Clima
O inverno vem aí: frio pontual no Sul deve beneficiar lavouras de trigo e frutas
No centro do país, o tempo seco deve se firmar e as chuvas devem se concentrar nos extremos, como no Norte e no litoral do Nordeste
Paloma Santos | Brasília
16/06/2025 - 10:30

O inverno de 2025 começa oficialmente às 23h42 da próxima sexta-feira, 20, e deve trazer temperaturas mais baixas no Sul do Brasil, com impacto positivo para lavouras de trigo e frutas. As previsões apontam que, embora este inverno não seja rigoroso, o frio esperado será suficiente para garantir um bom desenvolvimento a essas culturas.
No início da estação, o tempo seco se firma no centro do país. A chuva se concentra nos extremos, especialmente no Norte e no litoral do Nordeste, favorecendo áreas produtoras de cana-de-açúcar.
No decorrer das semanas, a expectativa dos especialistas é de temperaturas acima da média em diversas regiões. Tanto a Nottus quanto a Tempo OK preveem ondas de frio pontuais, principalmente entre o fim de junho e início de setembro.
Paulo Lombardi, meteorologista da Tempo OK, destaca que “o inverno ainda terá episódios de ondas de frio, algumas intensas, que podem atingir o centro do país, mas serão menos frequentes”.
A meteorologista Desirée Brandt, da Nottus, aponta que o frio vai beneficiar especialmente as áreas produtoras de frutas e trigo. “Isso se refere à região sul do Brasil, porque, nos dois últimos anos, faltou frio, por exemplo, para as lavouras de trigo, que necessitam de algumas horas com temperaturas mais baixas para o seu metabolismo”, afirmou ao Agro Estadão.
O risco de geadas nas principais áreas agrícolas é considerado baixo. Brandt reforça que “as mais importantes áreas produtoras de café não correm risco para a formação de geada”.

Inverno menos rigoroso
Neste ano, a estação ocorre sob neutralidade no Oceano Pacífico, sem atuação de El Niño ou La Niña. “Isso faz do nosso inverno uma estação dentro do que é esperado […] com o período seco no centro do Brasil e a chuva concentrada nos extremos do país”, explica Brandt. Apesar disso, a ausência de fenômenos climáticos dominantes permite a ocorrência de episódios atípicos, como chuvas em áreas onde normalmente o tempo é seco nesta época.
As duas previsões apontam para um inverno mais quente e úmido em boa parte do país. De acordo com Paulo Lombardi, as temperaturas podem ficar até 2°C acima da média, especialmente no Paraná, Sudeste e Centro-Oeste. Também são esperadas chuvas acima da média em Estados como São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de Minas Gerais.

Matriz energética
No setor energético, de acordo com o especialista, a previsão de maior volume de chuvas em junho poderá favorecer os reservatórios das hidrelétricas no Sudeste e Sul, que concentram cerca de 70% da capacidade de armazenamento nacional. Lombardi projeta “uma leve recuperação no volume útil”, o que deve repercutir na geração de energia hidrelétrica, ainda que os benefícios dependam da distribuição das chuvas.
Segundo ele, a geração solar pode enfrentar dificuldades temporárias entre junho e julho no Centro-Oeste, Sudeste e interior do Nordeste, devido à maior nebulosidade. Por outro lado, a geração eólica no Nordeste tende a melhorar entre agosto e setembro com ventos mais constantes. “Os ventos tenderão a ser mais favoráveis no final do inverno (agosto e setembro) do que no início (junho e julho), dada a influência positiva da circulação de alta pressão mencionada, o que contribuirá para o equilíbrio da matriz elétrica nacional”, afirma Lombardi.
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