Agricultura
Atemoia ou chirimoia: qual escolher?
Híbrida e adaptável, a atemoia é mais doce e menos fibrosa; a chirimoia, rainha dos Andes, tem sabor equilibrado
Redação Agro Estadão*
07/12/2025 - 05:00

À primeira vista, atemoia e chirimoia parecem “primas” muito parecidas. Podem até confundir o olhar à primeira vista, mas, por trás da casca verde e da polpa branca e doce, elas contam histórias bem diferentes.
Na verdade, uma é a “mãe” pura e exigente (a chirimoia), enquanto a outra é o híbrido moderno e vigoroso, fruto do cruzamento com a fruta-do-conde, resultando em frutos maiores, mais doces e com sementes que se soltam fácil.
Para produtores e entusiastas da fruticultura, desvendar essas diferenças é como decifrar um mapa do tesouro!
O que é a atemoia?

A atemoia (Annona × chirimola × squamosa) representa um híbrido desenvolvido através do cruzamento entre a chirimoia (Annona cherimola) e a fruta-do-conde (Annona squamosa).
Segundo documentos da Embrapa, este cruzamento foi realizado no início do século XX na Flórida, Estados Unidos, combinando características superiores de ambas as frutas parentais.
A fruta apresenta formato arredondado ou de coração, com tamanho superior ao da fruta-do-conde.
Sua casca exibe coloração verde variando do claro ao escuro, podendo apresentar superfície quase lisa ou levemente escamosa, com protuberâncias suaves que a distinguem das espécies parentais.
A polpa caracteriza-se pela coloração branca, textura suculenta e consistência menos fibrosa comparada à chirimoia. O sabor combina doçura acentuada com aroma intenso, lembrando baunilha, abacaxi e morango.
As sementes pretas e grandes removem-se facilmente, sendo encontradas em menor quantidade que na fruta-do-conde.
A atemoia demonstra boa adaptação a climas tropicais e subtropicais, desenvolvendo-se em temperaturas médias entre 20°C e 28°C. Esta amplitude térmica favorece seu cultivo em diversas regiões brasileiras.
O que é chirimoia?

A chirimoia (Annona cherimola) origina-se das regiões andinas da América do Sul, sendo cultivada há séculos nas montanhas do Peru, Equador e Colômbia. Conhecida como “Rainha das Frutas” devido ao seu sabor, esta espécie chegou ao Brasil durante o período colonial.
A fruta apresenta formato oval ou cordiforme, com casca verde clara que pode exibir superfície lisa ou pequenas depressões que lembram impressões digitais. Durante o amadurecimento, a casca escurece, sinalizando o ponto de consumo.
A polpa destaca-se pela textura suculenta e macia, derretendo na boca. Sua coloração branca apresenta sabor que equilibra doçura natural com acidez sutil, oferecendo notas aromáticas que remetem à banana, abacaxi, mamão e morango.
Comparativamente à atemoia, a chirimoia demonstra maior sensibilidade ao transporte e manuseio. Prefere temperaturas amenas e altitudes elevadas, tolerando melhor o frio que outras anonáceas. Esta exigência climática limita suas áreas de cultivo comercial no Brasil.
Diferença entre atemoia e chirimoia
A diferenciação visual inicia-se pela análise da casca. A atemoia geralmente apresenta superfície mais regular, com protuberâncias uniformes ou aspecto liso. Em contraste, a chirimoia pode exibir casca irregular, caracterizada por “impressões digitais” ou escamas suaves.
Quanto ao tamanho, a atemoia costuma superar a chirimoia. O peso médio da atemoia varia entre 300 a 600 gramas, enquanto a chirimoia apresenta peso entre 200 a 400 gramas.
A polpa revela diferenças na textura e sabor. A chirimoia oferece polpa mais suculenta e ligeiramente fibrosa, com equilíbrio entre doçura e acidez suave. Seu sabor resulta de compostos aromáticos desenvolvidos nos Andes.
A atemoia apresenta polpa menos fibrosa e mais cremosa, com doçura acentuada e aroma intenso, herança da fruta-do-conde. As sementes da atemoia removem-se com facilidade e encontram-se em menor quantidade, facilitando o consumo.
Diferenças no cultivo e adaptação climática

A origem híbrida confere à atemoia vantagens adaptativas, resultando em maior flexibilidade climática que amplia suas possibilidades de cultivo. Esta característica torna a espécie comercialmente viável em diversas regiões brasileiras.
Segundo a Embrapa, a atemoia desenvolve-se adequadamente em temperaturas entre 20°C e 28°C, suportando variações sazonais moderadas. Tolera diferentes tipos de solo bem drenados e adapta-se a regimes pluviométricos variados.
A chirimoia exige condições mais restritivas para cultivo comercial. Prefere altitudes entre 1.000 a 2.000 metros, temperaturas amenas e precipitação moderada bem distribuída. Estas exigências limitam suas áreas de produção no Brasil, concentrando-se em regiões serranas de clima subtropical.
Quanto à sazonalidade, a atemoia apresenta período de safra mais extenso, com produção entre dezembro e maio. A chirimoia possui janela de produção restrita, geralmente entre março e junho em condições brasileiras.
Esta diferença de adaptabilidade reflete-se na disponibilidade comercial e preços, tornando a atemoia mais acessível ao consumidor e oferecendo maior estabilidade de renda aos produtores que optam por seu cultivo.
*Conteúdo gerado com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação Agro Estadão
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