Agropolítica
Frentes parlamentares apresentam projeto de lei que regulamenta composição da cesta básica
Proposta lista produtos que terão alíquota zero e abre margem para que medida ocorra antes mesmo da implantação da Reforma Tributária
Daumildo Júnior | daumildo.junior@estadão.com
26/03/2024 - 15:41

Parlamentares de 24 frentes apresentaram nesta terça, 26, o projeto de lei complementar 35/2024 que regulamenta a composição da Cesta Básica Nacional de Alimentos (CeNA). Esses produtos terão alíquota zerada para o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novos tributos que passam a valer a partir de 2026 com a implantação da Reforma Tributária.
A proposta, que foi anunciada durante a reunião-almoço da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também permite que o Executivo Federal zere o PIS e Cofins sobre os itens da CeNA antes de 2026. A medida possibilita “auxiliar no controle do preço dos alimentos”, segundo a justificativa do projeto de lei que é assinado por 30 deputados.
De acordo com o texto, serão 19 classes de alimentos incluídos na cesta básica (Veja a lista dos itens abaixo). A proposta prevê, por exemplo, produtos de origem animal “independentemente da forma como apresentados” nas gôndolas. Na semana passada, o grupo de trabalho das frentes que discutia a elaboração do projeto ouviu o pedido do setor produtivo para a inclusão de produtos ultraprocessados na cesta básica.
Questionado sobre a isenção para produtos processados, o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), citou o exemplo do arroz. “O arroz [in natura] é isento, mas e o prato de arroz [vendido em restaurante]? É isento. Então, aquelas derivações que não sofrem processo industrial mas que são enriquecidas, elas estarão na cesta básica”, se posicionou o deputado após a reunião.
O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), disse que a bancada vai buscar zerar as tarifas sobre qualquer alimento. “A solução para aumentar a oferta de alimentos para a população está na mesa e vamos trabalhar para aprovar junto com o governo que, claro, deseja o mesmo”, ressaltou em nota.
Os itens previstos no projeto incluem a cesta básica do governo federal que foi instituída no início de março. O decreto que criou a listagem considera os produtos para políticas públicas de abastecimento e segurança alimentar.
Na visão do presidente da Frente Parlamentar do Empreendedorismo, deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), a intenção é não entrar em confronto com o governo sobre esses itens já previstos no decreto. “A ideia foi incorporar algumas coisas, fazer alguns arredondamentos, mas logicamente o que vai valer vai ser a discussão final”, disse Passarinho após a reunião.
A proposta de lei também deixa claro que não haverá incidência do imposto seletivo sobre os produtos da CeNA, ou seja, o denominado “imposto do pecado” (que será cobrado sobre produtos e serviços considerados prejudiciais ao meio ambiente e à saúde humana).
O projeto já foi protocolado na mesa diretora da Câmara dos Deputados, mas ainda não tem definidas as comissões pelas quais irá passar. O texto já nasce com o apoio de deputados considerados estratégicos como a presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), deputada Caroline de Toni (PL-SC), além do presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR). Vencida as etapas na Câmara dos Deputados, a matéria segue para o Senado Federal.
Confira os produtos que compõem a Cesta Básica Nacional de Alimentos prevista no projeto de lei:
- Proteínas animais, incluindo carne e demais produtos comestíveis frescos, resfriados, congelados, salgados, secos ou temperados, resultantes do abate de aves, leporídeos e gado bovino, bufalino, caprino, ovino e suínos, além de peixes, crustáceos e outros invertebrados aquáticos;
- Leite e laticínios, independentemente da forma como apresentados, inclusive soro de leite, leite em pó, integral, semidesnatado ou desnatado, leite fermentado, bebidas e compostos lácteos e fórmulas infantis, assim definidas conforme previsão legal específica, queijos, manteiga, requeijão e creme de leite;
- Margarina;
- Ovos de aves e mel natural;
- Produtos hortícolas, frutas e hortaliças;
- Café, chá, mate, especiarias e infusões;
- Trigo;
- Farinhas de trigo, rosca e mandioca;
- Milho;
- Farinhas de milho, tais como fubá, gritz de milho, canjiquinhas e flocos de milho;
- Demais farinhas derivadas de cereais e féculas, raízes e tubérculos;
- Pães, biscoito, bolos e misturas próprias;
- Massas alimentícias;
- Molhos preparados e condimentos;
- Açúcares, sal, óleos e gorduras;
- Arroz, feijão e pulses;
- Sucos naturais sem adição de açúcar e conservantes;
- Água mineral, natural ou potável, que tenha sido envasada, com ou sem gás;
- Castanhas e nozes (oleaginosas).
Isenção aos insumos agropecuários
Em entrevista após a reunião, o presidente da Frente Parlamentar do Livre Mercado, deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), disse que foi discutida a isenção aos insumos agropecuários, como fertilizantes, e defendeu a ideia de zerar esses produtos também.
“Muitos insumos têm efeito direto no custo final daquele produto, e muitas vezes esse produto não é o final, ele é insumo para outras coisas. […] A gente tem que zerar não só o produto final do produtor rural, mas os insumos que foram usados para que ele produza aquele produto”, afirmou Orleans.
Apesar da afirmação, o projeto de lei apresentado na reunião não cita insumos agropecuários. O deputado também não detalhou como seria feita essa diferenciação de tributos para esses produtos.
Siga o Agro Estadão no Google News e fique bem informado sobre as notícias do campo.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agropolítica
1
Ministério da Pesca cria grupo para discutir Registro Geral da Atividade Pesqueira
2
O chapéu vai ser proibido no campo? Entenda essa polêmica
3
Novo projeto no Congresso busca evitar colapso da cadeia do leite; entenda
4
Ministério cancela mais de 76 mil licenças de pescadores
5
China “nunca” disse que não habilitaria novos frigoríficos, diz encarregado de Comércio Internacional do Mapa
6
Governo de Goiás envia projeto para encerrar cobrança da taxa do agro
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agropolítica
Alckmin vê acordo Mercosul-UE em vigor no Brasil até o fim de maio
Texto do decreto das salvaguardas brasileiras já está na Casa Civil e deve sair antes de aprovação no Senado
Agropolítica
Vai à sanção projeto que permite uso no Pronaf de até R$ 500 milhões do Fundo Garantidor
Proposta já havia passado pelo Senado e foi aprovada pela Câmara nesta quinta-feira, 26;
Agropolítica
México e Filipinas abrem mercados para produtos brasileiros
Brasil chega a 14 novos mercados neste ano
Agropolítica
Governo libera mais R$ 73,6 milhões para ajudar arrozeiros
Desde 2024, foram mais de R$ 716 milhões em medidas de apoio ao setor de arroz
Agropolítica
Coalizão dos Biocombustíveis quer SAF e diesel verde como prioridade em Fundo de Transição Energética
Contribuições setoriais para o mapa da transição energética do Brasil, será entregue ao governo federal na segunda semana de março
Agropolítica
Alckmin diz que enviará proposta sobre salvaguardas brasileiras no acordo Mercosul-UE
Câmara dos Deputados aprova acordo provisório entre Mercosul e União Europeia e texto segue para análise do Senado
Agropolítica
China “nunca” disse que não habilitaria novos frigoríficos, diz encarregado de Comércio Internacional do Mapa
Setor acredita que novas habilitações podem ocorrer ainda neste ano; distribuição de cotas pode ser discutida nesta semana
Agropolítica
Decreto atualiza regras para fiscalização de fertilizantes e bioinsumos
Medida atualiza normativas e procedimentos