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Sustentabilidade

Estudo comprova viabilidade financeira de sistemas agroflorestais no Cerrado

Segundo ONG internacional, 52 mil propriedades na região já adotam modelos agroflorestais, a maioria de pequeno porte

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Broadcast Agro

07/05/2025 - 14:05

Foto: Adobe Stock
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Os Sistemas Agroflorestais (SAFs) no Cerrado ainda enfrentam desafios, como ausência de crédito específico, fornecimento limitado de insumos, baixa oferta de assistência técnica e escassez de estudos científicos sobre espécies nativas do Cerrado. Apesar disso, uma nova publicação lançada pela The Nature Conservancy (TNC) Brasil traz evidências inéditas da viabilidade financeira dos SAFs, aliadas a uma análise detalhada das salvaguardas socioambientais, ou seja, medidas de proteção que devem ser incorporadas no planejamento e execução para a expansão sustentável da atividade.

O objetivo do estudo é fomentar investimentos e apoiar a estruturação de mecanismos financeiros voltados aos SAFs no país, informa a TNC em comunicado. Conforme o levantamento, 52 mil propriedades na região já adotam modelos agroflorestais, sendo a maioria de pequeno porte — evidenciando a importância de financiamento convergente com as demandas da agricultura familiar.

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Fruto da iniciativa Inovação Financeira para Amazônia, Cerrado e Chaco (IFACC), o estudo busca chamar a atenção de bancos, empresas da cadeia de valor, gestores de ativos e outras instituições para o potencial econômico e socioambiental dos SAFs. Um destaque é o financiamento misto, que se mostra como peça-chave para tornar viável a expansão dos sistemas agroflorestais, integrando recursos públicos e privados, mitigando riscos e viabilizando investimentos de longo prazo.

O levantamento traz três estudos de caso desenvolvidos por organizações parceiras – Belterra, WRI Brasil com WWF-Brasil e Carbon 4412 com Rizoma – que exploram diferentes configurações de SAFs implementadas em áreas já abertas do Cerrado. Os resultados financeiros são expressivos: a taxa interna de retorno (TIR) varia de 26% a 79%, com prazos de retorno entre 4 e 11 anos, a depender do modelo.

“Esses modelos mostram que não precisamos escolher entre produzir e preservar”, diz Julio Alves, analista sênior de Sistemas Alimentares Sustentáveis no WRI Brasil e autor de um dos capítulos do estudo. “No mesmo espaço, o agricultor colhe alimento, gera renda, restaura o solo e mantém viva a riqueza biológica e cultural do Cerrado”, explica Alves.

As análises feitas pelo WWF-Brasil e pelo WRI Brasil mostram que os SACIs (Sistemas AgroCerratenses), que são sistemas agroflorestais inspirados na estrutura e composição de espécies nativas do Cerrado, comprovam a viabilidade de um modelo que alinha prática, cultura e território. O documento é atual e relevante, reunindo, em um só lugar, informações sobre como fazer, quanto custa, que lucro se pode esperar, o que plantar e como desenhar os sistemas, além de trazer exemplos práticos. A metodologia do levantamento alia aspectos econômicos e ambientais.

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