PUBLICIDADE

Agropolítica

Mesmo sem taxação das LCAs, bancada ruralista se mantém contrária a proposta

Apesar disso, o presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion, afirma que não deve haver encaminhamento para a derrubada do texto

Nome Colunistas

Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com

07/10/2025 - 16:05

Frente Parlamentar manifestou posicionamento contrário à MP em reunião nesta terça-feira, 7. Foto: FPA/Divulgação
Frente Parlamentar manifestou posicionamento contrário à MP em reunião nesta terça-feira, 7. Foto: FPA/Divulgação

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) mantém posição contrária à medida provisória (MP) 1303/2025 nas votações previstas para esta terça-feira, 7, e quarta-feira, 8. A proposta altera as tributações de uma série de aplicações financeiras.  

O principal ponto contestado pela bancada era a criação de uma alíquota sobre as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), que atualmente são isentas. Na última atualização do relatório, o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP) manteve esses títulos isentos, assim como as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Mesmo assim, a manifestação dos parlamentares da bancada ainda é contrário ao texto.   

CONTEÚDO PATROCINADO

“O que está acontecendo hoje com o texto apresentado pelo relator é que ele simplesmente mantém o status quo, ou seja, não ganhamos absolutamente nada. Mantém a isenção de tributação das LCAs, que é algo que a gente estava alertando desde o começo que não poderia acontecer. Então, não nos deu nada, absolutamente. Pelo contrário, os avanços que a gente teve no texto, que foi publicado anteriormente nas negociações que tínhamos feito, sobre as questões agropecuárias, foram retirados. […] A gente mantém o posicionamento contrário”, disse o presidente da FPA, deputado federal Pedro Lupion (PP-PR).

Apesar disso, o entendimento nos bastidores é que, sem as LCAs, não há necessidade de um encaminhamento de orientação pela derrubada. Porém, também não deve haver um apoio ao texto. Membros da diretoria, por exemplo, devem votar contra a MP, como o próprio presidente. Segundo Lupion, o tema agora “está na mão dos líderes partidários hoje”, que irão tomar as decisões de orientação dos partidos. 

Quanto aos avanços que a bancada contesta ter perdido com o novo relatório, tratam-se da previsão de compensação de créditos de PIS/COFINS acumulados na produção de biocombustíveis. Além disso, o penúltimo relatório retirava a tributação de bioinsumos e rações bovinas. O atual texto não contempla nenhum desses dois pontos. 

PUBLICIDADE

Após participar da reunião-almoço da FPA nesta terça-feira, 7, Lupion também justificou que essa posição da bancada é devido ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A proposta inicial da MP era que as mudanças na tributação das aplicações financeiras serviriam para retirar o aumento do IOF anunciado em maio. De acordo com chefe da bancada, o governo não deve recuar desse aumento, mesmo com uma possível aprovação da MP, o que representaria mais incremento de impostos. “Eu não tenho nem dúvida disso [de que o governo não vai recuar].. Lógico que não há interesse, nem o governo recua nesse sentido”, acrescentou o deputado a jornalistas. 

Por ser uma medida provisória, o prazo de validade vence nesta quarta ou a proposta irá caducar. Para que a MP continue valendo, o Congresso Nacional tem que aprovar o texto até esse limite. Está prevista para esta terça a votação na Comissão Mista da MP. Se passar, ainda precisa ser aprovada pelos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. Segundo Lupion, já há um pré-anúncio para que o texto seja apreciado no Senado na quarta.

IPA pede que MP seja rejeitada

Em ofício encaminhado a FPA na tarde desta terça, o Instituto Pensa Agropecuária (IPA) manifestou “profunda preocupação” com a MP 1303 e o aumento do IOF. “Essas medidas impactam diretamente o financiamento da atividade agropecuária (crédito e seguro rural), elevam os custos de produção, afetando produtores, investidores e consumidores em todo o País”, destacou no documento a presidente da entidade, Tania Zanella. 

