Agropolítica
Milei corta imposto sobre exportações de grãos e carne
Mesmo após cortes nas alíquotas, especialista aponta que agro brasileiro segue mais competitivo frente à Argentina
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
28/07/2025 - 17:24

O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou uma redução permanente nas alíquotas de exportação sobre diversos produtos do agronegócio, como soja, milho, girassol, carne bovina, aves e seus derivados. A medida, uma antiga demanda do setor agropecuário argentino, tem como objetivo impulsionar a competitividade do campo, segundo o governo.
As tarifas sobre farelo e óleo de soja, produtos dos quais a Argentina é o maior exportador global, serão reduzidas de 31% para 24,5%. Para a soja em grão, a alíquota cairá de 33% para 26%, enquanto a do milho passará de 12% para 9,5%. Já a carne bovina pagará 5%, ante os 6,75% cobrados atualmente.
Conforme noticiado pelo Agro Estadão em janeiro, o governo de Milei tinha anunciado uma redução das tarifas de exportação até o final de junho. Em maio, a gestão decidiu prorrogar a medida até 2026, mas excluindo soja e milho, que agora foram contemplados.
Mudanças no cenário global?
Na avaliação de Enio Fernandes, analista da Terra Agronegócios, a medida anunciada por Milei tende a melhorar a rentabilidade dos produtores argentinos, mas não deve alterar de forma significativa o cenário global de oferta. “Na prática, quem arca com esses tributos são os próprios produtores. O preço no porto não muda. Então, o corte representa um alívio na margem dos agricultores, estimulando a atividade, mas não necessariamente significa um maior volume exportado”, explicou.
Fernandes salienta que, apesar do gesto do governo argentino, as alíquotas continuam elevadas para padrões internacionais, impactando a capacidade de capitalização dos produtores. Assim, de acordo com ele, o efeito imediato da medida será mais interno do que externo. “Essas mudanças dão fôlego à produção local, mas não devem alterar muito a competitividade da Argentina frente ao Brasil, que é extremamente competitivo e continuará sendo depois da redução das retenciones”, ressaltou.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agropolítica
1
Proposta no Congresso pode flexibilizar porte de arma em propriedades rurais; entenda
2
Ministério da Pesca cria grupo para discutir Registro Geral da Atividade Pesqueira
3
O chapéu vai ser proibido no campo? Entenda essa polêmica
4
Novo projeto no Congresso busca evitar colapso da cadeia do leite; entenda
5
Anvisa aprova cultivo de cannabis, mas especialistas veem impacto limitado
6
Bancos públicos vão passar por auditoria para verificar práticas de venda casada
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agropolítica
Governo libera mais R$ 73,6 milhões para ajudar arrozeiros
Desde 2024, foram mais de R$ 716 milhões em medidas de apoio ao setor de arroz
Agropolítica
Coalizão dos Biocombustíveis quer SAF e diesel verde como prioridade em Fundo de Transição Energética
Contribuições setoriais para o mapa da transição energética do Brasil, será entregue ao governo federal na segunda semana de março
Agropolítica
Alckmin diz que enviará proposta sobre salvaguardas brasileiras no acordo Mercosul-UE
Câmara dos Deputados aprova acordo provisório entre Mercosul e União Europeia e texto segue para análise do Senado
Agropolítica
China “nunca” disse que não habilitaria novos frigoríficos, diz encarregado de Comércio Internacional do Mapa
Setor acredita que novas habilitações podem ocorrer ainda neste ano; distribuição de cotas pode ser discutida nesta semana
Agropolítica
Decreto atualiza regras para fiscalização de fertilizantes e bioinsumos
Medida atualiza normativas e procedimentos
Agropolítica
Câmara pode votar acordo Mercosul-UE ainda nesta semana, diz relator
Parlamentares e Executivo também se mobilizam para que decreto com salvaguardas brasileiras saia nos próximos dias
Agropolítica
Ministério da Agricultura suspende importação de cacau da Costa do Marfim
Medida foi tomada por conta de risco sanitário; CNA afirma que decisão é fundamental para proteger a produção nacional
Agropolítica
Governo revoga decreto de Hidrovia do Tapajós após ocupação indígena
Decisão foi negociada entre os ministérios dos Povos Indígenas e de Portos e Aeroportos; prazo para desocupação é de 48 horas.