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Agropolítica

Entidades defendem etanol sustentável e criticam tarifas recíprocas de Trump

Setor de cana-de-açúcar aponta retrocesso ambiental e taxação elevada sobre o açúcar brasileiro

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Paloma Custódio | Brasília

14/02/2025 - 12:08

Foto: Adobe Stock
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Diante da política recíproca adotada por Trump para taxar as importações americanas, entidades brasileiras do setor de cana-de-açúcar ressaltam que o etanol brasileiro, por ser mais sustentável, pode auxiliar na descarbonização da frota dos Estados Unidos. Nesta quinta-feira, 13, o presidente norte-americano assinou um memorando, que cita como exemplo o etanol brasileiro. Atualmente, o etanol importado pelos EUA está sujeito a uma tarifa de 18%, enquanto o produto exportado pelos norte-americanos ao Brasil enfrenta uma taxa de apenas 2,5%.

Ao Agro Estadão, o CEO da Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana), José Guilherme Nogueira, disse que “boa parte do etanol brasileiro pode auxiliar a descarbonização no mundo, por ser uma opção barata, rápida e utilizando todo o sistema de distribuição que já existe nos países. Uma descarbonização direta”. 

CONTEÚDO PATROCINADO

Nogueira também avalia que quem pagará pelas políticas de reciprocidade de Trump será o consumidor americano. “Os EUA têm tido uma posição de proteger sua indústria, como qualquer outro país, mas certamente, ao fazer isso, impactará nos custos finais ao consumidor americano”, destaca.

Em nota, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) e a Bioenergia Brasil lamentaram que o etanol tenha sido incluído no memorando de tarifas recíprocas, anunciado pelo presidente norte-americano.

“A medida pretende colocar no mesmo patamar o etanol produzido no Brasil e nos Estados Unidos, embora possuam atributos ambientais e potencial de descarbonização diferentes, e portanto não faz sentido falar em reciprocidade. Se a medida se confirmar, será mais um passo dos Estados Unidos rumo ao abandono à rota de combate à mudança do clima”, avalia.

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Elevada taxação do açúcar

Em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira, 13, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, também destacou que o etanol do Brasil, por ser produzido com cana-de-açúcar, tem um terço a menos de pegada de carbono. “E quando a gente analisa o açúcar, ele tem uma cota. E quando sai da cota, é 90% o imposto de importação para entrar nos Estados Unidos. Não é 18%, é 90%”, ressaltou.

Em seu perfil no X, a senadora e ex-ministra da Agricultura, Tereza Cristina (PP-MS), recordou de uma reunião com o presidente Trump — realizada durante sua gestão no Mapa — em que debateram as altas tarifas dos Estados Unidos sobre o açúcar brasileiro.  “A reciprocidade no comércio internacional já é um tema em debate no Senado Federal. Sou a relatora de um projeto que visa a proteger o Brasil de taxações e barreiras injustas, inclusive por alegações ambientais. O projeto está pronto para ser analisado e votado”, destaca.

O projeto de lei da reciprocidade (PL 2088/2023) segue em apreciação na Comissão de Meio Ambiente do Senado antes de ir para votação em Plenário.

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