Agropolítica
Brasil vê tensões geopolíticas como aliadas para acelerar aplicação do acordo Mercosul-UE
Congresso Nacional vai priorizar ratificação do tratado após o recesso parlamentar
Daumildo Júnior | Brasília | daumildo.junior@estadao.com
22/01/2026 - 13:44

O Brasil aposta que as recentes tensões geopolíticas tendem a apressar a efetivação do acordo Mercosul e União Europeia, mesmo com o tratado tendo que passar por análise jurídica no Tribunal de Justiça do bloco europeu. De acordo com o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, esse ambiente é a aposta para que o acordo não demore dois anos para ser efetivado, tempo previsto para decisão no Tribunal.
“A Europa vai ter que remodelar sua geopolítica econômica porque ela está imprensada em crise com a Rússia, China e com os Estados Unidos, que era o grande aliado. E onde é que não tem conflito e tem parte da solução? Aqui, na América do Sul, aqui com o Brasil. Então, nós apostamos que o ambiente está muito favorável para não ter que esperar esse tempo todo”, comentou a jornalistas nesta quinta-feira, 22, em Brasília (DF).
Na visão da ApexBrasil, a decisão de judicializar o tema ocorreu em um momento de desmobilização por parte dos deputados europeus favoráveis ao acordo. Além disso, não é a primeira vez que esse tipo de pedido de revisão ocorre em acertos comerciais do bloco. “Isso aconteceu também quando o acordo entre Canadá e União Europeia foi assinado”, disse.
Congresso brasileiro vai priorizar aprovação do acordo
Ainda conforme o presidente da ApexBrasil, o presidente do Senado Federal e do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União – AP), disse que vai priorizar a ratificação do acordo assim que as atividades no parlamento brasileiro retornarem. O recesso parlamentar vai até o dia 1º de fevereiro, com retorno previsto para o dia 02.
A estratégia acertada com Alcolumbre é atuar em duas frentes para dar celeridade no processo. Uma é a aprovação rápida não apenas no Brasil, mas nos demais parlamentos dos países do Mercosul. Isso enviaria uma mensagem “educada” de pressão ao Parlamento Europeu, segundo o presidente da ApexBrasil.
A outra manobra prevê visita de lideranças parlamentares brasileiras ao órgão europeu. “Agora quem tem que conversar com o parlamento é o parlamento”, acrescentou.
Viana comentou ainda a intenção de promover uma campanha de comunicação na Europa para desfazer a imagem negativa sobre o agronegócio brasileiro. Segundo ele, a realidade brasileira mudou, principalmente, em questões como o desmatamento e questões sanitárias. A base para a iniciativa é uma pesquisa feita em 2019 demonstrando que mais de 60% dos europeus não tinha uma boa avaliação do agro do Brasil.
“A gente reduziu o desmatamento pela metade novamente e fez crescer o agro com muita segurança sanitária. E a imagem do Brasil, a nossa realidade mudou e tem que ser trabalhada lá [Europa] também. Então, a Apex está entrando até nesse lado da comunicação para mostrar que, olha, os argumentos usados há quatro, cinco anos não cabem nesse momento. Mas isso é uma disputa de narrativa”, disse.
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