Inovação
Embrapa identifica fungo do solo que elimina 100% do mofo-branco
Estudo aponta solução biológica eficaz contra doença que atinge soja, feijão e algodão
Redação Agro Estadão
04/06/2025 - 10:28

Pesquisadores da Embrapa e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) identificaram fungos do solo com capacidade de eliminar 100% do fungo Sclerotinia sclerotiorum, agente causador do mofo-branco, uma das doenças mais severas que afetam cultivos de soja, feijão e algodão no Brasil.
Segundo a estatal, os resultados apontam para uma alternativa biológica promissora no controle fitossanitário dessas lavouras, reduzindo a dependência do uso de fungicidas químicos.
“Esse é um passo importante para o desenvolvimento de novas estratégias sustentáveis de manejo do mofo-branco. Eles demonstraram potencial de controle superior a 100% sobre o agente causador da doença, o que é bastante expressivo”, destacou, em nota, o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Wagner Bettiol.
A doença tem ampla ocorrência no Brasil e pode provocar perdas expressivas de produtividade, especialmente em condições de clima favorável à sua propagação, como alta umidade e temperaturas amenas. O mofo-branco é de difícil controle e, até então, exigia o uso intensivo de fungicidas químicos, além de práticas como a rotação de culturas e o uso de sementes tratadas.

Os fungos identificados pela Embrapa ainda passarão por etapas de validação em campo e registro junto aos órgãos competentes, mas os pesquisadores estimam que, a médio prazo, os microrganismos possam ser utilizados comercialmente em formulações específicas para o controle do mofo-branco.
“Estamos avançando na pesquisa para transformar esses isolados em produtos biológicos que possam chegar ao agricultor com segurança e eficiência”, concluiu Bettiol.
Biocontrole
Segundo a Embrapa, o uso desses fungos como agentes de biocontrole permite sua integração com outras boas práticas agrícolas, favorecendo o manejo integrado e o uso racional de defensivos. “A integração com outras práticas agrícolas é essencial para garantir eficácia e sustentabilidade no campo”, informou a instituição no comunicado enviado à imprensa.
De acordo com a Embrapa, o crescimento do mercado de bioinsumos no país é intenso. Entre 2021 e 2022, o setor cresceu 67%. A estimativa é que o Brasil responda por cerca de 20% do consumo mundial de produtos como biofungicidas, bioinseticidas e bioestimulantes.
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