PUBLICIDADE

Economia

Cotas e salvaguardas limitam impacto do acordo Mercosul-UE para carne bovina

Segundo Abiec, redução da Cota Hilton melhora competitividade do setor, mas salvaguardas limitam entre 5% e 7% a expansão em volume anual

Nome Colunistas

Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com

20/01/2026 - 05:00

Acordo Mercosul-UE traz mudanças na Cota Hilton para exportação de carne à Europa. Foto: Adobe Stock
Acordo Mercosul-UE traz mudanças na Cota Hilton para exportação de carne à Europa. Foto: Adobe Stock

A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, no último sábado, deve trazer ganhos moderados para as exportações brasileiras de carne bovina. A avaliação é da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), que projeta um crescimento anual de cerca de 5% nos embarques ao bloco europeu, após a entrada em vigor do tratado.

Segundo a entidade, o avanço tende a ser limitado pelas medidas de salvaguarda impostas pela União Europeia, que funcionarão como uma trava para as importações que avançarem mais de 5%. “É positivo [o acordo], amplia oportunidades e capilariza mercados, mas não é um acordo solucionador para a carne bovina”, avaliou Roberto Perosa, presidente da Abiec. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira, 19, Perosa salientou que, atualmente, a principal porta de entrada da carne bovina brasileira na Europa é pela tradicional Cota Hilton — que estabelece um volume limite de exportação de cortes bovinos. Essa cota é destinada a cortes nobres do traseiro bovino que têm um maior valor agregado. Dentro do bloco europeu, os principais destinos dessas carnes são Itália, Países Baixos, Alemanha e Bélgica. Porém, trata-se de um mercado restrito em volume.

O acordo, no entanto, traz mudanças na Cota Hilton. Com a entrada em vigor do tratado, a tarifa aplicada a esses embarques será reduzida gradualmente, de 20% para 0%, o que aumenta a competitividade da carne brasileira. “Há espaço para crescer em valor, mas as salvaguardas limitam avanços expressivos em tonelada”, salientou. 

Além disso, o acordo Mercosul–UE estabelece uma cota adicional de 99 mil toneladas de carne bovina, em peso carcaça, para que os países do Mercosul exportem aos europeus. Desse total, 55% serão destinados a carne resfriada e 45% a carne congelada, com tarifa intraquota de 7,5%. O volume será liberado de forma gradual, em seis etapas, o que, segundo a Abiec, dilui o impacto no curto prazo.

Pelo desenho acordado no Fórum Mercosul da Carne, em 2019 — ano em que houve a expectativa de assinatura do acordo —, o Brasil deverá ficar com cerca de 42% dessa cota, o equivalente a aproximadamente 40 mil toneladas, embora a liberalização total só deva ocorrer em 2032. “Tem países querendo rever essa cota. Mas, na prática, isso não significa um salto imediato nas exportações. O incremento deve ficar entre 5% e 7% ao ano, considerando tarifas ainda existentes e o apetite do mercado europeu”, avaliou o presidente da Abiec.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

Banco do Brasil projeta acolher R$ 1 bi em financiamentos na Expodireto Cotrijal

Economia

Banco do Brasil projeta acolher R$ 1 bi em financiamentos na Expodireto Cotrijal

Banco acredita na recuperação gradual do caixa do produtor gaúcho com a produtividade preservada e ajustes financeiros

Preços globais dos alimentos sobem após cinco meses de queda

Economia

Preços globais dos alimentos sobem após cinco meses de queda

Alta de 0,9% em fevereiro foi impulsionada por trigo, óleos vegetais e carnes, segundo FAO

Nota de crédito da Raízen sofre novo corte em meio à reestruturação

Economia

Nota de crédito da Raízen sofre novo corte em meio à reestruturação

Entre as medidas de reestruturação, Raízen estuda recorrer a um processo de recuperação extrajudicial.

Exportações de carne bovina crescem 23,9% em fevereiro

Economia

Exportações de carne bovina crescem 23,9% em fevereiro

Exportações de carne de frango e suína também crescem em fevereiro, com alta em volume e faturamento

PUBLICIDADE

Economia

China define menor meta de crescimento em mais de três décadas

Meta reflete cautela de Pequim diante de demanda interna fraca, crise no setor imobiliário e incertezas no cenário econômico global.

Economia

Aprosoja-MT critica impacto da ‘taxa do agro’ e pede mudanças no Fethab

Entidade diz que, com custos altos, crédito escasso, clima adverso e inadimplência crescente, o Fethab encarece ainda mais a produção no campo

Economia

Vendas de tratores recuam 17,1% em janeiro frente a 2025

Para a Fenabrave as vendas de tratores refletem a piora nas condições de financiamento do setor e o aumento do custo do crédito rural

Economia

Brasil vai exportar carne bovina e de frango para as Ilhas Salomão

A nova autorização amplia a presença do agronegócio nacional no mercado do arquipélago composto por mais de 900 ilhas

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.