Pecuária
Tarifas: JBS e Marfrig tentam incluir carne brasileira em isenção, diz ABIEC
Empresas têm pressionado o governo diante da alta nos preços da carne que pode comprometer o ‘hambúrguer perfeito’ nos EUA
Sabrina Nascimento | São Paulo | sabrina.nascimento@estadao.com
12/08/2025 - 13:35

As gigantes JBS e Marfrig estão atuando junto ao Congresso e governo norte-americano para inclusão da carne bovina do Brasil na lista de isenções das tarifas de 50%, em vigor há cerca de uma semana. Ambos frigoríficos são brasileiros, mas têm operação própria nos Estados Unidos (EUA).
Durante o lançamento da Frente Parlamentar da Agropecuária Paulista (SP Agro), Roberto Perosa, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (ABIEC), salientou que a alta nos preços da carne nos EUA tem levado empresas norte-americanas a pressionarem o governo dos EUA. “Temos tido notícias de que várias empresas e redes de fast-food têm falado com o presidente Trump sobre essa situação [alta do preço da carne ao consumidor]”, disse.
Há também uma frente de atuação da entidade. “E nós temos dialogado também através da Associação de Importadores de Carne dos EUA, através das empresas brasileiras que lá atuam, da JBS, do Marfrig, que tem operação própria dentro dos EUA, para que a gente possa fazer essa interlocução com o governo, mas também com o Congresso dos EUA, explicando os benefícios que a carne brasileira leva ao mercado norte-americano”, complementou Perosa.
O presidente da ABIEC lembrou ainda que, culturalmente, os norte-americanos têm no hambúrguer o principal formato de consumo de carne bovina, respondendo por cerca de 65% da demanda interna. No entanto, para alcançar o sabor e a textura ideais, a indústria de processamento mistura carne produzida nos EUA — entremeada e gordurosa —, com carne brasileira, mais magra e considerada complementar ao padrão local. “Então, para fazer o hambúrguer norte-americano, se usa uma parte de carne americana e se uma parte de carne brasileira para chegar ao hambúrguer perfeito”, afirmou.
Esse equilíbrio, de acordo com Perosa, tornou o produto brasileiro estratégico para o mercado nos EUA, especialmente em um momento de escassez — atualmente, o rebanho bovino lá, que historicamente gira em torno de 100 milhões de cabeças, está hoje em cerca de 80 milhões, o menor nível dos últimos 75 anos.
Diálogo com o governo brasileiro
A ABIEC também tem mantido conversas com o governo brasileiro, porém, na avaliação do dirigente da entidade, ‘até o momento não tem tido êxito’.
“Temos participado de todas as reuniões que estamos sendo chamadas, colocando o problema da carne brasileira, lembrando que a pecuária é altamente capilarizada no Brasil… Temos mostrado que não conseguimos achar um outro destino, como os EUA eram, o segundo maior mercado brasileiro, com essa concentração de demanda e com rentabilidade na questão do preço”, destacou.
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