Agropolítica
Importação de banana do Equador preocupa produtores de Minas Gerais
Setor teme desequilíbrio no mercado interno e alerta para riscos sanitários de pragas e doenças que não existem no Brasil
Redação Agro Estadão
03/10/2025 - 15:31

A possibilidade de o Brasil autorizar a importação de banana do Equador tem gerado apreensão entre produtores de Minas Gerais, terceiro maior produtor nacional da fruta, e de outras regiões do país.
Para os produtores, a entrada do produto equatoriano poderia desequilibrar o mercado interno. Contudo, mais do que os impactos econômicos, a preocupação é sanitária. “O Equador convive com doenças que não existem no Brasil, como o mosaico das brácteas da banana [doença viral que causa manchas nas folhas e nos cachos, reduzindo a produção da planta]”, alerta a analista de agronegócios do Sistema Faemg/Senar, Mariana Marotta.
Ela também menciona ainda que, recentemente, a imprensa do Equador confirmou um surto de uma doença conhecida como Fusarium, também conhecida como TR4 — uma praga que ataca seriamente as plantações de banana, especialmente a chamada raça 4 tropical. No Brasil, há registro da raça 2 do fungo, mas não da forma mais severa.
A fruticultora Hilda Andrea Loschi destaca que se essas pragas entrarem no País, podem comprometer toda a bananicultura nacional e colocar em risco a fruta mais consumida pelos brasileiros. “Não faz sentido abrir espaço para importação de um produto que já temos em abundância, com excelente padrão, e que sustenta milhares de famílias de pequenos e médios produtores”, afirma.
Atualmente, o Brasil é autossuficiente na produção de bananas e ainda exporta parte do que colhe. Somente no último ano, o País produziu 7,05 milhões de toneladas, cultivadas em mais de 473 mil hectares. Como resultado, foram movimentados cerca de R$ 16,1 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Mobilização do setor
O tema da possível importação de bananas do Equador voltou à pauta em agosto, após um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente equatoriano, Daniel Noboa. Foi sinalizada, na ocasião, a abertura do mercado brasileiro para a fruta. O assunto já havia sido discutido em 2018, mas a importação foi barrada por motivos fitossanitários.
Nesta semana, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou de uma reunião com produtores e entidades do setor e os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, para debater os riscos da entrada da banana equatoriana. O encontro foi articulado por associações como Confederação Nacional dos Bananicultores do Brasil (Conaban), Associação dos Bananicultores do Norte (Abanorte), Associação Brasileira dos Varejistas de Hortifrutigranjeiros (Abavar) e Federação Brasileira dos Bananicultores (Febanana).
As entidades representativas do setor destacaram a importância econômica e social da banana em regiões como Vale do Ribeira (SP), norte de Minas, Ceará, Bahia, Tocantins, Espírito Santo e para pequenas propriedades e comunidades quilombolas e indígenas.
Os representantes alertaram sobre a necessidade de participação ativa do setor e das instituições de pesquisa nas análises de risco de pragas, considerando tanto os riscos diretos, como a possibilidade de o fruto ser fonte de inóculo — ponto de partida para a doença se espalhar —, como contaminação por caixarias, pallets e embalagens.
Segundo a assessora técnica da CNA, Letícia Barony, a estrutura da cadeia produtiva brasileira — composta por mais de 200 mil produtores, sendo 80% agricultura familiar — torna inviável o controle de pragas caso elas ingressem no país. “Gerando grandes desafios para o Ministério da Agricultura e insegurança para os produtores”, apontou.
Os ministros, contudo, se comprometeram a acompanhar toda a análise sanitária da questão, garantir que não haverá ações de dumping e assegurar que os produtores brasileiros não sofram prejuízos no mercado interno. Além disso, eles garantiram a avaliação de oportunidades para ampliar a exportação e o consumo da banana nacional.
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