Agropolítica
Missão ao México rende abertura de mercado e alívio tarifário ao Agro
Auditorias mexicanas para habilitar novas plantas frigoríficas devem começar no próximo dia 14
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
29/08/2025 - 12:05

A viagem da comitiva brasileira ao México gerou resultados positivos para a agropecuária do Brasil, na visão do ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro. Um dos anúncios feitos pelo chefe da pasta é um novo mercado.
“Abrimos o mercado das farinhas bovinas e suínas para o México, para ganhar competitividade e mais oportunidades”, disse o ministro em vídeo divulgado nesta sexta-feira, 29, após o encerramento dos dias de visita ao país latino-americano. Ainda conforme Fávaro, a contrapartida brasileira será a abertura para atum e derivados, pêssego e aspargos originados do México.
Outra questão que avançou foi a prorrogação do Pacote Contra Inflação e Escassez (Pacic, na sigla em espanhol). Como adiantado pelo Agro Estadão, o tema estava na pauta de negociação. A sinalização dada ao governo brasileiro é de que esse programa de isenção de importação de alimentos deve ser prorrogado por pelo menos mais um ano.
Setor de aves e suínos comemora prorrogação
Ao Agro Estadão, o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou que o principal ganho para a avicultura e suinocultura brasileira foi o indicativo de extensão do Pacic. A preocupação era de que a retirada das isenções afetasse a competitividade.
“O Pacic possibilitou a gente ter um ganho de competitividade muito grande. No caso do suíno, a tarifa que era de 16% caiu para zero. No caso do frango, a tarifa era proibitiva de 75% e cai para zero também”, afirmou.
Outra questão levada para a mesa de discussão foi a regionalização da suspensão de exportações em caso de gripe aviária. Santin também comemorou esse aceno feito por parte do governo mexicano. Apesar disso, ainda não há uma definição se a regionalização será por estado, por município ou outra área.
O desfecho da viagem só não foi de todo positivo porque uma das pautas levadas pelas ABPA era o reconhecimento dos Estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Rondônia e Acre como livres de febre aftosa sem vacinação. A doença também pode afetar os suínos e alguns mercados impõem esse critério para fazer comércio. No caso do Brasil, apenas Santa Catarina tem o status reconhecido pelo governo do México, sendo o único Estado que exporta para lá.
De acordo com o presidente da associação, os mexicanos não deram indicativo com relação ao pleito brasileiro. “Não tivemos resultado. Está sob análise, ainda. É aguardar”, afirmou Santin.
Carne bovina também teve avanços
O México se tornou o segundo principal destino das exportações brasileiras de carne bovina. Um dos avanços obtidos com a viagem foi o estabelecimento de uma data para início das auditorias mexicanas que visam ampliar a lista de frigoríficos brasileiros habilitados a exportar a proteína. Segundo apurou a reportagem, a partir do dia 14 de setembro o México deve iniciar os trabalhos. A expectativa é de que 14 plantas sejam habilitadas.
O país latino também chamou o Brasil para tratar sobre a rastreabilidade bovina. “Criamos um calendário, acompanhamento do programa brasileiro, sem interrupção das exportações do Brasil para cá”, disse Fávaro.
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