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Agricultura

Produtor de soja em MT usa mais capital próprio diante do crédito mais caro

Segundo o Imea, recursos próprios no custeio da soja em MT sobem para 23,5%; movimento reflete reação aos juros altos, avalia a Markestrat.

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Redação Agro Estadão

15/12/2025 - 14:38

O uso de capital próprio cresce com o encarecimento do crédito no Plano Safra 2025/26 | Foto: Adobe Stock
O uso de capital próprio cresce com o encarecimento do crédito no Plano Safra 2025/26 | Foto: Adobe Stock

A nova edição do levantamento do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) sobre o financiamento da soja em Mato Grosso, maior estado produtor do País, mostra uma mudança no crédito de custeio da lavoura. No ciclo atual (2025/26), a participação de recursos próprios dos agricultores subiu de 20,7% para 23,5% — avanço de 2,84 pontos percentuais em relação à safra anterior.

À primeira vista, o dado sugere maior robustez financeira do produtor, que estaria conseguindo bancar uma fatia maior do custo com capital próprio. A leitura, no entanto, pede mais cautela. 

Segundo o Imea, parte desse aumento pode estar associada a operações à vista lastreadas na produção da safra 2024/25, ou seja, usadas para antecipar a compra de insumos da temporada 2025/26. Esse tipo de operação, explica o relatório, é contabilizado como autofinanciamento, mas reduz a liquidez efetiva disponível nas propriedades.

Na prática, trata-se de um uso antecipado do lucro da safra anterior. Estimativa da Veeries consultoria indica que esse movimento equivale a cerca de R$ 219,00 por hectare. Ou seja, o produtor precisou retirar, em média, essa receita por hectare do resultado da safra 2024/25 para viabilizar a aquisição antecipada de insumos da próxima temporada.

Capital Próprio

O avanço do capital próprio no financiamento ocorre em um contexto de crédito mais caro. Com as taxas de custeio do Plano Safra 2025/26 em patamares elevados, a conta econômica começa a mudar. 

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Para José Carlos de Lima, sócio fundador da Markestrat Group, usar recursos próprios pode ser, na margem, uma alternativa menos onerosa do que recorrer ao crédito livre, mesmo que isso pressione o caixa no curto prazo. “Com o custo do dinheiro nesse nível, financiar o giro no mercado pode destruir margem. Nessa situação, o capital próprio passa a ser, na prática, mais barato do que o capital de terceiros”, avalia.

A leitura histórica reforça essa mudança de sinal. O especialista explica que, nas safras 2017/18, 2023/24 e 2024/25, a combinação de custos mais baixos e boa rentabilidade permitiu ao produtor aumentar o caixa livre, reduzindo a necessidade de capital de giro por hectare. Em 2025/26, porém, o cenário se inverte. A alta de R$ 219,00 por hectare indica recomposição da necessidade de giro, em linha com o custeio recorde projetado pelo Imea e com o aumento da participação de capital próprio para 23,5% no financiamento da soja em Mato Grosso.

Segundo Lima, isso não significa uma decisão ineficiente de descasar lucro e capital de giro. “O produtor não está ‘escolhendo’ usar o próprio caixa por opção financeira. Ele está reagindo a um ambiente em que o crédito ficou caro demais”, diz. Ele lembra que, em ciclos anteriores, quando o crédito rural operava a taxas próximas de 5% ao ano e aplicações financeiras rendiam perto de 10%, fazia mais sentido para o agricultor tomar empréstimo e manter o caixa aplicado. Agora, essa lógica se inverteu.

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