes nacionais levantarem o tema em debates sobre rumos e decisões do bloco
Economia
Peru habilita primeiras unidades brasileiras para exportar farinhas bovinas
Mercado aberto em 2024 tem primeiras habilitações, permitindo os embarques de farinha de carne e ossos e hemoderivados.
Economia
Aprosoja MT: piso mínimo do frete amplia custo e compromete competitividade
Para a entidade, atual metodologia tem inconsistências estruturais relevantes e desconsidera a dinâmica real do mercado
Economia
São Paulo firma parceria com fundo sueco para expandir cadeia do biometano
Projeto prevê R$ 5 milhões para estudos de expansão da produção de biometano e e aproveitamento de resíduos do setor sucroenergético