Agricultura
Zarc da cana-de-açúcar é atualizado após cinco anos
Nova versão do zoneamento amplia análise de solos, atualiza dados climáticos e mantém restrições em áreas com excesso de chuva e calor
Redação Agro Estadão
26/01/2026 - 18:36

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) publicou as portarias com o novo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) da cana-de-açúcar após cinco anos. A nova versão traz três mudanças centrais: atualização da série climática até 2022, ampliação das classes de solo avaliadas e inclusão de municípios antes impedidos pelo extinto Zoneamento Agroecológico da Cana (ZAE Cana).
Na nova versão, além de incluir a avaliação de municípios que até então tinham restrição de acesso a financiamento público em razão do ZAE Cana, pesquisadores da Embrapa utilizaram uma metodologia atualizada de cálculo de riscos, avaliando um número maior de classes de solo. A série temporal climática também foi atualizada, abrangendo o período de 1992 a 2022.
Um dos responsáveis técnicos pelo novo Zarc, o pesquisador Santiago Cuadra, da Embrapa Agricultura Digital, afirma que a liberação formal de municípios na Amazônia e no Pantanal não alterou o quadro geral.
“A análise de risco tem uma certa correlação com a análise de aptidão que foi feita no ZAE. Teve alteração, sobretudo nos municípios de transição entre Cerrado e Amazônia, mas não teve uma mudança expressiva regionalmente. A maior parte dos municípios da Amazônia segue fora do Zarc por causa do excesso de chuva”, afirma.
Segundo Cuadra, a produção de etanol e açúcar exige cerca de seis meses secos para a colheita, condição rara na Amazônia. No Pantanal, as altas temperaturas inviabilizam a cultura. “Alguns municípios de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que têm a maior parte do território fora do Pantanal foram incluídos, mas outros, com percentual maior no bioma, ficaram fora”.
Além disso, o Zarc para cana destinada a outros fins — como cachaça, melaço e forragem para alimentação animal — teve ampliação. As restrições se concentram no semiárido nordestino, pela escassez hídrica, e em áreas mais altas de Santa Catarina e do sul de Minas Gerais. A cultura não é indicada para regiões com ocorrência frequente de geadas.
Concentração no Centro-Sul
A área ocupada pela cana no Brasil variou entre 9,1 milhões e 10,2 milhões de hectares na última década. A maior concentração está no Centro-Sul. São Paulo responde por cerca de 50% das lavouras do país. Goiás, com 11%, e Minas Gerais, com 10%, aparecem na sequência.
A nova versão do Zarc classifica as regiões em quatro níveis de risco de perda: 20%, 30%, 40% e acima de 40%, faixa em que não há recomendação de plantio. A avaliação considera a capacidade de armazenamento de água do solo, o regime de chuvas e o ciclo da cultura.
O cálculo do risco leva em conta a probabilidade de produtividade acima de 65 toneladas por hectare, com açúcar total recuperado (ATR) de referência de 135 quilos por tonelada de colmo, além do risco de geadas e de escassez ou excesso de chuva.
As portarias não alteram o Zarc da cana em áreas irrigadas, publicado em 2022 e ainda em vigor.
Política agrícola
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático orienta a época de plantio de mais de 50 culturas no País, com base em dados científicos. O instrumento reduz riscos produtivos e apoia decisões do setor financeiro e do seguro rural.
O Zarc é usado em políticas públicas como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). Desde a safra 2025/2026, tornou-se condição para crédito de custeio acima de R$ 200 mil em linhas com recursos controlados.
As recomendações podem ser consultadas no aplicativo Zarc Plantio Certo, disponível para Android e iOS, ou na versão web, no endereço embrapa.br/plantiocerto.
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