Na manifestação, o IPA aponta que a carga tributária no país subiu de 23,55% para 32,44% no intervalo temporal de 1991 até 2023, sendo a maior parte de impostos federais. Conforme a entidade, essa pressão por arrecadação tem impactos diretos nas agroindústrias e no setor produtivo brasileiro. 

“A elevação do IOF encarece operações de crédito e de câmbio, com impacto direto nas importações de insumos agrícolas e na competitividade das exportações do setor. [A MP 1303] Também amplia a tributação sobre Juros sobre Capital Próprio (JCP), reduzindo a atratividade do investimento e encarecendo o capital de giro — fundamental para cooperativas, agroindústrias e empresas de base rural”, complementou Zanella.

Ao final, a presidente pediu que os parlamentares rejeitem a MP e “todas as medidas que aumentem a carga tributária sobre a produção, a renda e os instrumentos de financiamento da agropecuária”.

Siga o Agro Estadão no WhatsApp, Instagram, Facebook, X, Telegram ou assine nossa Newsletter

PUBLICIDADE

Notícias Relacionadas

'Expectativa é de que vigência ocorra neste ano', diz Alckmin sobre acordo Mercosul-UE

Agropolítica

'Expectativa é de que vigência ocorra neste ano', diz Alckmin sobre acordo Mercosul-UE

Senado já começa a se movimentar para acelerar tramitação no Brasil; assinatura do acordo pode ser feita no dia 17 de janeiro

‘Momento histórico’, avaliam Lula e Fávaro após aprovação do acordo Mercosul-UE

Agropolítica

‘Momento histórico’, avaliam Lula e Fávaro após aprovação do acordo Mercosul-UE

Lula classifica tratado como “vitória da negociação”, enquanto Fávaro destaca a ampliação das oportunidades para a agropecuária

Atenção, viajantes: governo atualiza norma para entrada de alimentos no País; veja o que muda

Agropolítica

Atenção, viajantes: governo atualiza norma para entrada de alimentos no País; veja o que muda

Regra vale para aeroportos, portos e postos terrestres; entre as exigências, está a obrigatoriedade de informar visitas a áreas agropecuárias

Conab poderá comprar 50 mil toneladas de milho em 2026

Agropolítica

Conab poderá comprar 50 mil toneladas de milho em 2026

Governo Federal prevê até R$ 80 milhões para o Programa de Venda em Balcão em 2026; Normativa estabelece ainda condições para os leilões

PUBLICIDADE

Agropolítica

Morre pesquisador do IAC considerado o pai do feijão-carioca

Causa da morte de Luiz D’Artagnan de Almeida não foi divulgada

Agropolítica

LDO 2026: veto de Lula retira proteção a gastos com seguro rural e Embrapa; FPA reage

O dispositivo vetado integralmente pelo presidente da República também incluía despesas com defesa agropecuária e ações de regulação e fiscalização

Agropolítica

Fávaro: Brasil mira cotas de exportação não cumpridas por outros países na China

Ministro afirma que essa possibilidade de compensação nas vendas de carne bovina é considerada estratégica em negociações com os chineses

Agropolítica

Rio Grande do Sul implanta monitoramento para prever nível dos rios

Novo serviço de modelagem hidrodinâmica permite identificar áreas de risco e apoiar ações preventivas da Defesa Civil e municípios

Logo Agro Estadão
Bom Dia Agro
X
Carregando...

Seu e-mail foi cadastrado!

Agora complete as informações para personalizar sua newsletter e recebê-la também em seu Whatsapp

Sua função
Tipo de cultura

Bem-vindo (a) ao Bom dia, Agro!

Tudo certo. Estamos preparados para oferecer uma experiência ainda mais personalizada e relevante para você.

Mantenha-se conectado!

Fique atento ao seu e-mail e Whatsapp para atualizações. Estamos ansiosos para ser parte do seu dia a dia no campo!

Enviamos um e-mail de boas-vindas para você! Se não o encontrar na sua caixa de entrada, por favor, verifique a pasta de Spam (lixo eletrônico) e marque a mensagem como ‘Não é spam” para garantir que você receberá os próximos e-mails corretamente.