Clima
Agência norte-americana eleva para 71% a chance de La Niña
Fenômeno deve ser fraco e curto, mas pode trazer mais chuva ao Norte e ao Nordeste, e estiagens ao Sul, segundo especialistas
Paloma Santos | Brasília | paloma.santos@estadao.com
12/09/2025 - 16:16

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (da sigla em inglês NOAA) elevou para 71% a probabilidade de ocorrência de La Niña entre outubro e dezembro deste ano. O boletim, divulgado nesta quinta-feira, 11, pelo Centro de Previsão Climática da agência americana, indica que a transição do atual cenário neutro deve ocorrer nas próximas semanas.
A La Niña é um fenômeno climático caracterizado pelo resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, o que altera a circulação dos ventos e o regime de chuvas em várias partes do mundo. No Brasil, costuma trazer mais chuva para o Norte e o Nordeste, e estiagens prolongadas para o Sul.
O meteorologista Paulo Lombardi, da Tempo OK, ressalta que o fenômeno será breve e de baixa intensidade. “É importante salientar que, embora a chance de La Niña tenha aumentado para 71%, o fenômeno será fraco e com curta duração. No início de 2026, ele deverá se dissipar totalmente, retornando uma neutralidade”, afirmou.
Segundo ele, a atmosfera sentirá os efeitos sobretudo em novembro. “A chuva será mais intensa no Norte e Nordeste, enquanto o Sul terá estiagem”, disse. Lombardi acrescenta que outros oceanos reforçam o cenário. “O Índico, com sua porção oeste mais fria e a leste mais quente, índice chamado de Oscilação do Dipolo do Índico em sua fase negativa, costuma ser um indicador de formação de La Niña no Oceano Pacífico. E este índice tem ficado cada vez mais negativo nos últimos meses.”
O especialista lembra que, para ser considerado um evento clássico de La Niña, o fenômeno precisaria durar pelo menos cinco trimestres seguidos, o equivalente a 15 meses. No cenário atual, ele deve se limitar a dois trimestres, caracterizando uma situação de neutralidade com viés frio, e não um episódio típico e prolongado.
De acordo com a NOAA, após o período que vai até dezembro, a chance de continuidade do fenômeno cai para 54% no trimestre de dezembro a fevereiro de 2026.
A agência norte-americana divulgará nova atualização em 9 de outubro.

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