Agropolítica
Conab reajusta tarifas de armazenagem; setor aponta gargalo estrutural
Companhia aposta na medida para ampliar a rede de armazéns
Paloma Santos | Brasília
03/06/2025 - 13:30

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reajustou, em média, 6,88% as tarifas de armazenagem de produtos agrícolas. Os novos valores passaram a vigorar em 1º de maio e têm como finalidade ampliar a atratividade para prestadores privados, fortalecer a política de estoques reguladores e garantir suporte à Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).
Ao Agro Estadão, o presidente da Conab, Edegar Pretto, explicou que os armazéns credenciados são essenciais para complementar a ausência de unidades próprias da Conab em diversas localidades, “viabilizando, assim, a implementação da PGPM e o atendimento às ações de abastecimento”.
A previsão da própria estatal é de uma safra recorde este ano, que pode superar 330 milhões de toneladas. Hoje, a rede de armazéns credenciados possui capacidade de 3,02 milhões de toneladas, volume mais de três vezes superior ao da rede própria da estatal. “Isso demonstra a importância estratégica dos armazéns privados na execução das políticas públicas de abastecimento”, afirmou Edegar Pretto.
As novas tarifas abrangem diferentes tipos de produtos e operações. Entre os principais ajustes estão: 19,12% para armazenagem de grãos ensacados, 8,04% para café em grãos, fibras vegetais e arroz a granel, além de 2,42% a 2,97% para serviços de recepção e expedição. Já o arroz teve um acréscimo de 30% na tarifa de armazenagem a granel, pelas características abrasivas, que danificam os equipamentos durante o seu processamento.
Segundo o presidente, o impacto da medida no orçamento da estatal dependerá do volume de estoques públicos que o governo federal optar por formar em 2025, já que os pagamentos só ocorrem mediante uso efetivo do serviço. “Na modalidade de contratação por credenciamento, a Conab somente realiza pagamentos quando efetivamente utiliza os serviços do armazém”, explicou.
A expectativa da Conab é que o reajuste incentive a adesão de novos prestadores, sobretudo em regiões agrícolas estratégicas, que concentram culturas como milho, arroz e trigo — como Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Goiás — e em novas fronteiras como Matopiba (região formada pelo estado do Tocantins e partes dos estados do Maranhão, Piauí e Bahia) e Sealba (área que abrange 171 municípios de Sergipe, Alagoas e Bahia).
Questionado sobre como a Companhia garantirá que o reajuste não leve a uma concentração de contratos em regiões mais rentáveis — deixando áreas menos assistidas desprotegidas — Pretto informou que a tabela de tarifas possui validade nacional. “Isso garante isonomia no pagamento, independentemente da localização do armazém”, disse.
Acesse aqui a tabela de tarifas reajustadas da Conab.
Gargalo estrutural
Embora a medida tenha como foco a ampliação da oferta de armazéns, na avaliação do presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos da Abimaq e presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Paulo Bertolini, o reajuste da Conab não resolve o problema central do setor, a insuficiência estrutural de armazéns no país.
Segundo Bertolini, que já defendeu esse argumento anteriormente ao Agro Estadão, a estratégia não vai aumentar a capacidade estática de grãos no Brasil. “A Conab está pegando esses armazéns que estão na iniciativa privada e fazendo um arrendamento, uma prestação de serviço para a gestão pública”, afirmou.
Bertolini defende que o problema não se resolverá apenas com formação de estoques públicos, mas sim com investimento em novos armazéns. Ele lembrou que a Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO) recomenda que a capacidade estática ideal de armazenamento de um país deveria ser de 1,2 vez maior que a sua produção anual. “Hoje o Brasil produz 330 milhões de toneladas e precisaria de 20% a mais em capacidade. O déficit é grave”, alertou.
Newsletter
Acorde
bem informado
com as
notícias do campo
Mais lidas de Agropolítica
1
LDO 2026: veto de Lula retira proteção a gastos com seguro rural e Embrapa; FPA reage
2
Pescadores têm até dia 31 para envio do REAP, requisito para o seguro-defeso
3
STF forma maioria para derrubar marco temporal; o que vem agora?
4
Governo cria linha de crédito de R$ 6 bi para renovação de frota de caminhões
5
Fávaro: Brasil mira cotas de exportação não cumpridas por outros países na China
6
Decisão do STF sobre marco temporal passa a valer em 2026, mas ainda cabe recurso
PUBLICIDADE
Notícias Relacionadas
Agropolítica
Lula sanciona orçamento com pouco mais de R$ 1 bilhão para Seguro Rural
Veja como ficaram os limites de gastos dos principais órgãos relacionados ao agro; FPA espera que governo libere 100% dos recursos
Agropolítica
Paraná taxa tilápia importada em 22% e restringe incentivos
Medida altera regras do ICMS e atende demanda da Faep contra “concorrência desleal” e risco sanitário
Agropolítica
Alckmin projeta vigência do acordo Mercosul–UE no segundo semestre de 2026
Tratado será assinado no sábado e governo brasileiro espera aprovação do Congresso Nacional ainda no primeiro semestre deste ano
Agropolítica
Ministro diz que há mais de 10 interessados em leilão do Tecon Santos 10
Maior parte é de grupos estrangeiros; edital deve ser publicado entre fevereiro e março, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos
Agropolítica
Anvisa passa a visitar fabricantes de agrotóxicos para verificar informações declaradas
Processo faz parte de nova metodologia, que serve para otimizar avaliações de produtos usados na produção rural
Agropolítica
BNDES oferta mais R$15,3 bilhões para Plano Safra 25/26
Segundo financeira, ainda há R$ 20,1 bilhões disponíveis para crédito rural até julho de 2026
Agropolítica
Extrativistas têm até dia 16 para solicitar benefício do Sociobio Mais
Pagamento de bônus é feito a 17 produtos extrativistas quando o valor de venda ficou abaixo do preço de referência definido pelo programa
Agropolítica
Governo veta regularização de imóveis em faixa de fronteira; FPA reage
Proposta foi barrada integralmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva; setor indica que pode haver insegurança jurídica